Coisas que você só aprende quando está do outro lado, no poder.



O inconformismo da sociedade com a classe política é fruto de um conflito milenar alimentado por condicionantes inerentes à relação entre estas duas partes. A política é a arte de mentir e enganar. Os políticos mentem ao povo, que acaba cultivando um ideal completamente distorcido do que é o Estado.

Para chegar ao poder, os políticos precisam mentir e atacar seus rivais, passando a impressão que estão do lado do povo. É uma técnica bastante antiga, mas funciona por um simples motivo: o povo é burro e se nega a enxergar a realidade.

Ainda que surgisse um político que ousasse dizer a verdade, ele seria repudiado pelo povo, que apesar da experiência e da vivência, prefere acreditar em mentiras, feito uma criança. Entre falar a verdade, mandar a real, ser contestado e não ganhar nada, o político prefere mentir, pois sabe que o eleitor, de modo geral, é estúpido.

Os políticos são membros de uma seita milenar, que se aperfeiçoou ao longo de mais de 7 mil anos de experiências envolvendo a manipulação das massas e a coerção social. O que se vê no mundo hoje é resultado de trocas de experiências entre chefes de Estado que se encontram anualmente há séculos e séculos a fio. O Estado é na verdade um organismo vivo milenar comandado por escolhidos que se sucedem um após o outro em qualquer lugar do mundo. Uns protegem os outros e muitas vezes até se calam sobre os erros, desmandos e barbaridades perpetradas por seus pares em seus territórios.

Coisas com as quais os políticos estão bastante familiarizados, mas que as pessoas se recusam a aceitar:

Lição Nº 01 - Pessoas morrem.

Os políticos prometem salvar vidas, mas não são deuses. As pessoas morrem e vão continuar morrendo em consequência de uma série de fatores, a maioria relacionados à própria estupidez humana, como a violência a imprudência. Não há como salvar todo mundo que se aventura embriagado em alta velocidade, que leva uma vida sedentária enchendo o bucho de doces, gorduras e outros venenos em excesso. Também não há como evitar alguns indivíduos optem pelo caminho mais curto até o dinheiro. A criminalidade, em qualquer país pobre, é uma realidade, pensam os políticos. Entre combater a rais do problema e fazer teatro, os políticos preferem a segunda alternativa, que é bem mais barata. Por outro lado, a população também gosta desta brincadeira de gato e rato protagonizada pela polícia e os bandidos. O problema é que sem atacar a raiz do problema, os ratos se proliferam e a brincadeira nunca acaba. Para o político, isso é bom. Afinal, como ele vai prometer acabar com a violência na próxima eleição?

Lição Nº 02 - Pessoas são burras.

Há uma falsa expectativa de que é possível promover uma grande revolução do Brasil através da educação. Em parte, isso é verdade, mas nem tanto. Os políticos sabem que a inteligência é um evento raro entre populações multi miscigenadas. Nos trópicos, a natureza genética fala mais alto e a maioria absoluta da população tem mais apreço pela diversão do que pela educação. Não é por acaso que os Estados Unidos produziram 369 Prêmios Nobel, 8 apenas em 2017, e o Brasil zero em mais de um século. É claro que os investimentos em educação nas duas nações foram desproporcionais ao longo de 5 séculos de história das duas nações. Mas as populações de origem ibéricas padecem de uma série de letargias que as pessoas se recusam a reconhecer. A limitação intelectual está relacionada à organização moral, falta de ímpeto, comodismo e a falta de organização desta ramificação de povos. A índole pacífica dos povos latinos, marcada por seu temperamento, seu caráter e humor tem origem em seu intelecto, mais voltado para artes, literatura e outros talentos mais prosaicos. A população do continente Sul Americano é uma convergência entre os nada geniais portugueses e espanhóis, os habilidosos negros e índios preguiçosos. Não é por acaso que o Brasil é o país da libido, do futebol e do Carnaval. Embora toda regra seja permeada por exceções, as limitações impostas por combinações trágicas do passado tendem a prevalecer na cultura e no comportamento da sociedade como um todo.

Embora investimentos maciços em educação possam ajudar a minimizar estas deficiências inegáveis, seria preciso pelo menos um século de esforço contínuo. Não basta construir escolas e laboratórios. Seria preciso formar uma nova geração de professores ultra qualificados, menos piadistas, menos acomodados e menos burros que os atuais. Mesmo cientes de todos estes desafios colossais, os políticos preferem empurrar o problema com a barriga. Afinal, como vão prometer resolver os problemas da educação nas próximas eleições?

Lição Nº 03 - Pessoas são corruptas

A Operação Lava Jato inspirou milhões de brasileiros e ressuscitou a fé no combate à corrupção endêmica no país. O problema é que a maior parte das pessoas veem a Lava Jato não como uma nova cultura no combate à corrupção e a desonestidade, mas como uma oportunidade revanchista, uma chance de vingança contra criminosos poderosos que permanecem impunes há décadas. Mas as frases de porta de banheiro vendidas à exaustão pelos procuradores da República no Facebook não combinam com o verdadeiro espírito dos brasileiros. Os próprios procuradores são beneficiários de privilégios indecentes que não condizem nada com a ética e a moral. Isso sem contar o conflito ideológico de quem defende a Lava Jato, mas compra drogas e financia o crime organizado, responsável pela escalada da violência no país. De modo geral, os detentores do poder do Estado sabem que a população é corrupta, desordeira e até criminosa. Não fosse isso, não haveria necessidade de investir cada vez mais e mais em forças policiais, estabelecer multas, criar órgãos fiscalizadores e contratar milhares de fiscais para tentar identificar ao menos 5% de todas as falcatruas cometidas pelos cidadãos.

Um exemplo claro sobre este comportamento de parte da sociedade pôde ser observado em situações recentes em que a polícia militar se aquartelou, como na Bahia e Espírito Santo. Centenas de lojas foram saqueadas, os shoppings e comerciantes em geral precisaram contratar seguranças fortemente armados, atentos aos carros e caminhonetes de luxo que rondavam os estabelecimentos fechados. Nos dois casos, ocorreram paralisações parciais. Parte da Polícia Militar e toda a Polícia Civil impediram que a situação chegasse ao caos e à barbárie. Caso todas as forças de segurança se recolhessem em cidades como Rio, São Paulo, milhares de cidadãos acima de qualquer suspeita infestariam as ruas para se aproveitarem do caos e da ausência do Estado. A realidade é que os políticos fingem que acreditam que a sociedade é honesta, mas precisam ficar permanentemente atentos aos espertinhos. Para garantir a ordem mínima e assegurar ao menos parte da arrecadação, o Estado precisa investir bilhões em forças policiais e órgãos fiscalizadores. Embora 90% das forças policias do Brasil atuem basicamente como fiscais arrecadadores, o Estado sempre pode realocá-los para colocar ordem na casa.

 O roubo de energia no Brasil alcançou a cifra de R$ 12 bilhões ao ano com ligações clandestinas e fraudes em equipamentos de leitura. A energia roubada daria para abastecer Brasília por 4 anos. No caso do Rio de Janeiro, o fim do furto de energia poderia significar uma redução de até 16% nas contas de todos os consumidores. As ligações clandestinas ocorrem tanto em comunidades carentes quanto em em bairros de classe média e classe média alta, informa a associação dos distribuidores de energia.

As autuações da Receita Federal somaram R$ 204,9 bilhões no ano passado, maior valor da série histórica, iniciada em 1968. Segundo divulgou o órgão nesta quinta-feira (15), o valor representa um crescimento de 68,5% na comparação com 2016.

Esta semana de carnaval, mesmo com a polícia nas ruas, moradores de comunidades do Leblon, no Rio de Janeiro, saquearam uma loja do supermercado Pão de Açécar, que fica a cerca de 1 quilômetro de um batalhão da PM. Acompanhe as imagens no vídeo abaixo:



Lição Nº 04 - Não tem dinheiro

Há poucos meses, o  mundo acompanhou o drama de refugiados sírios para a Europa. A crise humanitária colocou chefes de nações poderosas como Alemanha, Inglaterra e França em uma verdadeira saia justa. As pessoas se perguntavam como era possível que um país tão rico como a Inglaterra se recusasse e receber 10 mil refugiados. Muitos recorreram ao argumento de que poderia haver terroristas infiltrados entre os refugiados, mas o problema real era outro. A infraestrutura destas cidades está dimensionada para atender as necessidades de suas populações em áreas como saúde, educação, moradia e geração de empregos. Por mais poderosas economicamente que sejam, 10 mil pessoas são suficientes para colapsar os serviços públicos, os órgãos de atendimentos sociais, baixar os salários de trabalhadores locais e elevar os índices de criminalidade.

Com se vê, 10 mil pessoas podem causar uma série de transtornos ao Estado, por mais rico que seja. O que ninguém se dá conta é que o Brasil foi o centro do maior processo migratório da história da humanidade. Cerca de 50 milhões de refugiados migraram de regiões pobres do país rumo aos grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, mais de 50% dos moradores de favelas e comunidades carentes são de origem nordestina.

Se países de primeiro mundo como Estados Unidos, Inglaterra e França passam aperto para receber meia dúzia de gatos pingados (10 mil refugiados), o que dizer de cidades como Rio e São Paulo, que receberam e ainda recebem todos os anos milhões de refugiados nordestinos? A verdade é que o país levará mais de 100 anos para equacionar os desafios impostos pelo maior fluxo migratório da história da humanidade. Os governos estaduais vão precisar investir trilhões na infraestrutura urbana, criação de novos bairros, financiamento de casa decentes para acabar com as favelas e comunidades desassistidas ao longo de décadas a fio, de modo a garantir uma vida digna para os cidadãos. Mas os políticos não dizem isso. Eles preferem prometer que vão resolver todos os problemas amanhã.

Não é por acaso que o cidadão se sente um trouxa quando anda por certas regiões das cidades e constata que nada mudou nos últimos 10, 20 anos. Quando se lembra de ter ouvido da boca de dezenas de políticos promessas mirabolantes e percebe que a escola da esquina de trinta anos atrás está agora em ruínas, que as casas, ruas e prédios estão cada vez mais decrépitos, que jovens sonhadores se tornaram velhos desiludidos sentados nas calçadas.

Lição Nº 05 - Tá tudo dominado.

Por mais que o cidadão comum se sinta indignado com toda esta realidade, o fato é que os políticos criaram um sistema sofisticado que lhes assegura o privilégio de comandar o Estado. Além de ter que pertencer à classe política, o sujeito só é credenciado a participar do jogo por meio de um partido e de alianças com outros políticos. Obviamente, todos os candidatos precisam atender alguns requisitos básicos, como uma boa conexão com banqueiros, grupos coesos como servidores, ruralistas, militares, sindicalistas, associações, igrejas, etc.

Trata-se de uma máfia fechada onde a maioria dos acordos ocorrem nos bastidores, de forma discreta, bem longe dos ouvidos do eleitor. Em épocas de eleição, até as agressões e rixas são combinadas. Quem pensa que está votando em um  por que não gosta do outro acaba enganado. Nesta tática, os meios de comunicação são parceiros coadjuvantes e experientes na arte de embaralhar a cabeça do eleitor. Enquanto fingem que batem em alguns apenas para manter o político em evidência, com argumentos contestáveis, fingem defender outros que estão no jogo apenas para fragmentar a escolha do eleitor. Todos fazem parte do mesmo clube e é depois das eleições que voltam a tratar dos assuntos de seus interesses.

O problema é que ainda não inventaram uma fórmula mágica para livrar o povo dos políticos nem de proteger o Estado da sociedade. Infelizmente, é assim que as coisas funcionam. Ao menos se mentissem menos...

Apesar de tudo isso, boa parte da sociedade ainda prefere viver de ilusões, acreditando em contos de fada , nos políticos em suas promessas mirabolantes. Alguns ainda brigam para defendê-los, vestem camisetas e não adianta nada dizer o quanto estão parecendo ridículos.

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