Brasil ainda não tem todos candidatos à Presidência definidos. Um nome pode mudar cenário da noite para o dia



O país vive uma certa angústia em relação aos nomes que se apresentam como pré-candidatos à Presidência nas próximas eleições majoritárias. A divisão entre o eleitorado é clara e reflete mais o passado recente do país do que o seus futuro propriamente dito.

Um dos aspectos que mais chama a atenção nas últimas pesquisas é o número de eleitores que declararam que não sabem em quem vão votar ou se vão votar. Nas pesquisas espontâneas, as mais importantes em qualquer consulta, mais de 60% dos entrevistados não apontaram um nome de sua preferência. Esta é a média de pelos menos cinco grandes pesquisas eleitorais realizadas recentemente.

A apatia da maioria dos eleitores contrasta com a indefinição do restante que já manifestou preferência por algum candidato. É justamente este grupo o que mais reflete o passado recente do país. Com a saída do ex-presidente Lula da disputa, os pré-candidatos Jair Bolsonaro e Ciro Gomes devem polarizar já nas próximas pesquisas, com Bolsonaro à frente do candidato do PDT.

Esta polarização reflete o espírito das disputas ideológicas que mobilizaram parte da sociedade. Considerando apenas estes dois candidatos, percebe-se que eles transportam para a disputa o antagonismo observado entre representantes da esquerda e a turma que foi para as ruas pedir o impeachment de Dilma. Em proporção menor, os eleitores de Marina Silva e Geraldo Alckmin também arrastam as disputas ideológicas recentes para os debates que se perpetuam entre ativistas de esquerda e de direita.

Mas a percepção da maioria do eleitorado é a de que os problemas do Brasil não se resumem em rixas entre esquerda e direita, entre defensores de Lula e defensores da Lava Jato. Há uma forte percepção de que a economia deva ser o tema central da disputa quando chegar mais perto da eleição. A incerteza de mais de 60% dos eleitores está mais relacionada com a ansiedade em relação a novos fatos políticos e econômicos do que com debate esgotado entre esquerda e direita. Não há como confiar em promessas sem saber de onde sairá o dinheiro e a maior parte da população sabe da situação das contas públicas do país.

Por outro lado, há um elemento no comportamento do eleitorado que os institutos de pesquisa são incapazes de determinar: a indiferença do eleitor em relação aos nomes apresentados até o momento. Este 'humor' representa uma faixa cinza entre aqueles que aprovam ou rejeitam determinados nomes. A incerteza e o receio sobre o que pode acontecer com a economia são fatores que contribuem para esta apatia de mais da metade do eleitorado.

Esta mesma indiferença também é um sintoma perigoso para os candidatos que polarizam as pesquisas nos últimos meses. Neste aspecto, a indiferença pode ser lida como a resistência que limita o teto de cada pretendente ao cargo de presidente nas próximas eleições. Setores da imprensa também veem com desconfiança a maior parte dos nomes apresentados até o momento. Pairam dúvidas sobre a real capacidade dos candidatos em ao menos manter a estabilidade conquistada até aqui em termos de inflação e juros baixos.

Este cenário é propício ao aparecimento de um azarão ou de um desconhecido entre os favoritos a partir do mês de agosto. São estes eleitores indiferentes que vão definir a disputa. O nome de seu candidato eles ainda não sabem, mas certamente não é nenhum destes que já apareceram ou foram sondados nos últimos meses. Indiferença é uma forma disfarçada de resistência. Mais da metade dos 150 milhões de eleitores vive atualmente neste estado de espírito e não apontou para nenhum dos atuais nomes como opção para o país.

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