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Após Temer afirmar que não busca "aplauso fácil", Marun diz que presidente não disputará eleição, apesar da preocupação de adversários



O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun negou qualquer boato sobre a possível candidatura do presidente Michel Temer nas próximas eleições e disse ter conversado sobre o assunto com Temer, na segunda-feira e afirmou que "A posição dele, hoje, é a de não disputar. Agora, quando os adversários se preocupam com isso, significa que estamos no caminho certo."

A informação coincide com a declaração de Temer , feita através do porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, que afirmou nesta quarta-feira, 21, que o governo não está atrás de "aplauso fácil" e que a agenda eleitoral "não é e nem será causa" das ações governamentais, afirmando que iniciativa da intervenção no Rio de Janeiro não tem "significação eleitoral".

"O presidente reitera que toda e qualquer decisão do governo é regida exclusivamente para as reais necessidades do país. A agenda eleitoral não é nem será causa das ações do governo", disse Alexandre Parola, rebatendo declarações de políticos sobre a eventual candidatura de Temer.

Não são apenas os políticos da oposição que têm demonstrado preocupação com a eventual candidatura de Temer. A ideia, vista com entusiasmo por membros do governo, enfrenta resistências não apenas em partidos da base aliada, mas também  no próprio MDB.

O dado que conta é que, pelo menos até o momento, Temer não se manifestou sobre a possibilidade de se candidatar, ou não. Entre interlocutores, o presidente reconhece que, ao longo dos últimos dois anos, optou por pautas impopulares para tirar o país da pior recessão da história e isto teve um custo político muito alto.  Temer também admite que contrariou interesses de grupos poderosos de servidores, de setores do Judiciário, sindicatos, classe artística, meios de comunicação e de especuladores do mercado financeiro contrários à queda dos juros e da inflação.

Segundo um destes interlocutores, o presidente tinha receio de que a intervenção federal no Rio fosse mais uma medida impopular e acabou se surpreendendo pela boa receptividade da sociedade. O presidente se referiu a um país feito de rosas e carvão no qual impera a mais vergonhosa transferência inversa riquezas do mundo, quando justificou a necessidade de adoção de medidas impopulares.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), ouviu a defesa feita por Marun, mas não seguiu na mesma toada. Disse que o partido trabalha para ter candidato próprio à Presidência, mas citou outros nomes além de Temer, incluindo o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Sem espaço no PSD, Meirelles negocia filiação ao MDB.

"Nós estamos discutindo qual é o nome mais viável, mais factível, que possa ganhar as eleições", afirmou Jucá.

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a possível campanha de Temer é "problema" do MDB e do Planalto. "Isso é problema de lá. Eu não reclamei que eles estão querendo cuidar dos projetos de cá? Deixa eles cuidarem de lá e a gente cuida de cá", disse Maia, que é pré-candidato à sucessão presidencial.

Integrante da ala oposicionista do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) é outro líder que demonstrou preocupação. Fingindo ignorar o clima de guerra dentro de seu partido, o senador tentou espetar o MDB e disse que a entrada de Temer na disputa seria "inconveniente" para o MDB. "Eu vejo o senador Renan Calheiros com Lula. Vejo o presidente do Senado (Eunício Oliveira) com Lula e o (senador) Jader Barbalho também. Como é que eles vão juntar esses cacos?", questionou o tucano.

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