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Além dos maconheiros, políticos e ativistas da esquerda corrupta, boa parte da PM do Rio é contra intervenção federal no estado



Por mais que tenha sido aprovada pela maioria da população do Rio de Janeiro, a intervenção federal na segurança pública no Estado, decretada pelo presidente Michel Temer, tem provocado reações negativas em uma série de segmentos da sociedade. Os que mais se queixam contra o decreto, além dos membros do crime organizado, são de longe os usuários de drogas. Mas este grupo não está sozinho.

Representantes da classe artística, ativistas e políticos de esquerda como Marcelo Freixo (PSOL-RJ),  Alessandro Molon (REDE), Jandira Feghali (PCdoB), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) e o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que protestou contra a medida em sua conta no Twitter. O petista classificou a intervenção como "desnecessária" e relacionou a medida com a tensão envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta reverter condenação em segunda instância. "A intervenção no Rio é mais um passo da quebra do pacto democrático no País. Medida desnecessária, é a radicalização que o governo promove frente as greves que se avizinham e a tensão contra a ameaça de prisão do Lula pode levar. Os setores democráticos devem rechaçar essa medida."

A comunista Manuela D’Ávila também criticou o decreto do governo em nota divulgada pelo PCdoB: “Atividade precípua das Forças Armadas não está relacionada ao policiamento, mas à defesa nacional. O seu uso indiscriminado, de forma crescente pelo governo federal, é indesejável e perigoso”, afirmam os comunistas.

Presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz comentou, também demonstrou preocupação com a intervenção federal no Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Michel Temer e manifestou em nota a preocupação da entidade com a manutenção do Estado Democrático de Direito, algo bem parecido com as posições adotadas por setores mais moderados do PT. A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), já negou o prosseguimento de dois pedidos de liminares para barrar a intervenção federal na Segurança Pública do Rio. Dois advogados entraram com as ações logo após a assinatura do decreto de intervenção assinado pelo presidente Michel Temer

Mas não são apenas os maconheiros, criminosos e ativistas da esquerda corrupta e conivente com o crime organizado que não gostaram da intervenção decretada pelo presidente Michel Temer. Policiais Militares, Civic e até bombeiros criticam abertamente a medida por meio de grupos no WhatsApp, onde manifestam preocupações ininteligíveis do tipo 'vai dá ruim', 'abre o olho, primo' e 'o negócio lá vai babá'.

Faz parte da cultura do Rio e do Brasil a convivência com a corrupção policial. O problema não são os pequenos casos envolvendo 'aquela cervejinha' para aliviar uma multa, mas os casos que nunca vêm à tona envolvendo a cobertura para ladrões de cargas, participação em milícias e até mesmo casos de parceria entre oficiais e traficantes. O crime organizado no Rio pode ser a maior fonte de receitas das polícias do estado. Há vários casos de queima de arquivo de testemunhas e até mesmo de criminosos presos em outros estados que se aventuraram a falar sobre o assunto. Obviamente, assim como em qualquer grupo ou corporação, a maior parte dos Policiais do Rio é formada por homens honestos, cumpridores de seus deveres, mas mesmo estes costuma se recusar a comentar irregularidades que presenciam em seu dia a dia. Normalmente, estes policiais são favoráveis à intervenção na Segurança do Estado.

Todos se lembram da tentativa de policiais militares que tentaram impedir a prisão do traficante Nem da Rocinha. A Polícia Federal e a Corregedoria da Polícia Civil se comprometeram a investigar as circunstâncias da presença dos três policiais no local da prisão, mas o caso acabou não dando em nada. Segundo informações que circularam na época, as ordens para deixar o caso de lado partiram da alta cúpula da PM.

Em outubro do ano passado, o ministro da Justiça, Torquato Jardim chegou a vazar informações da inteligência sobre a atuação de oficiais da PM no crime organizado no Rio, quando afirmou em entrevista que "Os comandantes de batalhão passam a ter influência. Não tem um chefão para controlar. Cada um vai ficar dono do seu pedaço. Hoje, os comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio — disse o ministro. Ciente de que o crime organizado se infiltrou na administração pública e nas forças policiais do estado do Rio, o presidente Michel Temer retirou a gestão da Segurança Pública das mãos do governador e entregou a um General do Exército, que foi incumbido da tarefa de investigar a estrutura do crime com eventual participação de representantes do Estado. O ministro da Defesa, Raul Jungmann confirmou que o interventor deve afastar policiais e comandantes de batalhões envolvidos com o crime organizado.

De fato, setores das Polícias Militar e Civil no Rio criticam abertamente a intervenção decretada pelo presidente Michel Temer.

O coronel Robson Rodrigues da Silva, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio não escondeu seu descontentamento em entrevista ao O GLOBO:

— Sou totalmente contrário. Você não esgotou todos os recursos. É uma medida excepcionalíssima. Qual foi o esgotamento? Você não esgotou todos todos os recursos dos entes federativos e já lança mão de uma medida excepcionalíssima? Quando você pede a intervenção é porque se rendeu. Mas por quê? Incompetência? Má gestão? Falta de capacidade gerencial? Qual o maior esforço feito pelas forças policiais hoje? Normalmente, é o crime do tráfico de drogas. Legalmente, é uma atribuição do governo federal. Poderia ter, por exemplo, uma força tarefa da PF para o Rio — afirma o coronel, que também atuou como coordenador Geral das Unidades de Polícia Pacificadora (CPP).

— Há estados que têm situação tão ruim quanto o Rio. Isso passará a ser norma? Temos que avaliar outros objetivos ou outras razões porque estamos num ano eleitoral. Ainda estamos num estado democrático de Direito, então precisam passar informação à população, a principal interessada. Já vimos que o Exército em outras ações não resolveu muita coisa. Não precisaria de uma intervenção para o governo federal agir. É estranho que o próprio governador peça porque o normal seria o governador se colocar numa posição refratária. Isso decreta a falência da sua gestão.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol), inspetor Marcio Garcia, a intervenção não resolverá o problema da segurança:

— Essa intervenção é mais uma medida paliativa que não ataca as causas do problema, pois continuamos insistindo no mesmo modelo falido de segurança adotado no Brasil.

— As Forças Armadas só vão reforçar a lógica da aniquilação, com militares que não estão preparados para atender a segurança pública num ambiente civil, mas que estão treinados para a guerra e para destruir o inimigo.

A Associação de Bombeiros Militares do Rio de Janeiro também criticou a decisão. A entidade acredita que a decisão é uma cortina de fumaça para as dificuldades enfrentadas pelo governo federal para aprovar a reforma da Previdência.

— Se for haver intervenção federal na segurança, haverá investimento em armamentos, salários, inteligência dos entes da Segurança? A visão da associação é que temos a impressão de que essa intervenção anunciada faltando dez meses do encerramento do governo vem como cortina de fumaça para a possível derrota da reforma da Previdência no Congresso. Além da votação da reforma da Previdência, há uma preocupação de que seja uma tentativa do governo federal junto com o estadual de assumir uma pauta popular, já que a segurança fica sempre em primeiro lugar das preocupações da populaçao — diz o presidente da associação de bombeiros, Mesac Eflaín.

O ex-comandante-geral da PM do Rio, coronel Ubiratan Angeloa afirmou em entrevista que a medida como desconfortável para as cúpulas policiais fluminenses. “Qualquer intervenção gera desconforto. Imagina um cara entrar na sua casa e dizer que a gestão da sua casa agora é com ele”, compara.

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