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A lorota sobre a guarda das fronteiras do Brasil. Estados Unidos tem fronteiras menores, com apenas dois países e não consegue conter entrada de drogas e imigrantes



Em época de campanha eleitoral, prosperam as conversas absurdas e soluções fáceis para problemas insolúveis até mesmo para as grandes potências mundiais. É claro que a demagogia prospera não apenas entre os políticos em campanha, mas também entre seus apoiadores na imprensa e na internet, que fingem ignorar absurdos em nome de uma conveniência irracional.

Entre as propostas absurdas, está o tão propalado controle de fronteiras do país, como se os experientes narcotraficantes e comerciantes internacionais de armas fossem tolos o suficiente para usarem as rotas tradicionais como estradas, pontes e trechos manjados de fronteira.

Quando o transporte de drogas e armas ocorre por meio de rotas convencionais de fronteira, todos os envolvidos na vigilância já foram previamente comprados e estão cientes sobre o que vai entrar, em que veículo, que horas, etc. Alguns ainda fornecem escolta até determinados pontos do país. Mas na maioria dos casos, o transporte de drogas, armas e munições é feito por meio de aviões voando baixo para evitar os radares ou por meio de pontos cegos ao longo de nada menos que 15.735 km fronteiras terrestres e  7.367 km marítimas.

 Para se ter uma ideia, a fronteira dos Estados Unidos com o México possui apenas 3.144 km. Mesmo com todos os satélites, sistemas de vigilância inteligente, sensores de calor e movimento monitorados por Câmeras espalhados ao longo do deserto, centenas de drones de última geração, os EUA não conseguem conter a entrada de drogas, armas e imigrantes ilegais.  Assassinos mexicanos cruzam a fronteira quando bem entendem para eliminar parceiros em território americano.

No caso do Brasil, apenas a fronteira com a Bolívia possui 3 403 km. São 2 659 km de fronteira com o Peru, 2 137 km com a Venezuela, 1 790 km com a Colômbia e por ai vai. As dimensões continentais do país tornam impossível qualquer controle efetivo de fronteira. Nenhum dos oportunistas que pregam este tipo de controle faz as contas de quantos homens seriam necessários para cobrir 15.735 km fronteiras, nem quanto dinheiro seria necessário para alimentar, abrigar e transportar tanta gente. Supondo que um homem consiga cobrir 200 metros de fronteira, seria necessário o emprego de 15 homens para cobrir apenas 1 km de fronteira, considerando os três turnos de vigilância. A conta começa a ficar mais complicada quando se leva em conta de que seria necessário criar uma estrutura mínima de vigilância, incluindo um posto de observação dispondo de comunicação, energia, víveres e veículos. Seria possível vislumbrar do espaço os mais 60 mil postos avançados de vigilância das fronteiras brasileiras, diligentemente vigiados por um contingente de mais de 60 mil homens, sem contar os oficiais superiores, centros de comando, etc, durante 24 horas por dia a um custo diário de mais de R$ 5 milhões.

Este tipo de vigilância não existe em absolutamente nenhum país do mundo, exceto na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que tem apenas 238 km. Nenhuma nação do mundo foi até hoje capaz de mobilizar uma operação militar permanente envolvendo um número de homens tão elevado por razões para lá de óbvias. A falácia sobre a vigilância de fronteiras continentais como as do Brasil não fazem o menor sentido. Exceto na mente de pessoas desinformadas e na de pessoas mal-intencionadas.

O combate ao tráfico de armas e drogas nas estradas é efetivo, mas não consegue conter o fluxo controlado por especialistas em trazer para dentro do país o que bem entendem. O controle de fronteiras retém apenas o varejo do negócio e quando ocorrem grandes apreensões, a maioria se dá graças à denúncias anônimas. Boa parte feita pelos próprios players concorrentes do tráfico internacional. O combate efetivo ao crime organizado deve se dar também em outras frentes, como o combate ao consumo de drogas e a asfixia das facções em suas áreas de atuação.

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