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A intervenção de Temer tira o sono da oposição. Razões para preocupações vão além do possível êxito da iniciativa



Embora a intervenção federal no Rio de Janeiro seja tecnicamente uma iniciativa de Estado que visa restaurar a ordem pública, a exemplo de outras inciativas similares, como a do ex-presidente americano Ronald Reagan no estado da Flórida, políticos da oposição tentam taxar a iniciativa como sendo algo de cunho eleitoreiro.

Obviamente, qualquer ação de governo pode ser classificada desta forma, assim como ocorreu com o Plano Real, o Bolsa Família e outras tantas ações de governos no passado. O ex-presidente Lula chegou a se queixar que Temer trocou uma media que tinha 80% de reprovação popular, a reforma da Previdência, por outra com 80% de aprovação, no caso, a intervenção.

O que ninguém assume ainda até este ponto, embora muitos torçam para isso, é que a intervenção possa fracassar. Tendo em vista o pânico da oposição em relação ao decreto, depreende-se que todos ficaram surpresos com a habilidade de Temer em realizar uma intervenção federal 'militarizada', rompendo o pacto federativo ao tomar as atribuições de Segurança Pública de um ente federativo para si, sem ferir a Constituição. O deputado Jair Bolsonaro foi um dos opositores ao governo que mais saiu do sério com o decreto presidencial. O parlamentar que é pré-candidato à Presidência recorreu à suas prerrogativas de foro privilegiado para afirmar que Temer “já roubou muita coisa, meu discurso ele não vai roubar, não”. Incomodado com a repercussão do decreto, o próprio Lula elogiou a fala de Bolsonaro. Não é por acaso que o parlamentar já se pronunciou contra o fim do foro privilegiado. Sem esta prerrogativa, sentiria o corte rápido da faca Tramontina da Justiça comum, pois teria que provar que Temer roubou alguma coisa, algo que nem os setores da Polícia Federal e do MPF bolivarianos conseguiram até o momento.


O desespero da oposição pode até ser descabido, já que o próprio presidente declarou esta semana ao jornalista José Luiz Datena que não pretende se candidatar à Presidência. Temer lembrou que é um homem feliz com suas realizações e enumerou alguns de seus feitos ao longo de sua carreira, como as três vezes que ocupou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, as três vezes que presidiu a Câmara dos Deputados em Brasília e, obviamente, a Presidência da República, propriamente dita.

Mas a irritação dos opositores ao governo tem outras razões menos nobres. Ao decretar a intervenção no Rio, o nome de Temer passou a ser o mais comentado nas Redes Sociais de acordo com um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). Isto em pleno ano eleitoral é péssimo para quem precisa sedimentar seu nome de forma mais consistente junto ao eleitorado. Sair da pauta da imprensa e das Redes Sociais à esta altura do campeonato é um péssimo negócio.

Graças ao seu protagonismo  Temer o volume de menções no Twitter em comparação com o ex-presidente Lula e com Bolsonaro. Enquanto Temer foi citado 439.634 vezes de 15 a 21 de fevereiro, Lula recebeu 330.949 menções e Bolsonaro, 289.737.

Na associação específica sobre segurança pública, Temer teve 123.685 menções a seu nome no período, enquanto Bolsonaro, que geralmente ocupa o protagonismo do tema, recebeu apenas 57.191 citações, menos da metade em relação ao presidente.

Segundo o Estadão, "A medida no Rio, destaca o relatório, fez aumentar também as discussões sobre uma possível candidatura do presidente. O tema eleições associado ao emedebista recebeu 145.706 interações no período, bem à frente de Lula (74.686) e Bolsonaro (74.116).

“O protagonismo de Temer fez com que o presidente superasse o volume de menções ao ex-presidente Lula e a Bolsonaro nas redes sociais ao longo da semana, apresentando-se em destaque entre os atores da corrida eleitoral de outubro”, diz o relatório. “O decreto recoloca Michel Temer no cenário eleitoral com pauta antes dominada por Jair Bolsonaro.”

Resta saber como será a repercussão da intervenção nos próximos dias nas Redes Sociais e na imprensa. Moradores de comunidades castigadas pelo crime organizado no Rio, como a Vila Kennedy, comemoram a chegada do Exercito. Um morador chegou a pedir autorização para um dos militares para soltar fogos de artifício. Um outro senhor cumprimentou os oficiais e afirmou que estava há semanas sem comprar pão por receio de circular na comunidade. Os moradores agradeceram aos militares pela 'Intervenção de Temer"

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