linkaki

Lula e petistas choram condenação no caso do triplex apenas para desviar foco de crimes mais graves que ainda serão julgados



Quem ainda se surpreende com o barulho que os petistas está fazendo sobre a condenação do ex-presidente Lula no caso do triplex pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) talvez não tenha se dado conta de que toda a choradeira tenha um propósito bem rasteiro.

Ao promoverem o espetáculo de de vitimização com a condenação do petista a uma pena de 12 anos e 1 mês em regime fechado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, Dilma, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e o próprio Lula tentam desviar o foco da população sobre as outras seis ações penais em que o petista já figura como réu.

Na verdade, a ação do triplex é uma que envolve crimes mais brandos do petista. Os julgamentos sobre crimes mais pesados ainda estão por vir. O próximo da lista a ser julgado na primeira instância pelo juiz Sérgio Moro é referente ao terreno do Instituto Lula e ao aluguel de um imóvel em São Bernardo do Campo (SP). O processo já passou da fase de interrogatório dos réus. Ainda faltam as alegações finais do Ministério Público Federal (MPF) e das defesas, mas o processo aguarda uma definição sobre a autenticidade dos recibos de aluguéis entregues pela defesa de Lula. É o processo mais adiantado contra o petista nas mãos de Moro.

Ainda no âmbito da Lava Jato, também em Curitiba, Lula deve enfrentar em breve o processo relativo ao caso do sítio em Atibaia, diga-se de passagem, um dos mais temidos por Lula e por seus aliados. Além do vastíssimo arsenal de provas, a ação penal deve contar com o depoimento do mesmo homem que praticamente colocou Lula na cadeia no caso do triplex: seu ex-amigo e ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. Em depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro, o empreiteiro confirmou, entre outras coisas, que Lula lhe pediu pessoalmente que cuidasse da reforma do “seu” sítio em Atibaia. A propriedade está registrada em nome de um sócio de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente.

Lula é acusado de ser o dono da propriedade rural que passou por reformas feitas pela Odebrecht e OAS. Tanto Léo Pinheiro quanto Marcelo Odebrecht, respectivamente responsáveis à época pelas duas empreiteiras, já se encarregaram de afundar Lula no processo. O caso ainda está na fase de oitiva de testemunhas de acusação e defesa, e deve demorar um pouco mais para chegar ao fim. Mesmo assim, Moro não costuma demorar para colocar um ponto final nos processos que correm em Curitiba e pode sentenciar o ex-presidente ainda neste ano.


Lula ainda é alvo de outros quatro processos na Justiça Federal de Brasília, envolvendo casos das operações Lava Jato e Zelotes. Os juízes responsáveis pelos casos são Vallisney de Souza Oliveira e Ricardo Leite, respectivamente titular e substituto da 10ª Vara Federal em Brasília.

O processo mais avançado é o de obstrução de Justiça no caso envolvendo a suposta compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A ação penal é conduzida por Ricardo Leite e o MPF pediu a absolvição de Lula no processo por falta de provas, além de pedir a anulação do acordo de colaboração premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido).

Também relacionado à Lava Jato, o processo da Operação Janus é o segundo da lista de mais adiantados. O MPF aponta que Lula atuou para liberar verba do BNDES em obra da Odebrecht em Angola.

Lula responde a outros dois processos, da Zelotes, em Brasília. O primeiro é sobre suposta aceitação de R$ 6 milhões em propina para favorecer montadoras na edição de uma medida provisória.

O segundo envolvendo Lula é sobre negociações que levaram a compra, pelo governo brasileiro, dos caças Gripen da sueca Saab. O petista também é acusado de atuar na renovação de uma medida provisória que favorecia montadoras de automóveis.

O desespero dos petistas em tentar acobertar as investigações contra Lula através da narrativa de que o criminoso condenado tem o direito de concorrer à eleição de 2018 é na verdade uma forma de tentar livrá-lo de futuras condenações.

Acompanhe abaixo a lista de processos nos quais Lula já se tornou réu:

 1 - Tráfico de influência (1ª instância)

Lula virou réu acusado por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O MPF aponta que Lula atuou para liberar verba do BNDES em obra da Odebrecht em Angola. Além de Lula, seu sobrinho Taiguara Rodrigues, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, e mais oito investigados também são acusados. Para que eles virem réus, a Justiça Federal de Brasília precisa aceitar a denúncia.

2 -  Obstrução de Justiça (1ª instância)

Lula responde por obstrução de Justiça e é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e tentar impedi-lo de firmar um acordo de colaboração premiada. Na mesma ação são réus o ex-senador Delcídio Amaral (que chegou a ser preso em exercício do mandato), o pecuarista José Carlos Bumlai, seu filho, Maurício Bumlai, o banqueiro André Santos Esteves, Diogo Ferreira Rodriguez, ex-assessor de Delcídio, e Edson Siqueira Ribeiro Filho, que atuou na defesa de Cerveró. O MPF pediu a absolvição do ex-presidente no processo e o cancelamento dos benefícios da delação de Delcídio Amaral.


3 - Tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa (1ª instância)

O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) denunciou o ex-presidente, seu filho, Luiz Cláudio Lula da Silva e mais duas pessoas por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação foi feita após investigações conduzidas no âmbito da Operação Zelotes. Lula e os acusados teriam atuado de forma criminosa nas negociações que levaram a compra, pelo governo brasileiro, de caças Gripen da sueca Saab, além de atuar na renovação de uma Medida Provisória que levou a prorrogação de benefícios fiscais concedidos a montadoras de automóveis.

4 - Terreno para o instituto (1ª instância)

Segundo a denúncia do MPF, entre 2010 e 2014, Marcelo Odebrecht prometeu uma propina no valor de R$ 12,4 milhões para o ex-presidente Lula, paga na forma da aquisição de um terreno para a construção de uma nova sede para o Instituto Lula. O MPF também denunciou Lula, Glaucos da Costamarques e Roberto Teixeira pela lavagem de dinheiro no valor de R$ 504 mil, realizado através da aquisição em favor de Lula de um apartamento em São Bernardo (SP). O imóvel foi mantido no nome de Glaucos, mas foi adquirido com recursos da Odebrecht por intermédio da DAG.

5 - Sítio em Atibaia (1ª instância)

Em Curitiba, o ex-presidente responde a mais um processo em andamento, referente ao sítio de Atibaia. O Ministério Público Federal (MPF) atribui a Lula a posse de um sítio, que estaria em nome de laranjas. Uma perícia da Polícia Federal (PF) no local só encontrou pertences pessoais da família do petista no local.

6 - Operação Zelotes (1ª instância)

Lula foi denunciado por corrupção passiva, pelo MPF do Distrito Federal, sob acusação de aceitar promessa para receber recursos ilegais em 2009, quando ainda ocupava a Presidência. Segundo a Procuradoria, Lula e seu então chefe de gabinete, o ex-ministro Gilberto Carvalho, aceitaram promessa de vantagem indevida de R$ 6 milhões para favorecer as montadoras MMC e Caoa na edição da medida provisória 471, de novembro de 2009.


 7 - Tríplex (2ª instância)

O ex-presidente foi condenado neste caso já na segunda instância no dia 24 de janeiro pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4), e foi devidamente enquadrado na Lei Ficha Limpa.

Além destas ações penais em que já figura como réu, Lula é alvo de processos investigatórios que apuram esquemas de corrupção internacional envolvendo repasses de recursos do BNDES ao exterior.

Informe seu Email para receber notícias :