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Lula delator. Petistas topam tudo para ver o grande líder livre



Desde a queda do PT do poder em 2016 com o impeachment da ex-presidente Dilma, petistas ilustres previam que a situação de muitos integrantes do partido perante a Justiça e a Lava Jato tenderia a se deteriorar. A previsão entre membros do partido era a de que a a indicação de um Ministro da Justiça linha dura, substituição no comando da Polícia Federal e a nomeação de um novo procurador-geral da República formariam um conjunto de fatores extremamente desfavoráveis no sentido de blindar membros do partido.

Mesmo reconhecendo que situação do ex-presidente Lula já era complicada àquela altura do campeonato, a aposta era a de que o ex-presidente se tornaria ainda mais vulnerável sem o controle do executivo. O petista chegou a enviar emissários para sondar os passos do presidente Michel Temer, mas as notícias de que não haveria qualquer interferência do governo na Lava Jato não foram nada animadoras.

Um desses interlocutores fez uma declaração que chocou a cúpula do partido durante reunião no diretório em São Paulo ao dizer que "Temer é o maior inimigo do PT e das esquerdas. Ele quer ver todos destruídos". Segundo o parlamentar, o presidente traçava planos de cortar repasses para ativistas, jornalistas e blogs controlados pelo PT, pretendia demitir mais de 20 mil ocupantes de cargos comissionados indicados pelo partido, banir repasses a movimentos sociais e até mesmo acabar com o imposto sindical obrigatório. Muitos dos presentes riram das ameças, que acabaram se confirmando com o passar dos primeiros meses de governo Temer

Segundo um dos altos dirigentes do partido, Temer estaria inclusive 'monitorando' os passos de ministros do STF. Segundo um destes ministros, o presidente costuma abordar membros da Corte com aquele seu 'jeitinho de advogado' constitucionalista, arrasta o interlocutor para debates acadêmicos apenas para criar constrangimentos em momentos de 'decisões difíceis'. Este policiamento de Temer seria o motivo do 'afastamento' dos ministros simpáticos ao PT das lideranças do partido. O presidente foi acusado de 'metido a enxadrista', vingativo e perseguidor da esquerda, segundo fontes, pelo próprio Lula.

O fato é que todos no partido reconhecem que, apesar de sua inépcia para conduzir os interesses do partido no ministério da Justiça e na Polícia Federal, a queda da presidente Dilma deixou os petistas mais vulneráveis. Janot teria feito sua parte blindando a turma que ficou sem foro privilegiado, poupando-os por algum tempo de embaraços com a força-tarefa de Curitiba. O problema é saber até quando...

A situação de  Lula, como já havia sido previsto em várias reuniões pós-impeachment, também tenderia a se complicar após o afastamento de Dilma. Os maiores temores acabaram se confirmando. O ex-presidente acabou condenado no caso do triplex e se tornou alvo de novas levas de denúncias comprometedoras. Diante da possibilidade de confirmação de sua condenação no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região agora em janeiro, a da defesa e os aliados do ex-presidente entendem que, caso Lula seja levado para Curitiba por um mandato de prisão temporária ou preventiva, dificilmente sairá de lá sem um acordo de delação.

Não há qualquer esperança de que o pedido de prescrição de seus crimes do petista seja acolhido pela Corte que julga os processos da Lava Jato na Segunda Instância. Por outro lado, todos no PT reconhecem que os eventuais embargos contra uma condenação não irão garantir muito tempo para Lula. Seja neste caso ou em outras ações penais, o consenso é o de que Lula será preso cedo ou tarde. Como o petista tem rechaçado a possibilidade de deixar o país definitivamente, a prisão tão temida se torna quase uma certeza.

Pessoas próximas do ex-presidente garantem que ele não suportaria ficar nem um mês na prisão e que faria logo um acordo de delação premiada. Segundo interlocutores, "Lula é uma pessoa prática, com capacidade de decidir rapidamente sobre as melhores alternativas, diante de situações adversas. Ele não é do tipo de pessoa que deixa de resolver logo uma situação quando sabe que há como ser resolvida".

Por outro lado, ex-presidente também é muito apegado ao convívio com a família e com amigos mais próximos. "Dificilmente iria se privar do conforto que dispõe para ficar dias e dias detido numa cela como o Vaccari. Lula é uma pessoa extremamente racional e se bobear, ainda tiraria vantagem de uma situação como esta", afirma uma pessoa bastante próxima da família do ex-presidente.

Ainda segundo interlocutores, antes de delatar qualquer novidade, Lula faria uma delação invertida, comprometendo um monte de delatores que ganharam a liberdade, mas omitiram uma série de fatos. 

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