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Defesa de Lula aconselha cautela e recomenda que o petista fique escondido até o final de seu julgamento



A defesa do ex-presidente Lula recomendou cautela ao petista em seus pronunciamentos públicos sobre o julgamento de seu recurso previsto para o dia 24 de janeiro no  Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Cauteloso, o petista aceitou os conselhos e deverá acompanhar de São Paulo o julgamento que definirá o seu destino político.

"A ida de Lula a Porto Alegre sempre esteve condicionada à possibilidade de ele ser ouvido no julgamento", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), ao lembrar que o pedido, feito pela defesa do ex-presidente, até agora não foi acatado pelo tribunal. "Não tem sentido ele ir lá e ficar olhando. As manifestações que estamos organizando na cidade serão de solidariedade e apoio, mas Lula não vai participar.", tentou justificar o petista.

Por mais que os dirigentes do PT tentem manipular a militância, alimentando a esperança dos petistas, todos no partido consideram a perspectiva da condenação de Lula pelo TRF-4. A insistência em tentar promover a defesa do petista no plano político tem outros objetivos, como o de criar uma narrativa para que candidatos do partido possam elaborar discursos em suas campanhas para cargos eletivos em 2018. Todos no partido sabem que se ex-presidente for mesmo condenado no caso do tríplex do Guarujá, em segunda instância, ficará inelegível pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. A luta agora consiste garantir que Lula permaneça na campanha deste ano para ajudar na eleição de outros candidatos do partido. Pelo menos até que todos os questionamentos (embargos) apresentados por seus advogados sejam analisados.

A estratégia do PT é eminentemente política e a insistência em manter o enfrentamento no palanque, em defender Lula e o partido, faz parte de uma estratégia para minimizar os estragos de ter um líder preso ou com uma tornozeleira eletrônica trancado em casa. Em um cenário de condenação final, a candidatura do ex-presidente deve ser impugnada, mas o cálculo dos petistas é que, até isso ocorrer, ele conseguirá passar a ideia de "perseguição política" para fornecer uma narrativa aos que se arriscarem a concorrer a cargos pelo PT nas próximas eleições.

A cúpula do PT tenta vender a ideia de que se Lula for impedido de concorrer e sua prisão for decretada, ele virará "mártir", o que será importante para aproveitá-lo como cabo eleitoral. Embora oficialmente todos os dirigentes do partido digam que não há um Plano B para o caso de o ex-presidente não poder disputar, as negociações em torno de um nome para sucedê-lo na disputa estão ocorrendo em ritmo frenético nos bastidores do partido.

Ex-ministro da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, Wagner é o mais cotado para substituir Lula na chapa, até mesmo pelo fato de ser do Nordeste. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad vai coordenar o programa de governo  do PT e deve concorrer ao Senado.


A situação deve ser definida logo após a divulgação do acórdão relativo ao julgamento do TRF-4, quando Lula deve mudar seu discurso de desafiar a Justiça e ressuscitar o velho 'Lulinha paz e amor". A mudança no comportamento do petista e do partido tem como objetivo não provocar as autoridades, que podem determinar penas como a prisão, reclusão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica. Tudo isso será definido já no próximo dia 25, quando a Executiva Nacional do PT vai se reunir, em São Paulo, para reavaliar as estratégias a serem adotadas após a divulgação do resultado do julgamento.

Até lá,  Lula deve ficar entocado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), entidade que foi comandada por ele de 1975 a 1981, no Instituto Lula ou em seu apartamento de São Bernardo.

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