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Bolsonaro se irrita com escândalo do auxílio-moradia e diz que pretende abrir mão do benefício em 2018



Irritado com o vazamento da informação de que recebia  auxílio-moradia, mesmo possuindo um apartamento em Brasília, o deputado Jair Bolsonaro concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo, na qual admitiu que pretende abrir mão do benefício este ano.


Folha - O senhor falou em um vídeo no Facebook na noite de quarta que está pensando em abrir mão do auxílio-moradia e vender seu apartamento.

Bolsonaro - Sim, olha só. O que eu devo fazer? Chegando lá em janeiro, acabando o recesso [parlamentar], vou pedir o apartamento funcional, inclusive tem mais ou menos 60m2 o meu apartamento, vou passar para um de 200m2, espero que pegue com hidromassagem, ok? Eu vou morar numa mansão, não vou pagar segurança, não vou pagar IPTU, no meu eu pago, não vou pagar condomínio, no meu eu pago, eu vou ter paz.

O deputado omitiu o fato de que, morando ou não em um apartamento funcional, as despesas da União com a manutenção dos imóveis é praticamente a mesma. Na prática, fica mais barato para o contribuinte que um parlamentar ocupe um apartamento funcional do que receber o auxílio-moradia. Por outro lado, terá que continuar pagando despesas como IPTU e condomínio de seu outro apartamento em Brasília, a não ser que alugue ou venda o imóvel.

Folha - O senhor utilizou, em algum momento, o dinheiro que recebia de auxílio-moradia para pagar esse apartamento?

Bolsonaro - Como eu estava solteiro naquela época, esse dinheiro de auxílio moradia eu usava pra comer gente, tá satisfeita agora ou não? Você tá satisfeita agora?

Folha - Eu estou satisfeita pelo senhor dar uma resposta.

Bolsonaro - Porque essa é a resposta que você merece. É a resposta que você merece (…) O dinheiro que entra do auxílio-moradia eu dormia em hotel, eu dormia em casa de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver mil, tem cabimento isso?”, indagou o parlamentar indignado por ter sido cobrado a prestar contas sobre o que faz com o dinheiro do contribuinte.

Mesmo sendo dono de um apartamento em Brasília, Bolsonaro recebe auxílio-moradia de R$ 3.083 da Câmara. O presidenciável possui um imóvel de dois quartos na capital federal desde 1998 e recebe o benefício desde 1995. Neste cenário, Bolsonaro tem sido questionado sobre a tênue linha que separa o que é legal do que é imoral, do que é lícito do que é antiético.

Os questionamento da reportagem fazem sentido, uma vez que o auxílio-moradia é pago a deputados que não ocupam apartamentos funcionais em Brasília. O pagamento pode ser feito por meio de reembolso, para quem apresenta recibo de aluguel ou de gasto com hotel em Brasília; ou em espécie, sem necessidade de apresentação de qualquer recibo, mas nesse caso com desconto de 27,5% relativo a Imposto de Renda. Bolsonaro optou por essa segunda opção, se desobrigando a prestar contas do que faz com o dinheiro que recebe.

Não há como ignorar que este tipo de conduta traga algum desconforto para o parlamentar que ostenta a bandeira da moralidade na política. Trata-se ainda de uma notícia que não pode sequer ser encarada como perseguição política, já que se trata da conduta de um homem público. Embora a imprensa tenha o dever de informar, alguns entusiastas da candidatura do parlamentar costumam encarar este tipo de informação como campanhas difamatórias. 

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