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A fuga de Janot em meio a inquérito aberto pela PF a pedido do STF levanta suspeitas



A viagem marcada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot para os próximos dias para Bogotá, capital da Colômbia, onde pretende passar cinco meses dando um curso na Universidade dos Andes sobre técnicas de investigação, tem levantado uma série de suspeitas.

Janot tentou fugir de um pedido de depoimento feito pela Polícia Federal na semana passada, mas acabou desistindo de viajar sem antes depor à PF. O ex-procurador-geral foi ouvido por três horas e meia nesta segunda-feira (15) no inquérito que investiga conversa de delatores da empresa J&F Joesley Batista e Ricardo Saud sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Janot se recusou a comparecer na sede da Polícia Federal e pediu para depor em seu gabinete na PGR.

Esse inquérito foi aberto a pedido da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Nele é investigado ex-procurador Marcelo Miller, suspeito de auxiliar executivos da J&F em termos da delação premiada quando ainda era procurador.

Há poucos meses, o Brasil foi testemunha de um triste espetáculo de corrupção, cinismo e impunidade neste triste episódio envolvendo Janot, seu auxiliar direto Marcelo Miller e os açougueiros criminosos da JBS.

Na esteira da cultura de crimes de corrupção que varreram o país durante as administrações petistas de Lula e Dilma, os crimes envolvendo os membros da PGR, os donos da JBS e o próprio Lula ainda permanecem impunes, a exemplo de vários outros.

A sensação vaga de que a Justiça começou a ser feita com a prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud é apenas uma ilusão criada por parte dos envolvidos para enganar a população e diminuir o clamor por punições mais severas.

Os rastros dos crimes estão bastante claros e envolvem interesses espúrios nas esferas políticas, econômicas e ideológicas. Joesley Batista e seus executivos prosperaram durante os governos de Lula e Dilma, obtendo acesso a mais de R$ 50 bilhões do dinheiro do contribuinte no BNDES. Usaram parte destes valores para financiar eleições de aliados e até mesmo interferir na escolha de ministros do STF com o intuito de fortalecer cada vez mais e mais a organização criminosa que tornou possível a ascensão da JBS.

Na prática, aqueles que figuram como favorecedores da trama criminosa continuam soltos. O ex-braço direito de Janot, que participou da elaboração das manobras para enganar a população e aprovar o acordo de delação da JBS, conseguiu se livrar da prisão. Sua impunidade foi garantida pelo providencial entendimento do mesmo sujeito que homologou o vergonhoso acordo de delação, o ministro do STF, Edson Fachin, que não viu necessidade de decretar sua prisão.

Enquanto Fachin se desdobrava para explicar a impunidade de um membro da PGR que conspirou contra os interesses dos brasileiros, um outro membro mais ilustre, o próprio Janot, se reunia em um boteco sujo de Brasília com o advogado de Joesley Batista, antes que a PF fosse comunicada oficialmente dos pedidos de prisões contra o dono da JBS e seu diretor Ricardo Saud. Este encontro certamente pode ter fornecido aos criminosos tempo hábil para destruir provas, forjar evidências e combinar versões com outros envolvidos no esquema da PGR.

Para evitar novos mandatos de busca e apreensão em suas residências e escritórios, Joesley Batista e Ricardo Saud negociaram se entregar para a Polícia Federal. Os dois contavam com a recomendação do próprio ministro Edson Fachin, para que os dois fossem presos de forma 'discreta', sem algemas e sem alarde.

O fato é que Janot e Fachin burlaram a Lei de Delação Premiada, que veta benefícios a chefes de organização criminosa, como é o caso de Joesley Batista. O açougueiro confessou ter corrompido mais de 1800 políticos de diversos partidos para defender interesses de seu grupo empresarial.

A viagem de Janot em meio a tantas investigações e suspeitas inexplicadas é um indício de que há muita sujeira por trás do acordo que firmou com criminosos contumazes.

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