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Quem acredita que Moro vai decepcionar o país?



O juiz Sérgio Moro se tornou um dos homens mais respeitados do país em tão pouco tempo justamente por levantar uma bandeira que representa os anseios de toda a sociedade: o combate à corrupção e aos crimes do colarinho branco. O magistrado é reconhecido mundialmente como uma das maiores autoridades sobre crimes de lavagem de dinheiro e o modus operandi de organizações criminosas. Foi o primeiro juiz do Brasil a celebrar um acordo de delação premiada

Moro não ignora que o ex-presidente Lula, por mérito próprio, se tornou o maior símbolo da corrupção no país ao longo das últimas décadas. Não é por obra do acaso que Lula é o alvo mais importante de toda a Operação Lava Jato. O petista, alvo de nove processos, e réu em nada menos que sete ações penais, além da denúncia parada no STF, que o aponta como o chefe da organização criminosa que vitimou a Petrobras.

No intrincado submundo dos crimes de desvios dos cofres públicos desvendados pela maior investigação sobre corrupção do país, a Lava Jato descobriu, prendeu e condenou mais de 100 criminosos; Todos envolvidos nos mais diferentes tipos de crimes, que vão desde o roubo propriamente dito, até a lavagem do dinheiro obtido de forma criminosa por agentes públicos, empresários e políticos. Não é por acaso que praticamente todos os condenados, entre doleiros, empreiteiros e tesoureiros de partido apontaram para a figura central do ex-presidente Lula como mandante, cúmplice e beneficiário, junto com seu partido, da maioria das operações criminosas. O ex-presidente é citado como protagonista em mais de 400 eventos envolvendo crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Por outro lado, o juiz Sérgio Moro corroborou todo o esforço da Polícia Federal, dos peritos, auditores da Receita Federal e dos membros do Ministério Publico Federal que compõem a famosa força-tarefa da Operação Lava Jato. Em suas falas, o magistrado exaltou o esforço hercúleo de milhares de envolvidos nas investigações que tentam desvendar o mundo secreto e sofisticado do crime organizado especializado em sangrar os cofres públicos.

Ao longo de mais de três anos de investigações, Moro se comprometeu centenas de vezes a levar adiante o ideal da Justiça de punir exemplarmente os criminosos descobertos. Zeloso com as provas e indícios criminais, o magistrado conseguiu colocar atrás das grades gente poderosa e BILIONÁRIA, como os empreiteiros Marcelo Odebrecht, Otávio Marques de Azevedo, Dario de Queiroz Galvão Filh e Léo Pinheiro. Moro condenou pessoas poderosas como Eduardo Cunha (PMDB), o ex-ministro Antonio Palocci (PT), João Vaccari Neto (PT), André Vargas (PT),  o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, Aldemir Bendine (PT), José Dirceu (PT), Delúbio Soares (PT), entre outros. Confira a lista de condenados e seus respectivos crimes clicando AQUI.

O ex-presidente Lula representa a figura central em praticamente todos os crimes investigados na Lava Jato. Os crimes envolvendo desvios bilionários ocorreram durante seu governo, que beneficiaram a ele próprio e o seu partido e foram praticado por pessoas de suas relações, como é o caso da maioria dos criminoso condenados. Embora o petista tenha se cercado de cuidados para não ser diretamente envolvido nos crimes cometidos com sua anuência, Lula recorreu a métodos clássicos de lavagem de dinheiro adotados por criminosos para ocultar patrimônio e benefícios, diretos e indiretos. Não é por acaso que o petista já foi condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso relativo ao triplex do Guarujá.

Lula terá seu primeiro recurso julgado na Segunda Instância em 24 de janeiro de 2018. Na oportunidade, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região vão decidir se discordam ou não da sentença imposta ao petista pelo juiz Sérgio Moro. Caso os membros da 8ª Turma da Corte, João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus, decidam por unanimidade sobre a condenação de Lula, o próprio TRF-4 ou o juiz Sérgio Moro poderão decretar a prisão do petista, ao término de um único recurso cabível neste caso.

Como se pode ver, a questão não tem qualquer relação com a possibilidade de Moro decepcionar ou não o país. Trata-se apenas de uma questão de Justiça na qual o ex-presidente Lula, a exemplo de qualquer outro cidadão que tenha cometido ilícitos, teve amplo acesso a sua defesa, dispôs de acompanhamento jurídico, político e midiático em todas as etapas do processo e está sujeito, assim como qualquer cidadão, a ser condenado e preso por seus crimes. Em estrita observância ao que diz a Lei, Sérgio Moro cumpre seu papel como representante da Justiça e respeitando todo o processo legal. Caso decrete a prisão de Lula, o fará com todo o amparo legal previsto no Código de Processo Penal e na Constituição Federal.

Durante toda a Lava Jato, Moro foi diligente, não negligenciou seus atos de ofício e não se furtou de sua responsabilidade diante da maior investigação criminal do país. Justamente por esta natureza da Lava Jato, e por envolver autoridades poderosas do mais alto nível, o magistrado se viu envolvido por narrativas maquiavélicas, campanhas de difamação e provocações de toda sorte. Apesar dos ataques insidiosos, o magistrado conseguiu manter a discrição e a humildade. Determinado, não recuou de suas convicções mesmo em momentos críticos, como na ocasião em que determinou a condução coercitiva de Lula ou durante o episódio em que tornou pública uma gravação na qual a ex-presidente Dilma tramava nomear Lula ministro para garantir ao petista o foro privilegiado. O juiz foi cobrado por suas decisões 'polemizadas' pela turma do deixa disso, mas defendeu suas iniciativas com honra e firmeza, sem nunca perder de vista o norte de seu trabalho.

Por ironia do destino, obra do acaso ou puro azar, foi nas mãos de Sérgio Moro que Lula foi parar. Além a ação penal em que já foi condenado, o petista tem ainda pela frente quase uma dezena de processos que certamente vão resultar em novas condenações. Todo este espetáculo protagonizado por Lula diante da possibilidade de ser condenado em Segunda Instância em janeiro e se tornar inelegível não faz qualquer sentido. É muito barulho por nada diante de sua flagrante condição de criminoso. 

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