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Polícia Federal aguarda confirmação do STF sobre poder fechar delação. Acordo com Marcos Valério cita assassinato de Celso Daniel



Um alerta soou no PT após a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ter reconhecido a possibilidade de a Polícia Federal negociar e celebrar acordos de delação premiada. O julgamento da questão teve início esta semana e entre os 11 ministros da Corte, seis votaram dessa favoráveis ao entendimento de que a PF pode firmar acordos de delação: Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Dias Toffoli.

A preocupação do ex-presidente Lula e do PT diz tem a cer com o fato de que o publicitário Marcos Valério já vem negociando sua delação premiada com a Polícia Federal, três promotores de Minas Gerais e dois procuradores da República. Em suas tratativas atuais, Valério confirmou que pouco antes do assassinato, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel pretendia entregar um dossiê para a Polícia Federal. O documento citava o envolvendo petistas com o crime organizado. Marcos Valério está desconfiado que o MPF tenta blindar Lula, pois vem tentando uma cordo sem sucesso há mais de três anos. Agora, o publicitário afirma que negocia apenas com aPolícia Federal. O publicitário disse que o empresário Ronan Maria Pinto exigia 6 milhões de reais para não divulgar informações relacionadas ao caso Santo André, envolvendo o presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o então assessor particular Gilberto Carvalho.

Marcos Valério diz agora que quer  esclarecer todos detalhes da chantagem. Pelo menos foi o que ele garantiu à deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que colheu um longo depoimento do publicitário: “O Valério me disse que Ronan ia apontar  o ex-presidente Lula como mentor do assassinato do Celso Daniel”, disse a deputada. Segundo ela, Valério garantiu ter as provas da chantagem.

A primeira conversa de Valério com a deputada foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André,  tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato.  No dia 3 de abril, Mara enviou um ofício ao procurador de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime.

“Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel”, escreveu a deputada. Para ela, o depoimento de Valério pode ajudar a desvendar o crime.

Como já era de se esperar, apenas o ministro Edson Fachin, o eterno parceiro de Janto, votou contra a possibilidade de a PF celebrar o acordos de delação.

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