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Os grandes feitos de Bolsonaro: Não estupraria Maria do Rosário, exaltou Ustra e levou uma cusparada de Jean Wyllys



Até bem pouco tempo, o deputado Jair Bolsonaro era um ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros. Parlamentar de atuação tímida, aprovou apenas dois projetos ao longo de 26 anos de Congresso.  O primeiro foi um apêndice do projeto original do Deputado Dr. Grilo (PSL-MG), que previa a isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática. O projeto de Bolsonaro foi o de estender a isenção por mais algum tempo. O  e outro que autorizava o uso da chamada “pílula do câncer” – a fosfoetanolamina sintética.

Embora seja um deputado ativo no Congresso e tenha apresentado 171 projetos de lei, de lei complementar, de decreto de legislativo e propostas de emenda à Constituição (PECs) ao longo de quase três décadas como parlamentar, o fato de ter aprovado apenas dois projetos indica uma certa falta de conexão com os grandes interesses nacionais. No início da década de 1990, seu foco era atender aos interesses de militares, sua primeira base eleitoral. 53 dos projetos que apresentou foram focados na área militar. Em 26 anos como parlamentar, Bolsonaro apresentou apenas 10 projetos na área de saúde, 8 na área econômica e apenas 1 na área de educação.

Embora se apresente como um candidato de direita, Bolsonaro votou com o PT em temas econômicos durante o segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso (1999-2002) e todo o governo Lula (2003-2010). Um levantamento do histórico de votos do deputado mostra a coincidência de posicionamentos com o partido de Lula e Dilma.

"Compilando o texto das ementas dos projetos em que Bolsonaro e PT votaram igual entre 1999 e 2010, nota-se um predomínio de temas associados à Nova Matriz Econômica –visão intervencionista da economia levada a cabo pelo PT", observa Bruno Carazza, autor do lecvantamento.

"Bolsonaro concordou com o PT nas votações de projetos que tratavam de concessões de benefícios para o setor privado, como incentivos tributários, parcelamentos de débitos, créditos orçamentários, fundos, financiamentos, subvenções etc. Uma pauta bem distante de políticas econômicas horizontais e não intervencionistas, portanto." Nada disso é surpreendente, levando em conta que o deputado votou em Lula para presidente da República no segundo turno de 2002. Errar é humano. Durante discurso, Bolsonaro chegou a aconselhar o ex-presidente a compor seu ministério com nomes de notáveis: "Espero que o companheiro Lula, já que está na moda falar assim, consulte os quadros do PT, do PCdoB e de outros partidos para fazer suas escolhas”, sugeriu o deputado.

Mas a partir de 2014, Bolsonaro soube aproveitar a onda da insatisfação popular com o PT e com a esquerda brasileira. O deputado foi condenado a indenizar a deputada (PT-RS) por danos morais em fato ocorrido em 2014, por ter dito que não a estupraria porque ela "não merece". Os dois vá haviam tido em desentendimento anterior ao fato, como pode ser visto no vídeo abaixo:





O fato é que esta confusão acabou projetando Bolsonaro entre os eleitores mais conservadores e ferrenhos críticos da esquerda. No lugar de reconhecer que possa ter se exaltado com a colega, Bolsonaro preferiu capitalizar com a polêmica para angariar simpatia dos anti-petistas.

Como o país já havia sido contagiado pela empolgação do combate à corrupção desencadeado pela Operação Lava Jato e as descobertas de milhares de esquemas criminosos durante a era petista, o parlamentar entendeu que aquele era o momento de abandonar o barco se tornou um crítico ferrenho do ex-presidente Lula e do PT.

Em mais uma jogada de marketing espetacular, Bolsonaro resolveu homenagear o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de repressão do regime militar. O momento para criar a polêmica não poderia ter sido mais oportuno: durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, acompanhado por milhões de brasileiros.

Bolsonaro sabia que a inclusão do nome de Ustra em seu voto pelo impeachemnt geraria polêmica e teria grande repercussão na imprensa. Acompanhe o voto do deputado naquele 17 de maio de 2016:





Após declarar seu voto, Bolsonaro foi para a galera, pois sabia que se tornaria notícia em toda a imprensa e que aquele voto polêmico agradaria a um outro público crescente no Brasil: os defensores da intervenção militar, um público ignorado por todos os políticos que entendem que não há democracia fora da política.

Mas a jogada de meste ainda renderia um outro fato ainda mais marcante naquele dia de votação. Agraciado com uma ironia do destino, Bolsonaro levou uma cusparada do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). O deputado do PSC soube capitalizar ainda mais com o episódio, ciente que Jean Wyllys é um parlamentar que provoca verdadeira repulsa nos conservadores. Acompanhe no vídeo abaixo novamente a votação de Bolsonaro, a declaração de amor ao coronel Ustra, a cusparada de Jean Wyllys e o vídeo em que comentou a cusparada que levou do deputado do PSOL:






Este foram notadamente os maiores feitos do deputado Jair Bolsonaro em termos de marketing político nos últimos anos. Graças a Maria do Rosário, o coronel Ustra e o deputado Jean Wyllys, o deputado figura agora entre os favoritos na disputa pela Presidência em 2018. Pesquisas informais apontam que a maioria dos eleitores do Bolsonaro são ex-simpatizantes e fanáticos pelo ex-presidente Lula. Seu estilo populista, sua língua afiada e sua sensibilidade em captar a insatisfação popular contemporânea são traços que o aproximam da figura do líder petista e explica a migração de simpatizantes de um político para outro. Explica ainda o fato da maioria dos eleitores de Bolsonaro serem tão fanáticos e vigorosos, assim como eram quando defendiam com unhas e dentes o ex-presidente Lula.

Assim como não era possível debater com um lulista, hoje em dia é praticamente impossível dialogar com um bolsonarista, mais conhecidos como "Os bolsominions". Qualquer pessoa que discorda deles é taxada de comunista, defensora de corruptos, amantes da esquerda e do Fórum de São Paulo. A imposição tirânica de reduzir qualquer proposição em torno do debate em torno de ideias é algo bastante peculiar entre os defensores do mito, assim como era nos tempos dos defensores de Lula. "Os bolsominions" são tão belicosos, intolerantes com a liberdade de expressão de qualquer coisa que vá contra sua visão política, que as pessoas passaram a ter medo de compartilhar ou comentar matérias com críticas ao mito nas redes sociais.

Os simpatizantes de Bolsonaro costumam ser hostis e demonstram pouca articulação para o confronto de idias. Frustrados com o país em que vivem, acreditam piamente que o mito vai acabar com a criminalidade, com os comunistas nas universidades e com as manifestações dos grupos LGBTs. Acreditam ainda que Bolsonaro é um novo Dolnald Trump, só que sem o talento do americano que se tornou bilionário graças ao tino comercial. O próprio Bolsonaro se compara a Trump e costuma chamar qualquer representante da imprensa que não concorde com ele de canalhas. Estes são os calcanhares de aquiles do mito: ele próprio e seus simpatizantes.

Bolsonaro representa uma esperança para estes eleitores pelo fato de não estar envolvido em nenhum esquema de corrupção, ao contrário do que ocorre com outros políticos. Assim como qualquer cidadão, tem todo o direito de concorrer e vender as eleições, até mesmo muito mais que outros adversários enlameados em denúncias de corrupção e outros até mesmo já condenados pela justiça no âmbito criminal. No memento, a falta de clareza de suas propostas e a intolerância de seus defensores são seus maiores inimigos, problemas que tem origem na postura do próprio candidato. 2018 será o momento de distensionar as diferenças e o ano em que o candidato, e seus defensores, terão a oportunidade de ampliar o debate em torno dos desafios e soluções para o país.






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