linkaki

Graças a Janot, Zelotes deixou de investigar prejuízos de R$ 14 bilhões ao contribuinte, denuncia procurador



O ex-procurador-Geral da República Rodrigo Janot foi acusado formalmente de ter criado dificuldades para que a investigação da Operação Zelotes apurasse a fundo desvios da ordem de R$ 14 bilhões do dinheiro do contribuinte.

Segundo o procurador da República Frederico Paiva, responsável pela investigação sobre o esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf),  Operação Zelotes não alcançou seu potencial máximo, que era investigar R$ 19 bilhões em julgamentos suspeitos de causar prejuízo aos cofres públicos mapeados durante os trabalhos. Deste total, apenas R$ 5 bilhões foram investigados a fundo.


O procurador da República confirma que Rodrigo Janot negou o apoio necessário à investigação ao se recusar a nomear peritos para ajudar na apuração. "Quando nós requisitamos dois peritos para a Procuradoria-Geral da República para poder viabilizar a análise dos dados bancários que foram quebrados. Este pedido foi negado. Sob a alegação de falta de peritos, disseram que não haveria como ajudar a Zelotes. Isso complicou demais a nossa vida, a análise ficou bem comprometida e a Zelotes não alcançou seu potencial máximo de aprofundamento das investigações. Alguns casos ficaram pelo caminho", acusa Frederico Paiva.

O ex-presidente Lula e seu filho Luis Cláudio também são alvos da mesma investigação. O petista é acusado de negociar a venda de Medidas Provisórias em troca de vantagens indevidas para ele e seu filho.

Durante entrevista ao Estadão, o procurador Frederico Paiva, titular de nada menos que 18 denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal contra empresas, lobistas e ex-conselheiros, também confirmou as dificuldades em investigar o núcleo político dos crimes:

Estadão - A Zelotes investigava Carf e depois passou a apurar suspeita de venda de medidas provisórias. Isso complicou a investigação?

Frederico Paiva -  Foi uma frente a mais, mas não poderíamos deixar de apurar, eram fatos graves. Pela primeira vez descobriu-se que medidas provisórias eram vitaminas e modificadas a partir de contratos de fachada com escritórios de consultoria e de advocacia. Todo um filão foi aberto. Tivemos dificuldade porque não podemos investigar parlamentares, nem nunca investigamos, e por isso remetemos alguns inquéritos ao STF. Mas, sem dúvida, com a pouca estrutura que eu tinha o resultado foi que atrasou algumas investigações. Mas foi por falta de estrutura, não por ter enveredado na apuração das MPs.

Estadão -  Ao contrário de outras grandes operações, a Zelotes só teve uma delação. Por quê?

Frederico Paiva - Só uma delação. Os processos andam devagar, ninguém está preso, penas aplicadas não foram altas. Isso não despertou muito medo. É, principalmente, pelo fato de os processos estarem andando devagar. A pessoa tem que ter a sensação de que pode ser punida. Como a Zelotes caminha a passos muitos lentos ainda não chegou essa sensação. Mas isso não é problema, nós temos oferecido denúncias com base em outras provas, provas robustas.

O ex-presidente Lula e seu filho caçula são réus na ação penal que investiga os crimes no Carf.

Informe seu Email para receber notícias :