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Esquerda brasileira é tão respeitável que tem um invasor de propriedades como alternativa a um ladrão



A esquerda brasileira se queixa da dificuldade em conseguir atrair pessoas sensatas para suas fileiras e não consegue criar uma nova narrativa capaz de amenizar os graves erros cometidos no país durante a década e meia em que estiveram no poder.

O problema do dilema dos representantes da esquerda é justamente a falta daquilo que mais apregoam: a honestidade. Enquanto outros setores da política tentam desesperadamente identificar os anseios da maior parte da população e daí extrair alguma liderança, a esquerda aposta na burrice de parte do eleitorado.

Há poucos dias, o ex-presidente Lula chamou a atenção para a necessidade de atrair cabeças novas e pensantes para o lado da esquerda, de forma a tentar conceber novas narrativas capazes de sensibilizar um maior número de eleitores. O grande mestre do populismo na verdade confessou o fracasso do discurso da esquerda e a incapacidade de seus intelectuais em conceber novas ratoeiras ideológicas para capturar os sentidos do povo de menor renda e formação escolar.

Vejam o caso do o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, uma das alternativas da esquerda. O sujeito é um exemplo da falta de capacidade deste setor da política em produzir uma nova liderança que alcance os anseios da sociedade como um todo, com equilíbrio e sensatez.

Há tempos, o ex-presidente Lula está de olho no rapaz. Após testemunhar a desfragmentação da militância petista e perder a aura de líder máximo entre os ativistas da esquerda, Lula ficou sem plateia. O jeito foi recorrer ao exército controlado por Boulos para realizar atos e tirar belas fotos com o povo. Apesar de ter sido o primeiro a identificar o 'potencial' do líder do MTST, tem gente querendo roubar a paternidade de Lula.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), se diz agora o pai da nova liderança política do país e tenta convencê-lo a chutar logo o traseiro de Lula nas eleições presidenciais de 2018. Durante entrevista à Folha, Freixo falou sobre o 'insight' que teve em relação ao líder do MTST:

Folha - Após perder no Rio, o sr. disse que chegara a hora de a esquerda aprender com seus erros. A lição de casa foi feita?

Marcelo Freixo - Estamos buscando fazer. A esquerda até hoje não entendeu 2013. As portas que se abrem dizendo: queremos repactuar essa ideia de representatividade. A esquerda preferiu achar que aquilo ali era coisa da direita, o que não é verdade.

Folha - Como surgiu a chapa Boulos?

Marcelo Freixo - A ideia do medo é muito forte e legitima a barbárie. Tenho medo da favela, então qualquer coisa que aconteça lá não me toca. Da juventude negra, então seu genocídio não me abala, não sou um deles. Brinco que nossos sonhos não cabem nas urnas, mas nossos pesadelos cabem. Esses debates todos me fizeram chegar ao Boulos. Estava em casa, tomando um café com minha companheira, a Antônia [Pellegrino, escritora e cofundadora do blog feminista #AgoraÉQueSãoElas, hospedado na Folha].

Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhas dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: "Opa, ali tem caldo".

Fiz testes com minha equipe, e as reações eram as mesmas. Aí liguei pro Boulos e marquei num botequinho bem "vagaba" perto da av. Paulista. Quando sugeri, ele quase caiu da cadeira de susto. Hoje falta muito pouco para consolidar a candidatura. Março é o prazo.

Folha - Boulos não seria visto como radical por uma parcela da sociedade? Ou veremos um Boulinhos paz & amor?

Marcelo Freixo - Levamos o Boulos na casa da Paula [Lavigne, mulher do Caetano Veloso e articuladora política] para conversar com setores da intelectualidade, do meio artístico. Muitos não conheciam nada de MTST. As perguntas eram pertinentes. "O que vocês fazem é invadir a casa de alguém?" E é justo ter mais imóvel vazio do que gente morando na rua?

Acho que dá pra trocar os estereótipos da radicalidade por um debate de conteúdo. A ideia é mostrar que essa radicalidade da política é a melhor coisa que pode acontecer pro Brasil, no sentido de ter uma proposta diferente da que se coloca hoje. Vivemos num dos países mais desiguais do mundo, extremamente violento. Nada disso a gente vê como radical. Violenta é a proposta que vem para mudar isso? Será?

Folha - É esperto pulverizar a esquerda em várias candidaturas?

A gente vive um momento de reconstrução: qual esquerda a sociedade vai enxergar? Porque precisa enxergar o diferente. Não sei se esse é o momento de unificar todo mundo, não. Até porque a direita também está muito fragmentada: Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles...

O vice-presidente do PT Alexandre Padilha diz que trabalhará para convencer a esquerda a embarcar na candidatura de Lula. Qual a chance de o PSOL abrir mão da chapa? Não há a menor possibilidade. Ele fala isso pra tentar colocar a gente numa caixa de sectários. Se quisessem recompor a esquerda, não andariam de braços dados com Renan Calheiros em Alagoas.

Em meio a lideranças políticas esmigalhadas, a esquerda tenta se apegar ao "candidato a líder popular-revolucionário, defasado um século no tempo" descrito no editorial do Estadão, que lembra que Boulos se destaca por suas características mais obsoletas:

"Desponta claramente no campo da esquerda radical um agitador firmemente disposto a liderar uma revolução para a conquista do “poder popular”, cujo principal desafio “é pensar um programa que não seja o de conciliação, mas de enfrentamento e que bote o dedo na ferida de problemas estruturais”. O candidato a líder popular-revolucionário, defasado um século no tempo, é Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), um “movimento territorial dos trabalhadores” que luta contra o capitalismo: “No capitalismo é assim: muitos trabalham e poucos têm dinheiro. Por isso lutamos contra ele”. É o que diz a Cartilha de Princípios do MTST".

Diz mais a Cartilha: “Somos a maioria, mas o poder não está com a gente e sim com os capitalistas. Construir o poder popular, que é o nosso poder, é a forma de transformar isso. Como? Com muita organização e luta. Precisamos nos organizar nos bairros, nas ocupações, no trabalho, em todos os lugares. Levando adiante a ideia de que só precisamos da nossa força para mudar a realidade”.

Para ele, a produção de riquezas é responsabilidade do Estado, que se encarregará de distribuir essa riqueza entre todos, acabando com a pobreza. Não chega a ser uma ideia original, como ficou comprovado pelas experiências comunistas frustradas ao longo do século 20 e pelos ensaios populistas fracassados, inclusive no Brasil.

O discurso esquerdista de Guilherme Boulos, adornado por inflexões populistas que a massa popular ouve sempre acriticamente, explora a falta de informação generalizada impondo de cima para baixo “princípios” que justificam a submissão do povo ao superior discernimento do comissariado encarregado de decidir o que é bom para todos. É exatamente a partir dessa lógica que o dono do MTST afirma na entrevista que o discurso do governo sobre a necessidade da reforma da Previdência está “mal colocado” porque se baseia na impossibilidade de o sistema se sustentar no longo prazo e no argumento de que a reforma combate privilégios".

Para Boulos, a solução para todos os problemas brasileiros é “alterar a relação de forças sociais” para que se possa acabar com este Estado “que funciona como um mecanismo de manutenção das desigualdades”. Como de hábito, a esquerda popular-revolucionária é pródiga em anunciar soluções para problemas sociais. Como implementá-las com sucesso já provou que não sabe", diz o editorial do Estadão.

Resumindo, é isto que a esquerda brasileira tem a oferecer como alternativa ao criminoso condenado: um insuflador de pobres miseráveis.
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