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Em entrevista, Lula demonstra confiança cega nas instruções que teria recebido de ministros do STF para acobertar seus crimes



Muitos brasileiros se dizem chocados com o cinismo com que o ex-presidente Lula desafia as autoridades a comprovarem seus crimes que já forma mais que comprovados. De acordo com as investigações da Operação Lava Jato, por mais evidentes que possam parecer os flagrantes, por mais óbvias que tenham sido as manobras do petista para acobertar o recebimento de vantagens indevidas, os subterfúgios clássicos de organizações criminosas e os expedientes manjados de lavagem de dinheiro estão todos descritos nas ações penais que pesam contra o petista.

Seria inocência imaginar que Lula seria capaz de cometer qualquer deslize legal sem consultar antes uma série de juristas, inclusive ministros do STF. O petista fez uma poupança de propina durante os oito anos, mas teve o zelo de não cometer nenhum crime durante o exercício da Presidência, por receio de perder seu mandato. Deixou para receber as vantagens indevidas para quando deixasse o cargo em janeiro de 2011. Mas para colocar a mão na bolada que havia acumulado com empreiteiros corruptos, foi necessário todo um planejamento para desvinculá-lo das operações ilícitas.

Foi a partir deste momento que Lula e seus cúmplices começaram a colocar em prática as instruções que possivelmente tenha recebido de juízes, desembargadores, ministros do STF, criminalistas e de juristas tarimbados. "Se você fizer assim, não tem como ligar você ao crime". "Não precisa de muita sofisticação, basta não contrariar o que está previsto no Código do Processo Penal". "Um laranja aqui, um contrato de palestras ali, e pronto. Ninguém vai poder provar nada contra você".

De fato, a Justiça se vê forçada a soltar diversos criminosos todos os dias, mesmo com todo mundo sabendo que o sujeito cometeu diversos crimes. Advogados chegam a se especializar em manobras que exploram lacunas da lei para livrar da cadeia toda sorte de sonegadores e pessoas que possuem rendas ilícitas das mais variadas origens. Os especialistas inclusive dão garantia de que seus clientes jamais serão alcançados pela Justiça. "Como eles vão provar que isso é seu!"

Pois é justamente neste tipo de convicção que o ex-presidente Lula e seus aliados estão se fiando para chegarem ao ponto de desafiar a Justiça. Acompanhe abaixo um trecho da entrevista que o ex-presidente Lula convidou um grupo de jornalistas petista na sede do Instituto Lula em São Paulo ontem:


"A minha condenação será a negação da Justiça. Porque a Justiça vai ter que fazer um esforço monumental para transformar uma mentira em verdade e julgar uma pessoa que não cometeu crime.

A sentença do juiz [Sergio] Moro me condenando, aos olhos de centenas de juristas, até de fora do Brasil, é quase que uma piada.

Eu tenho a tranquilidade de que vou ser absolvido porque para um cidadão ser condenado ele tem que ter cometido um crime. E não tem [crime]. É por isso que eu tenho desafiado a Polícia Federal, o Ministério Público da Lava Jato, a mostrarem uma única prova. Eu não peço duas. Eu peço uma.

Na verdade estamos vivendo uma anomalia jurídica e política. Esse processo começou com uma mentira de um jornal, de uma revista, que foi transformada num inquérito pela Polícia Federal. O resultado do inquérito é mentiroso. Foi enviado ao Ministério Público, que mentiu e fez uma acusação. E o Moro aceitou a mentira.

Tudo isso poderia ter terminado se a Polícia Federal tivesse sido sincera e se o Moro tivesse feito papel de juiz.

Acontece que estamos vivendo um momento muito delicado. Você subordinou o processo ao que a imprensa fala dele. Numa linguagem popular, eles estão sem rota de fuga. Ou seja, mentiram e não têm como sair.

Qual é a única chance que eu tenho? É pedir provas. Tem que ter algum documento, algum contrato, aluguel, pagamento [do tríplex], algum ato de ofício, alguma coisa.

Eu tenho até o dia 24 para esperar que alguém diga qual foi o crime que eu cometi. E dizer que o apartamento [tríplex] é meu. Me entrega a chave. Quem sabe a nossa próxima conversa será na sacada do apartamento, tomando sol. Enquanto não for, por favor, parem de mentir a meu respeito.

Eles [desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que vão julgá-lo] têm mais obrigação diante da sociedade no dia 24 do que eu. A minha inocência eu já provei. Quero que agora eles provem a minha culpa.

Eu penso que meus acusadores vão ficar ridicularizados. Ridicularizados".

O petista já foi condenado no caso do triplex do Guarujá na primeira instância pelo juiz federal Sérgio Moro, que colheu, entre outras provas, o depoimento do principal cúmplice de Lula no esquema criminoso. O empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, confirmou que o imóvel havia sido reservado ao ex-presidente como forma de compensação por contratos superfaturados entre a Petrobras e sua empreiteira. O recurso do petista será julgado no dia 24 de janeiro pelo Tribunal Federal Regional da 4ª Região de Porto Alegre. Caso os três desembargadores confirmem a sentença de Moro, Lula cai na Lei da Ficha Limpa, se torna inelegível e pode ter sua prisão decretada.

Lula conta justamente com os subsídios fornecidos por juristas para poder recorrer de suas sentenças. Os ministros do STF estarão prontos para evocar a Constituição e o CP para dar razão ao petista.

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