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Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32



O Brasil está repleto de mentirosos e de pessoas que acreditam em mentiras. Apesar de se tratar de uma constatação trágica, não há motivos para ficar tão alarmado. É assim no mundo todo. Em alguns países mais que em outros. No caso do Brasil, muitos podem se dar por satisfeitos pelo fato de o país se encontrar mais ou menos no meio desta escala de hipocrisia mundial.

Não por acaso, o país também se encontra mais ou menos no meio do caminho entre os países mais atrasados e os mais desenvolvidos. A sociedade brasileira está trilhando seu caminho na história das civilizações, assim como cada país tem trilhado seu próprio caminho desde o surgimento do Estado, lá atrás, quando o homem deixou de ser nômade.

Numa comparação grotesca, o Brasil está hoje num nível de desenvolvimento equivalente ao observado nos Estados Unidos ou a Inglaterra há cerca de um século, considerando o grau de instrução da sociedade, o acesso a serviços essenciais como saneamento básico, saúde, segurança e educação, acesso ao ensino, ao direito e à cidadania.

Bateu uma tristeza? Que nada. Há países ao redor do mundo que também vão levar cem anos para chegar aos níveis de desenvolvimento do Brasil de hoje, considerando todo o processo de industrialização, urbanização e infraestrutura. Por outro lado, há tantos países desenvolvidos quanto subdesenvolvidos que não possuem o potencial e as perspectivas de crescimento do Brasil.

O fato é que cada país do mundo se encontra hoje exatamente onde deveria estar. Os países chegaram onde chegaram ou estacionaram onde estão graças à determinação de seus povos, de sua cultura, de sua disposição de lutar por dias melhores ou por seu comodismo diante das adversidades. É estupidez exigir que o Brasil apresente o mesmo padrão de excelência observado em países desenvolvidos como Suécia ou Alemanha, onde mais de 60% dos habitantes possuem nível superior, enquanto no Brasil este número não chega a 8%. Basta fazer uma conta bem simples: se o Brasil conseguir aumentar estes indicadores em 1 ponto percentual a cada ano, em 50 anos alcançará o nível da Alemanha. De hoje.

Exigir que o país alcance os níveis de desenvolvimento de outras nações da noite para o dia é um inútil. As duas únicas alternativas são: se mudar para um país desenvolvido ou lutar para tornar o Brasil melhor para os netos. As pessoas dedicam suas vidas a alcançarem dias melhores, mas a intensidade com que desejam e se empenham em seus propósitos variam de uma pessoa para outra e, de modo geral, de uma sociedade para outra. Em todos os casos, há os sortudos que por uma razão ou outra foram parar em ilhas de prosperidade.

Mas voltando ao assunto dos mentirosos e dos que acreditam em mentiras, a situação do país é resultado da combinação entre estes dois grupos. Nesta relação simbiótica, os políticos mentem sobre suas promessas impossíveis de serem cumpridas e os acomodados acreditam.

O fato é que, por mais dura que a realidade possa se revelar, não há como acabar com problemas crônicos do país da noite para o dia, em anos ou décadas. Um flash back com as propagandas eleitorais nos últimos trinta anos mostraria milhares de políticos prometendo acabar com os problemas da habitação, da violência, do saneamento básico, etc. Mas basta visitar algumas regiões do país para constatar que muitos lugares estão exatamente como eram trinta anos atrás. Alguns estão até piores, com escolas em ruínas, ruas esburacadas e bairros decadentes. Jovens ambiciosos de outrora se tornaram velhos aposentados que ostentam o olhar triste de quem teve a maior parte dos sonhos destruídos.

Apesar destas tristes constatações, os candidatos continuam prometendo acabar com os problemas do Brasil em tempo recorde. Em 2018, os políticos devem contar as mesmas mentiras de seus ancestrais para as novas gerações de eleitores ainda suscetíveis a acreditar em salvadores da pátria e em suas promessas de redenção social. Tecnicamente, não há como conter este ataque insidioso de políticos nada comprometidos com o país contra eleitores nada esclarecidos.

Há quem acredite que a maioria dos eleitores brasileiros são lindos, instruídos e capazes de distinguir as nuances no comportamento de um picareta. Não é bem assim. Mais de 70% dos eleitores não possuem tais atributos. Boa parte da população do país vive em condições precárias e com suas dispensas vazias. Moram nas extremidades dos cinturões de riqueza, como em favelas, cidades dormitórios, periferias pobres, povoados ou isolados. Não são todos lindos, bem vestidos ou bem informados, como muitos parecem querer crer. São brasileiros dignos, sofridos e vulneráveis aos encantos dos falastrões e de sua falsa compaixão. Basta dizer que o povo está sofrendo para ganhar sua simpatia. Basta dizer que o cidadão não tem acesso a serviços essenciais por conta da corrupção que assola o país, que os ricos estão cada vez mais ricos, que a violência é fruto da negligência do Estado em frentes como a geração de emprego e a manutenção da segurança pública. Tudo isso é verdade. O problema é que a compaixão, um elemento catalisador de simpatias, representa apenas a capacidade do sujeito em perceber o sofrimento alheio. Na prática, ter compaixão não resolve nada, mas garante votos.

Ninguém quer vender ou comprar o Brasil como ele realmente é, enquanto todos querem ser aquilo que não são. Nem os políticos, nem os juízes nem os eleitores. Existem várias formas de se fazer as coisas, mas para tudo existe o jeito certo. O problema é que cada se propõe a fazer as coisas do seu jeito, simplificando problemas insolúveis e problematizando questões comezinhas.  Esta é a fórmula para dividir a sociedade, tornando-a mais fraca. Há pessoas que são induzidas a acreditar que a violência contra os negros é inadmissível, mas não se dão conta de que estão caindo na lábia daqueles que se apropriam de bandeiras para levar vantagens. Na verdade, a violência é inadmissível contra qualquer ser vivo. Fragmentar os problemas é uma forma de eternizá-los. Os eleitores, movidos por suas convicções políticas, que muito se assemelham a suas convicções futebolísticas, não querem nem saber se estão fazendo a escolha certa. Infelizmente, a humanidade ainda vive em um período de mentira global. É o Kim Jong-un prometendo  o apocalipse e o papa prometendo a paz mundial.

Esta semana, durante evento do Dia Internacional de Combate à Corrupção, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, citou a Operação Lava Jato, criticou as "lutas corporativas fratricidas" e disse compreender as "desconfianças e dúvidas" que pairam sobre sua gestão, ao mesmo tempo em que reafirmou seu compromisso de combater a corrupção. "Nestes dois meses e meio de mandato, tenho ouvido preocupações sinceras sobre o efetivo compromisso do Ministério Público, em minha gestão, contra a corrupção. São indagações autênticas, verdadeiras e coerentes, algumas carregadas de desconfianças e dúvidas que são em tudo compatíveis com a leitura crítica da história brasileira, marcada por ondas sucessivas de avanços e retrocessos no enfrentamento da corrupção", observou a procuradora-geral.

"Por isso, considero importante dizer a todos que algumas razões presidem minha firme atitude contra a corrupção. A primeira relaciona-se com a desigualdade social e a falta de oportunidade para os brasileiros, notadamente os mais pobres, mais humildes e mais discriminados", afirmou. "A segunda razão relaciona-se com ineficiência na gestão da coisa pública. Muitos programas prometem resolver problemas crônicos, como a falta de acesso a água potável, melhorar a qualidade da educação, garantir moradia, alimentação adequada e saúde para todos. Cada programa reaviva esperanças e estimula recomeços. A cada vez que não cumprem o que prometem, diminuem a confiança e a esperança das pessoas nas instituições e no país. Um ambiente de incerteza, insegurança e ineficiência leva ao descaso com a coisa pública e com o bem comum."

Raquel Dodge só deixou de informar que é incapaz de resolver todos estes problemas. inclusive os relacionados à corrupção. Ela depende de um Ministério Público Federal aparelhado, repleto de procuradores com interesses políticos, corporativos e econômicos, além dos procuradores contaminados por ideologias obsoletas. Depende ainda da honestidade, da boa vontade e do caráter duvidoso dos ministros do Supremo Tribunal Federal, simpatizantes de grupos políticos e patrocinados por empresários corruptos que deveriam colocar atrás das grades.

Por mais bem intencionada que seja, Raquel Dodge prosseguiu com as frases de porta de banheiro ao elencar que "A terceira razão consiste na importância da integridade no trato da coisa pública. A separação entre a coisa pública e a privada é uma das principais instituições da civilização moderna. Os recursos públicos, frutos de impostos, devem estar a serviço de todos."

Tudo muito bonitinho. Dá até vontade de acreditar que os donos das grandes fortunas, os bancos,  os especuladores do mercado financeiro e os empresários gananciosos vão vendar os olhos para deixar de ver os bilhões do dinheiro do contribuinte nos cofres públicos, que vão deixar de afagar e financiar os políticos que possuem as chaves dos cofres. Não vão. Neste exato momento, famílias ricas, meios de comunicação e empresários corruptos estão se movimentando num ritmo frenético nos bastidores da política para identificar quais candidatos possuem maiores chances de se elegerem deputados federais, senadores, governadores e o futuro presidente da República. Os conchavos envolvendo futuros esquemas de corrupção estão sendo alinhavados a todo vapor por dirigentes de partidos que dependem de grupos econômicos e meios de comunicação para propagar suas mentiras durante a campanha eleitoral ao maior número possível de iludidos, aflitos com a situação do país e ávidos por promessas mirabolantes. Estão todos mobilizados para elaborar fórmulas de iludir e ludibriar o maior número possível de eleitores que vão lhes garantir seus mandatos.

Apesar do quadro desolador, esta é a Democracia. Em todo o país, candidatos não tão bem intencionados, mortos de fome e loucos para usufruir dos bens materiais que o dinheiro pode comprar, coitados, se tornam presas fáceis para empresários inescrupulosos. Não há como supor que os eleitores de uma comunidade carente ou de uma região desprovida de tudo vão votar em um sujeito cheiroso, de gravatinha e que que fala difícil. Vão votar no Zé das couve, no Tonho do mototáxi e no Tião do mercado, financiados pelo fornecedor de serviços para os governos locais, pelos donos de grandes propriedades, etc.

Entretanto, para evitar o baixo astral, vale lembrar que mesmo que não houvesse a corrupção, a arrecadação da União não seria suficiente para equacionar nem um décimo dos problemas do país em quatro anos. Mesmo se não roubassem, os políticos continuariam mentindo e iludindo o povo com suas promessas mirabolantes e impossíveis de serem cumpridas em décadas. O Brasil é um país pobre, com a maioria da mão de obra sem qualificação, não exporta bens de consumo de alto valor agregado, não possui patentes valiosas que rendam royalties como os países desenvolvidos, não possui base tecnológica capaz de produzir inovações para o mundo em larga escala, não possui base científica e tudo que consome em termos de tecnologia, metodologias e matérias primas de ponta vêm do exterior. A maior parte da arrecadação do país tem origem na parcela da sociedade, que têm renda inferior à R$ 3 mil. A União fica com menos de 20% do PIB e gasta mais da metade do que arrecada para pagar o funcionalismo público, aposentadorias e pensões. Somente a previdência consome 57% de tudo que o governo arrecada. Na prática, o país vende o almoço para comprar a janta. Embora os valores arrecadados pareçam altos, o Brasil é um país de dimensões continentais e seus problemas são da mesma proporção. Não há recursos suficientes para revolucionar a educação ou mesmo a saúde, pois o Brasil não tem nem médicos nem professores em número suficiente. O nível dos professores do país também está muito aquém do ideal para formar uma nova geração mais competitiva e qualificada. Para se ter uma ideia, se o país construir um hospital e uma escola por dia durante dez anos, em dez anos o país continuará enfrentando problemas e críticas nas duas áreas, quem continuarão deficitárias com o crescimento da demanda pelos serviços. Uma escola por dia é pouco. Um hospital por dia é pouco.

Dificilmente a grande massa de eleitores se dará conta do embuste dos políticos e da real dimensão da injustiça desta relação. Vão continuar a nutrirem-se mutuamente, uns com dinheiro e poder obtidos através do voto, outros com ilusões de promessas de campanha. É a receita do comodismo geral e funciona muito bem quando as coisas dão errado. Uns culpam os outros por seus fracassos.

Apesar de todos estes problemas, o povo brasileiro é um povo feliz e a maioria das pessoas consegue viver com pouco, mas de forma digna e cabeça erguida, na tortuosa jornada pelo caminho de uma civilização, como outra qualquer. Mas para minimizar os dissabores das novas gerações, a melhor forma de ajudar o país a superar seus desafios é encorajar que cada um faça sua parte,  dedicando-se com afinco a buscar o melhor para si e sua família, com trabalho, criatividade e honestidade. Neste ínterim, escolher melhor em quem votar, pode sim, fazer uma grande diferença com o tempo. 
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