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Artistas e lideranças começam a se descolar de Lula. Em breve, vão dizer que também foram enganados




Como já era esperado, a debandada de artistas e lideranças políticas que tentam se descolar da imagem do ex-presidente Lula já começou. Embora com relativo atraso, defensores do petista começam a se afastar de seu ídolo e a dar uma de desentendidos quando o assunto é Lula e o PT. Esta é uma consequência natural, após o fracasso na imposição de milhares de narrativas construídas com o objetivo de evitar que a imagem do ex-presidente fosse definitivamente enterrada no fosso da história.

Diante da constatação de que se tornou impossível dissociar o petista dos crimes que é acusado, daqueles que já foi condenado e dos que ainda resultarão em outras condenações, a turma que chorou pelo impeachment de Dilma, que gritava fora Temer e volta Lula anda meio omissa em relação a suas convicções políticas ultimamente.

De fato, o perfil do ex-presidente Lula descrito por seus cúmplices em falcatruas e crimes vergonhosos contra os cofres públicos não condiz com a imagem de homem humilde e defensor dos mais pobres vendida pelo próprio Lula e por seus defensores ao longo dos últimos anos.

O petista é descrito como chefe de uma organização criminosa que roubou bilhões dos cofres públicos por quase uma década e meia de governos petistas. Nos relatos, o ex-presidente aparece como um "Bon vivant" corrupto mancomunado com as elites, com lideranças criminosas e traidor dos interesses do trabalhador. O problema é que cerca de 80% da população já compartilha da convicção de que Lula é realmente um bandido, um criminoso condenado que merece pagar por seus crimes.

É realmente embaraçoso tentar defender alguém que aparece com mais de R$ 20 milhões em dinheiro em suas contas, levando em consideração o inventário da ex-primeira dama Marisa Letícia, falecida em fevereiro. A Justiça bloqueou R$ 16 milhões de Lula e até hoje ele não conseguiu comprovar que seu patrimônio, que não condiz com sua renda, foi adquirido de forma lícita. Para constrangimento geral, os recursos permanecem bloqueados por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o mesmo TRF-4 que deve anunciar a decisão sobre a condenação de Lula na Primeira Instância logo no início de 2018. O julgamento do petista já foi marcado pelo tribunal para o dia 24 de janeiro.

Detalhes embaraçosos sobre a conduta do petista foram revelados pelas investigações da Polícia Federal e confirmadas pelo empresário Marcelo Odebrecht e pelo ex-ministro petista Antonio Palocci, um faz tudo de Lula há mais de vinte anos.  Lula foi identificado como o detentor de uma conta no banco de propinas da Odebrecht, na qual recebeu cerca de R$ 50 milhões por contratos superfaturados com o grupo empresarial. Os recursos foram destinados para seu uso pessoal. Além do dinheiro que sacou para si, Lula garantiu uma fonte de dinheiro roubado para seus filhos, irmãos, amigos e aliados políticos. Seu partido também recebeu cerca de R$ 300 milhões em propina e boa parte do dinheiro que seus aliados políticos embolsaram não teve nada a ver com financiamento de campanha via caixa 2. Era corrupção mesmo. Ininterrupta.

Os depoimentos e documentos apresentados pelos delatores à Justiça comprovam cada linha de investigação conduzida até aqui pelo integrantes da força-tarefa do Ministério Público Federal baseada em Curitiba. As denúncias oferecidas pela Lava Jato ao juiz Sérgio Moro contra Lula apresentam um grau de precisão extraordinário, segundo membros do STF, que ficaram impressionados com a eficiência e grau de acuidade dos investigadores.

Diante dos fatos, vários defensores de Lula começam a rever suas posturas desafiadoras mantidas ao longo dos últimos anos de investigações. O site The Intercept, do jornalista americano Glenn Greenwald, chegou a jogar a toalha com o petista. Em matéria publicada recentemente, o site destacou "O ENVOLVIMENTO DO ex-presidente Lula no esquema de corrupção agora revelado por quase 80 executivos, diretores e funcionários da Odebrecht, um dos principais pontos de tensão política ao longo da Lava Jato. As delações agora reveladas apontam que Lula não apenas saberia de tudo como, de acordo com depoimentos de diferentes delatores, se beneficiou diretamente dos desvios – e vai muito além de pedalinhos, reforma de sítio ou mesmo a compra de um triplex". Greenwald era um ferrenho defensor do ex-presidente Lula e porta-voz internacional de Dilma na narrativa do golpe

O jornalista de aluguel Paulo Henrique Amorim também divulgou chegou a divulgar um vídeo onde demonstrou sua profunda "decepção" com o ex-presidente Lula, o ex-defensor dos interesses do trabalhador, o ex-pai dos pobres".

Na mesma linha, artistas, intelectuais e ativistas da esquerda que estiveram engajados na defesa de Lula e Dilma nos últimos anos, e contra o juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, preparam seus discursos de arrependimento. O PT orientou alguns grupos a permanecerem em silêncio e longe da imprensa, mas admitiu que a narrativa do "fomos enganados por Lula" pode ser usada em último caso. Interlocutores do partido reconhecem que "quem insistir em ficar ao lado do petista corre o sério risco de se queimar". A preocupação na legenda tem sido a de preservar certas lideranças e pessoas influentes ligadas ao PT. Uma parte terá necessariamente que seguir com o petista até o fim. Outros devem ser poupados e não serão cobrados para se engajarem nos atos políticos do petista. Entre os que estão autorizados a se 'descolar' de Lula, estão figuras como Tarso Genro, Eduardo Suplicy, Humberto Costa, Paulo Paim, Paulo Rocha, entre outros que foram autorizados a realizar a 'autocrítica' em relação ao PT.

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