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Por que o MPF se tornou tão autoritário e tem tanto medo da intimação do ex-chefe de gabinete de Janot?



Desde a passagem do ex-procurador-geral da República, o Ministério Público Federal anda muito estranho. A instituição que ganhou notoriedade extraordinária após o surgimento da Operação Lava Jato e projetou nomes nacionalmente foi apontada por muito como um problema para a maior investigação sobre corrupção no país.

Membros do MPF se apropriaram do trabalho realizado pela força-tarefa da Lava Jato, composta por delegados, agentes e peritos da Polícia Federal, além de técnicos, contadores, programadores, juízes e seus auxiliares. Exageradamente afeiçoados ao brilho dos holofotes, procuradores da República passaram a disputar a fama de forma desmedida em entrevistas, redes sociais e até mesmo palestras país afora.

Entre os demais integrantes da força-tarefa da Lava Jato, os pupilos de Janot passaram a ser vistos com desconfiança pela própria Polícia Federal após uma sucessão de vazamentos sobre investigações e delações mantidas sob sigilo máximo. Estes vazamentos se intensificaram logo após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, quando parte significativa dos membros do MPF e da própria Polícia Federal ficaram ressentidos com a queda dos governos que lhes 'permitiram' o ingresso no serviço público. Janot permitiu que seu ex-braço direito na PGR, o ex-procurador Marcello Miller, fosse trabalhar diretamente com os irmãos Batista para ajudar na elaboração do acordo e do planejamento de ações para forjar provas contra políticos e justificar os benefícios excessivos concedidos aos açougueiros criminosos.

A Operação Lava Jato vinha sofrendo sucessivos abalos em sua credibilidade junto a opinião pública graças aos vazamentos e à excessiva exposição dos Procuradores da República, que passavam a maior parte do tempo dando entrevistas e tecendo comentários de cunho político nas redes sociais.

Para piorar a imagem da Operação, o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se reuniu sozinho com os açougueiros da JBS e firmou um acordo de delação premiadíssima. Joesley Batista, seu irmão e outros executivos do grupo já estavam na mira da Polícia Federal quando Janot concedeu imunidade total aos criminosos em troca de um acordo relâmpago, sem coletar provas, realizar diligências ou cruzar informações com a própria Polícia Federal.

A manobra de Janot deixou claro que o ex-procurador e seu grupo estavam fazendo uso político da Lava Jato para atingir objetivos pessoas nada louváveis. Logo em seguida, a Polícia Federal resolveu desligar os procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. O objetivo era evitar novos vazamentos por parte dos pupilos de Janot e resguardar a credibilidade da investigação, que seria duramente afetada pelo acordo com os criminosos da JBS.

Foi justamente neste período que muitos procuradores da República , agora desprestigiados, deixaram cair suas máscaras. Sem as palestras e sem os holofotes da imprensa, muitos passaram meses nas redes sociais manifestando suas preferências políticas, criticando o governo e até mesmo a Polícia Federal.

Embora não reconheçam publicamente, praticamente metade do MPF e boa parte dos integrantes da Polícia Federal nutriam simpatia pelo PT, assim como ministros do STF, reitores de universidades e outros órgãos públicos diligentemente aparelhados durante os treze anos em que o partido permaneceu no poder.

Os métodos de aparelhamento da máquina pública não se limitam a indicação de simpatizantes para postos chave nas instituições. Há toda uma política de tolerância com a negligência, faltas, férias prolongadas e outras regalias permitidas aos agentes públicos, em detrimento dos interesses do cidadão contribuinte. Tratados como uma espécie de elite favorecida por indulgências e cumplicidades, milhões de funcionários públicos incorporaram o papel de guardiões dos preceitos ideológicos do partido.

A elaboração de lista tríplice de nomes de possíveis sucessores do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot revelou ao Brasil o racha da instituição. Na ocasião, mais da metade dos 1200 Procuradores da República do país escolheram  o indicado de Janot, Nicolao Dino (621 votos). Dino é um tradicional aliado de Janot e irmão do atual governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB.

A escolhida pelo presidente Michel Temer, Raquel Dodge, obteve 87 votos. O resultado da votação eletrônica de 200 unidades do MPF espalhadas por todo o país comprovou a divisão da instituição.

O fato é que ao longo destes três anos e meio de Operação Lava Jato, muitos membros do MPF passaram a acreditar que deveriam concentrar mais poderes em suas mãos. Poderes acima da Polícia Federal e até mesmo sobre outras instituições cruciais para a democracia, como o Congresso Nacional.

Esta semana, após atacar novamente a Polícia Federal, os procuradores da República divulgaram uma nota afirmando que "não admitem a convocação de um colega, o procurador regional da República Eduardo Pelella, para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS". A comissão tem três focos: os contratos da JBS com o BNDES, a questão do monopólio dos frigoríficos e as dívidas previdenciárias, tributárias; e as circunstâncias da delação.

O procurador da República Ângelo Goulart Vilella afirmou que ouviu ainda no mês de abril de Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Rodrigo Janot, que o presidente Michel Temer poderia cair.

Qual o receio de José Robalinho Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República sobre o depoimento de Pelella? Robalinho afirmou que a entidade irá ao STF para impedir que Pelella seja obrigado a ir à CPMI da JBS. Independente de qual instituição deva prevalecer sobre a outra, o que se percebe é que o interesse da sociedade no prevalecimento da verdade vem sendo diligentemente negligenciado. O povo exige transparência de suas instituições. Quem pretende blindar um ou outro, certamente tem algo a esconder.




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