\imprensa Viva
.

Exclusivo - Há mais de um ano, Janot já tinha planos de interferir no processo democrático do Brasil - Vídeo



O vídeo no final desta matéria contém o discurso do ex-procurador-geral da República, gravado durante a posse da ministra Cármen Lúcia na Presidência do Supremo Tribunal Federal em 12 de setembro de 2016. Ao longo de sua fala, Janot destila ódio contra a classe política, se refere ao sistema político como falido, de forma generalizada, ao mesmo tempo em que enaltece as virtudes e as qualidades dos membros do judiciários e tenta se associar à sociedade e a  Operação Lava Jato, usada como troféu. Em momento algum, o ex-procurador reconhece que não há saída para a democracia fora da política, fato que só veio a admitir após o fracasso de sua conspiração com joesley Batista patrocinada pela Rede Globo. Um ano antes de sua segunda denúncia contra o presidente, Janot já estava com suas convicções descompensadas em seu intelecto. Seus arroubos de justiceiro estão presentes em cada frase de seu discurso.

Logo no início de seu discurso sobre a transição democrática no comando do STF, Janot se propõe a falar sobre uma 'outra forma de mudança' que tinha em mente, visando defender uma interferência ao processo democrático brasileiro.

No vídeo, o ex-procurador-geral admite que andou 'Pensando alto' sobre os destinos do país. "Pensando alto", "modestas reflexões" e "a meu sentir" são expressões usadas logo na primeira frase e apontam para ambições pessoais, íntimas e elaboradas pelo ex-procurador ao longo dos tempos. Ou seja, há mais de um ano Janot já alimentava suas aspirações de destruir a classe política e surfar na onda da credibilidade que a Operação Lava Jato tinha perante a sociedade.

Logo em seguida, Janot fala sobre a 'oportunidade' de ouro de setores do judiciário estão tendo de interferir no processo político do país, numa clara referência às turbulências recentes como as investigações da Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma e a posse de Temer. Janot assume que o poder judiciário passou a ocupar um papel de 'centralidade' inédito na história da República.

Prematuro e premeditado. Em pleno processo de recuperação estabilização da crise política e em meio à recuperação da economia, Janot chama a atenção para uma 'crise multidimensional e afirma que o Judiciário é a única 'fonte' de esperança da sociedade. Em seguida, Janot afirma que 'a preservação dos valores mais caros de nossa república' repousam nos 'ombros robustos desta corte e que estes valores se sustentam nos magistrados do país.

Os pupilos de Janot. Para quem acompanhou a campanha política midiática dos procuradores da República nas redes sociais e na imprensa com suas frases de porta de banheiro, pode concluir que Janot estava se referindo à uma suposta República do Judiciário, um ideal que já tinha em mente àquela altura do campeonato.

No vídeo, fica claro que Janot agiu premeditadamente e já tinha intenções de interferir no processo democrático do país. Em 12 setembro de 2016, a exatos quatro meses da posse de Temer como presidente interino e a apenas um mês da cassação do mandato de Dilma no Senado, Janot já usava o ardil da grave crise econômica e se postava como baluarte dos valores éticos, jurídicos e políticos, afirmando que todos estes males gravitam em torno de um 'eixo comum', ou seja, a classe política. Janot se manifestou contrário ao impeachment de Dilma e pareceu bastante infeliz com o êxito de Temer em vencer os obstáculos virtualmente intransponíveis do legado petista. Janot também tinha mágoas por Temer ter lhe negado o terceiro mandato na PGR.

Janot parece bastante claro sobre seus propósitos de instalar no país uma República do Judiciário a partir da destruição da imagem dos políticos. O país tem a sensação de que ele não estava sozinho na empreitada que culminou com o acordo criminoso com os açougueiros do grupo JBS, usado para forjar denúncias sem provas contra o Presidente da República. Joesley Batista foi flagrado em gravações afirmando que o objetivo de Janot era mesmo derrubar Temer, assumir seu lugar ou indicar um sucessor e assim, conseguir se perpetuar na PGR. Janot tentou capitalizar todo o êxito do trabalho realizado pela força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, inclusive explorando peças de marketing, como a 'lista de Janot', como se fosse ele o responsável pelo brilhante trabalho da Polícia Federal.

Em seu discuros, Janot afirma que a Lava Jato e ele conseguiram 'comprovar cabalmente a falência de nosso sistema de representação política' em contraste com as deficiências da Justiça. Em seguida, Janot afirma que os trabalhos da Lava Jato conduziram a'caminhos ainda não percorridos'. Logo após usar esta expressão, Janot destaca a relação do submundo criminoso da política e o mundo empresarial corrupto que se valeu das relações com o poder público.

Aos olhos de qualquer cidadão, Janot se referia as relações criminosas de Lula, Dilma e empresários corruptos, como Marcelo Odebrecht e Joesley Batista. Como durante quatro anos à frente da PGR não tomou qualquer providência contra os ex-presidentes do PT responsáveis pela organização criminosa, é possível concluir que Janot tinha outras coisas em mente. É fato que Janot poupou Lula e Dilma. Alguns meses mais tarde, ele forjaria um acordo com criminosos para denunciar o presidente Michel Temer.

Na sequência de seu discurso, Janot 'alerta' que o 'sistema da nova República' está em cheque e diz que só há duas saída para o Brasil: a primeira, inaceitável, seria uma reação da classe política contra seus propósitos e convicções, onde Janot revela sua sanha tirânica e anti democrática de querer denunciar sem que haja uma reação dos políticos. A segunda seria um 'novo arranjo democrático' instalado na esteira da credibilidade da Lava Jato, ou a sua tão sonhada República do Judiciário. Não há como ser mais claro que isso.

Na sequência, Janot cita a Operação Mãos Limpas da Itália e diz que a classe política sobreviveu à Operação e continuou causando males ao país. Janot afirma que o Ministério Público Italiano e os investigadores se tornaram vítimas de um complô 'farsesco e bisantino' e afirma que não vai permitir que o mesmo ocorra no Brasil. Na sequência, Janot, em tom profético, propõe claramente aos ministros que escolham 'com desassombro o caminho a seguir'.

Janot destaca a 'oportunidade' de traçar um desfecho diferente para o Brasil. O ex-procurador tenta novamente pegar carona na credibilidade da Lava Jato para criar um atalho e diz que 'não podemos admitir a manutenção do status quo' e afirma que o Brasil precisa mudar.

Como Janot afirma que o Brasil precisa mudar em tão pouco tempo, após uma mudança tão brusca como a mudança do chefe do executivo? O que ele tinha em mente naquele momento tão incipiente do governo Temer, contra quem não tinha nem nunca teve absolutamente nenhuma prova concreta, tendo em vista a fragilidade de suas flechadas? Na sequência, Janot promete se empenhar de forma firme e destemida.

Ao finalizar, Janot afirma ser um homem de muitas dúvidas e que está sempre a se questionar sobre as próprias convicções e se apoia em citações do romancista americano Scott Fitzgerald e da própria Cármen Lúcia para justificar eventuais atitudes.

Meses mais tarde, Janot e seus auxiliares diretos na PGR forjariam a mais vergonhosa conspiração da história da República, com a devida cumplicidade dos ministros do STF, que nada fizeram para impedir que o país fosse mergulhado no caos por longos seis meses, causando prejuízos incalculáveis à nação e ao povo. O acordo de delação premiadíssima no qual ofereceu imunidade eterna aos criminosos confessos da JBS foi devidamente homologado pelo ministro Edson Fachin, que ignorou a lei de delação premiada que veta a concessão de benefícios a chefes de organizações criminosas. O STF também se omitiu e permitiu que Janot usasse a instituição PGR para atingir a instituição Presidência da República de forma irresponsável e covarde.

_____________
__________

Postar um comentário

Todas as notícias

Siga no Facebook

MKRdezign

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget