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Um raio X da Democracia no Brasil. Entenda por que as coisas não dão certo para o país, apesar de tantas riquezas



O Brasil vive mais uma vez uma pré-campanha presidencial. Neste momento, vários nomes despontam como alternativas para o povo decidir em quem votar. As opções parecem bastante desanimadoras, tendo em vista o que aconteceu com o país ao longo das últimas décadas em que esteve nas mãos da atual classe política.

Mas o jogo segue e milhões de brasileiros ainda não se deram conta de quais são as regras que prevalecem neste processo supostamente democrático que vai definir quem será o futuro mandatário do país. O Brasil vai fatalmente parar nas mãos dos mesmos grupos que controlam a nação há décadas. Sim. É justamente isso que está prestes a acontecer. Novamente.

Vamos às regras do jogo, propriamente dito. Pode parecer surpreendente para muitos que, em meio à mais de 200 milhões de cidadãos, apenas alguns poucos sujeitos de competências questionáveis tenham a prerrogativa de concorrer ao cargo mais importante do país. Será que não existem ao menos uns 100 mil brasileiros bem mais competentes que toda essa gente?

Para entender melhor como tudo funciona todo o esquema montado pelos verdadeiros donos do país, é preciso lembrar que o Brasil, assim como a maioria dos países democráticos, é signatário da Convenção Americana de Direitos Humanos, o Pacto de São José da Costa Rica, que não prevê a filiação partidária como requisito para ser votado. Apesar disso, a Constituição exige que o candidato ao cargo de chefe do executivo seja registrado por um partido político.

É ai que está o pulo do gato. Como os partidos políticos detém a prerrogativa exclusiva de lançar candidatos à Presidência da República. todos eles trabalham arduamente para forjar lideranças populares virtualmente capazes de angariar votos suficientes para vencer uma eleição. Trata-se de um processo de construção de 'lideranças' que costuma consumir anos e anos, com investimentos na imagem de um único sujeito, não necessariamente o mais competente, mas que tenha apelo popular. Levando em conta o nível de instrução da maioria dos brasileiros, quanto mais fanfarrão, melhor. Afinal, ninguém que ouvir de um candidato que determinado problema do país só se resolve com 20 ou trinta anos de dedicação e trabalho sério. As pessoas querem que o candidato prometa resolver os problemas amanhã mesmo.

Pelas regras do jogo,  os partidos e políticos passam décadas tentando projetar lideranças populares. Há casos de políticos que investem neste projeto há mais de 20 anos, como Ronaldo Caiado, Ciro Gomes e outros que tentam se inserir no páreo há mais de uma década, como Marina Silva, José Sera, Geraldo Alkcmin e outros não menos insistentes.

Quando as eleições presidenciais se aproximam, é um deus nos acuda. Os partidos que não conseguiram projetar uma liderança decente vivem uma agonia para definir logo seu candidato e apresentar ao mercado, o verdadeiro senhor da eleição. É neste momento que começam a surgir os oportunistas de plantão, como Luciano Huck, Roberto Justus e o cirurgião das celebridades, Dr. Robert Rey.

De olho nas pesquisas de opinião, barões dos meios de comunicação, rentistas, banqueiros e empresários poderosos convocam os favoritos para um 'cafezinho', um tête-à-tête para ajustar os ponteiros sobre a continuidade dos esquemas em vigor e a possibilidade de esquemas futuros mais promissores para ambas as partes. Em muitos casos, empresários se associam para patrocinar candidaturas forjadas, como é o caso do grupo de Abílio Diniz e da Rede Globo, que estão por trás da candidatura de Luciano Hick. Curiosamente, estes grupos são ávidos pelos recursos do contribuinte no BNDES.

O fato é que a democracia no Brasil está nas mãos de uma espécie de crime organizado. Logo que os nomes são definidos, todos os profissionais da imprensa são convocados para cobrir as agendas dos principais candidatos. Torna-se até cansativo ler entrevistas com presidenciáveis com ideias tão estúpidas, populistas ou absurdamente óbvias. São meros atores, seres amestrados para repetir frases de efeito boladas por marqueteiros diabólicos. É quando entram os institutos de pesquisa para terminar o serviço sujo de projetar os "campeões de votos". Na medida em que conseguem sedimentar os nomes escolhidos, divulgam pesquisas direcionadas que acabam por influenciar o eleitor na hora do voto. Mesmo os candidatos independentes acabam forçados a ceder as regras deste jogo, caso queiram avançar com suas campanhas.

Enquanto isso, o cidadão segue totalmente alheio a todo este processo, acreditando piamente que será capaz de decidir alguma coisa ou interferir de alguma forma no destino do país em que vive. Muitos não se dão conta de que se trata de um jogo previamente combinado, inclusive com a inclusão de candidatos ridículos, sem a menor chance de vitória. É como colocar um produto de péssima qualidade e caro ao lado de um produto excelente mais barato na mesma gondola do supermercado. Uma forma óbvia de induzir o consumo. Neste jogo, absolutamente todos os candidatos, com chances reais ou não de vencerem, levam muitas vantagens. Além de controlarem fortunas destinadas a campanhas, e as 'sobras' de campanha, todos se projetam para concorrer a cargos menores no futuro.

Mas as tragédias não param por aí. Ao descer de pára-quedas em Brasília, o novo presidente da República irá se deparar com uma coisa chamada Congresso Nacional. Na maioria das vezes, o presidente eleito é um bicho totalmente estranho a este habitat e vai precisar beber água no mesmo manancial dominado por outros bichos bem mais espertos. O povo brasileiro está calejado de sentir na pele as consequências deste jogo sem pé e sem cabeça. Não é por acaso que praticamente todos os presidentes das últimas décadas não conseguiram se dar bem com o Congresso. Collor sofreu um processo de impeachment no meio de seu primeiro mandato, Fernando Henrique precisou distribuir cargos em troca de apoio para projetos, Lula teve que inaugurar a prática do mensalão, distribuindo dinheiro e cargos a parlamentares em troca de apoio político e Dilma, que também foi afastada do governo através de um processo de impeachment no início de seu segundo mandato.

No modelo atual onde as lideranças são construídas artificialmente, nenhum presidente eleito terá a capacidade de extrair um bom desempenho dos parlamentares. Ao se eleger sem apoio da maioria no Congresso, o aventureiro a serviço do mercado vai comer o pão que o diabo amassou para cumprir as promessas que fez para seus financiadores. As promessas que faz para o povo são irrelevantes.

Ao assumir o cargo, precisará comer nas mãos de deputados e senadores, terá que dançar conforme a música e atender aos interesses mais distantes de tudo aquilo que havia se comprometido, caso queira aprovar qualquer projeto. Normalmente no Brasil, os bichos que se elegem para cargos executivos são de outra espécie, estranha aos bichos que comandam os parlamentos. São virtualmente incapazes de criar uma 'sintonia' com aqueles que estão há anos familiarizados com os verdadeiros problemas do país, mas descrentes no interesse dos governantes em promover as mudanças mais urgentes. Por outro lado, estes congressistas também são comandados por grupos econômicos poderosos. Para atender aos interesses de seus financiadores, os parlamentares fazem uma espécie de barganha com os governantes. Aprovam determinado projeto apenas em troca de outros projetos 'encomendados' por aqueles que os financiam, como empreiteiras, ruralistas, setores farmacêuticos, enfim.

A democracia brasileira é uma ilusão vendida por jornalistas, artistas, sindicalistas e ativistas inescrupulosos. Todos ávidos por assegurar a manutenção dos privilégios dos patrões.  
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