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Marcello Miller, o braço direito de Janot na PGR, afirma que açougueiros mentiram sobre seu envolvimento




O ex-procurador Marcello Miller começou a experimentar o próprio veneno. Acusado de atuar em favor dos delatores da JBS na preparação no controverso acordo de delação premiada, o braço direito do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou à Polícia Federal que os executivos da JBS mentiram nas gravações em que revelam seu envolvimento e o de Janot nos acordos espúrios celebrados na PGR.

Acuado, Miller admitiu que ajudou executivos da empresa a elaborar o acordo de colaboração premiada que implicou diretamente o presidente Michel Temer apenas para não ser "descortês". Segundo o braço direito de Janot, ele diz ter feito apenas fez reparos "linguísticos e gramaticais" a uma espécie de esboço do anexo de delação que foi apresentado a ele por Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais do grupo comandando pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ex-procurador disse à PF que se sentiu "desconfortável" em ter acesso ao material e "desempenhar funções que ainda não poderia", como análise jurídica para a JBS, antes de sua exoneração do Ministério Público Federal ser oficializada.

Um dos mais próximos auxiliares do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, Miller é suspeito de ter atuado na defesa da JBS pelo escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe quando ainda tinha cargo no Ministério Público Federal.

Miller ainda atuava na PGR quando começou a trabalhar para os açougueiros do JBS, mas sua saída só foi oficializada em abril, dias depois da assinatura do primeiro termo de confidencialidade entre a empresa e a PGR (Procuradoria-Geral da República). A polêmica culminou na suspensão dos benefícios concedidos a Joesley Batista e Ricardo Saud, presos desde o dia 10 de setembro.

À PF, Miller foi extremamente preciso ao informar sobre seus encontros com os delatores da JBS e disse que teve "de cinco a dez reuniões" com executivos na sede da empresa, antes de sua exoneração do MPF ser publicada no "Diário Oficial da União".

Segundo ele, não se falava "abertamente" nos encontros das "condutas criminosas" dos empresários. O ex-procurador, porém, disse que era possível "intuir tais ocorrências", admitindo ter "conhecimento de que a JBS estava tratando das questões criminais com a PGR", mas não deu detalhes sobre como era possível saber sobre o tema.

O ex-procurador aproveitou o depoimento à PF para se defender das acusações que vem sofrendo desde que Janot anunciou investigação sobre sua atuação no fechamento do acordo e a possível revisão da delação da JBS.

Segundo Miller, os executivos da empresa mentiram sobre ele e Janot no áudio apresentado para a PGR em setembro.

O ex-procurador afirmou que não avisou ninguém da PGR sobre suas tratativas de orientação com executivos da JBS antes de sua exoneração ser oficializada e que nunca separou material para a colaboração.

Na medida em que começava a se enrolar no depoimento à PF, o ex-procurador não conseguia conter seu embaraço. Miller então pediu que o depoimento fosse interrompido pois ele e seu advogado alegaram ter um voo naquele dia para o Rio de Janeiro e, portanto, não poderiam estender a estadia em Brasília. Miller deve voltar a depor em data ainda não definida.

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