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Joesley Batista chora na prisão. 'Está tudo dando tão errado quanto poderia ter dado certo', se queixa o açougueiro



O empresário Joesley Batista, um dos donos do Grupo J&F, tem vivido momentos de aflição, desde que foi preso na manhã de quarta,13 de setembro, em São Paulo. Bilionário e possuidor de muitos 'contatos' no meio judiciário, ex-controlador da JBS ainda demonstrava certa confiança em obter um habeas corpus durante as primeiras horas após sua prisão e de seu irmão, Wesley Batista. Mas na medida em que as horas e os dias foram se passando, Joesley perdeu a fleuma de poderoso e passou a lamentar por tantos infortúnios.

Segundo interlocutores, o empresário chorou em vários momentos esta semana em conversas com advogados, enquanto se acercava da gravidade de sua situação perante as autoridades. Com os olhos inchados e lacrimejando, Joesley lamentou o fato de ter mexido com gente 'poderosa', numa referência ao presidente Michel Temer. O empresário admitiu que se permitiu influenciar por 'pessoas' que lhe garantiram que Temer era fraco e que cairia no primeiro espirro.

Joesley constatou tardiamente que agora 'está tudo dando tão errado, na mesma proporção em que acreditou que tudo daria certo', numa referência à trama engendrada no coração da Procuradoria-Geral da República durante os primeiros meses do ano.

As desventuras em série de Joesley e de seu irmão Wesley Batista podem ser compreendidas a partir de uma sequência de más notícias que vieram à tona esta semana. Os irmãos Batista foram presos sob a acusação de se beneficiarem com a compra de dólares e com a venda de ações da JBS, aproveitando-se do impacto no mercado do 'vazamento controlado' de seu acordo de delação premiada no dia 17 de maio, até então sigiloso.

Wesley Batista foi apontado pela Polícia Federal como um dos articuladores do ataque especulativo ao mercado. Em manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) na última sexta (6), a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a manutenção da prisão preventiva de Wesley Batista, sócio da JBS, no âmbito de uma investigação sobre uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro –prática conhecida como "insider trading".

A investigação paulista indicou que Wesley, ao assinar acordo de delação com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em maio, realizou operações antes de o caso vir a público com o objetivo de obter lucro.

"Ao invés de representar espaço de conscientização e arrependimento a respeito dos crimes já praticados", escreveu Dodge, "o acordo de colaboração representou, aos olhos do reclamante, oportunidade de lucro fácil, mediante o cometimento de novos crimes."

Joesley e Wesley ainda apelaram para uma tentativa desesperada para conseguirem se safar da prisão, alegando que a suspensão do acordo de delação ainda não foi definido, e alegaram tiveram seu acordo de imunidade violado. Mas a tentativa não colou. Em sua manifestação, Dodge afirmou que o crime de "insider trading", investigado em São Paulo, não estava coberto pela imunidade, pois não foi relatado ao Ministério Público pelos delatores, o que indica má-fé.

"Permitir-se, como quer o reclamante [Wesley], que a imunidade penal prevista no ajuste alcance tal ilícito, protegendo-o, como um verdadeiro escudo, de ser processado e eventualmente punido pela sua prática, equivaleria a desvirtuar a lógica dos acordos de colaboração premiada –o que, por óbvio, não pode ser admitido", escreveu Dodge.

Para piorar a situação dos açougueiros da JBS, o advogado Willer Tomaz, que trabalhou para a J&F e foi traído por seus patrões no conluio com o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, não está nada satisfeito por ter sido usado de isca pelo grupo. Tomaz ficou preso de maio a agosto após delação de Joesley Batista, divulgou nota comentando os áudios de conversas do empresário.

"É possível enganar poucos por muito tempo, bem como enganar muitos por pouco tempo. Mas não é possível enganar a todos, o tempo inteiro. A verdade, enfim, sempre aparece!"

O advogado foi instruído pelos donos da JBS a pagar honorários ao procurador Ângelo Goulart Villela, que também foi preso, para repassar informação privilegiada a Joesley, Tomaz se diz vítima de armação. "Nem os delatores hoje afirmam com certeza ter existido a propina a Goulart", afirmou o advogado em entrevista recente.

O mundo dá voltas e é justamente por meio do advogado Willer Tomaz que tudo que está ruim para os irmão Batista sempre pode piorar um pouquinho. A defesa dos açougueiros da JBS temem represálias e anunciaram que vão protocolar no TRF-1 um pedido de exceção de suspeição do juiz Ricardo Leite, que determinou esta semana o bloqueio de todos os bens de todos os familiares dos irmãos Batista.

Enquanto o pavor dos açougueiros diz respeito à relação pessoal do juiz Ricardo Leite justamente com o advogado Willer Tomaz, a preocupação de muita gente aqui fora são as outras relações de Joesley com Lula, Dilma, Janot e cia. O temor é que o açougueiro acabe abrindo o bico e entregando todo mundo em troca da liberdade.
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