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PF diz que enquanto Joesley se comprometia a deixar de delinquir no acordo da JBS, delinquia com membros da PGR



Todas as suspeitas que pareciam as mais razoáveis envolvendo o acordo de delação dos criminosos da JBS com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acabaram se confirmando logo nos primeiros dias de investigações da Polícia Federal sobre o caso.

A participação do ex-braço direito de Janot no controverso acordo de delação premiada como agente duplo já foi devidamente esclarecida pela Polícia Federal, que encontrou no celular de Wesley Batista, presidente-executivo e sócio da JBS, uma série de mensagens que reforçam a atuação do ex-procurador Marcello Miller a favor da empresa quando ainda atuava no Ministério Público.

Um relatório da PF afirma que integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) tinham "ciência de que Miller estava atuando de forma indireta nas negociações da colaboração premiada".

O ex-procurador fazia parte de um grupo de WhatsApp com diretores e delatores da JBS. As mensagens revelam claramente que ele já orientava o acordo de delação dos irmãos Batista, já na condição de sócio da banca de advogados que cuidava dos interesses do Grupo J&F. As mensagens estavam no celular de Wesley Batista, que foi apreendido durante a quarta fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada em maio deste ano.

Segundo a PF, as mensagens evidenciam "a participação de braço direito de Janot na PGRcomo peça fundamental no êxito do acordo".

Para a polícia, a JBS cooptou um agente público para lograr êxito em uma delação que lhes garantiu imunidade.

"O que impressiona é o fato de que a cooptação de Miller ocorre no momento em que supostamente os investigados se apresentavam às autoridades públicas com uma proposta baseada fundamental em um duplo alicerce: arrependimento, diga-se dispostos a não mais delinquir, e propensos a colaborar de forma efetiva".

A polícia sustenta que houve no mínimo a promessa de vantagem ilícita, apontando o crime de corrupção passiva e ativa. O presidente Michel Temer já havia levantado a hipótese de Rodrigo Janot ser um dos beneficiários dos milhões pagos pela JBS ao seu braço direito na PGR, Marcelo Miller

A polícia transcreve no relatório mensagens do grupo de WhatsApp que, no seu entendimento, demonstram a ciência de pessoas do gabinete do próprio Janot sobre a participação de Miller.

Em um dos diálogos, a advogada Fernanda Tórtima diz que os procuradores Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot, e Sérgio Bruno, que faz parte do grupo de trabalho da Lava Jato, sabiam que o auxiliar direto de Janot, Marcelo Miller, chegou inclusive a viajar paraos Estados Unidos para tratar dos interesses dos irmãos Batista no acordo de leniência do Grupo JBS.

As mensagens reproduzidas no documento são:

Francisco de Assis e Silva: "Fernanda, ele precisa por na mesa a leniência, a imunidade e as demais penas corporais e que eles têm que assumir o protagonismo no DOJ conforme o Pelella assumiu o compromisso. Amanhã a gente combina a agenda do Joesley com eles".

Fernanda Tórtima: "Amanhã de manhã eu digo que o Marcello foi e que vai ligar. Lembra que o Pelella disse que ficaria esperando uma ligação da Esther [Flesh, advogada do mesmo escritório que Miller foi fazer parte após saída do Ministério Público] antes de fazer contato com o DOJ? Essa ligação será do Marcello. Eu disse que ele teria que falar hoje com o DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) e disse que o Marcello iria. Nessa hora achei estranho ele dizer que já tinha a informação de que o Marcello iria".

A PF confirma em seu relatório o envolvimento de Miller na elaboração do acordo, inclusive recebendo instruções diretas de Ricardo Saud, que aparece em mensagem afirmando "que estaria "jeitando" a situação empresarial com Marcello Miller e em outra mensagem em que Wesley Batista pede a presença de Miller na reunião na PGR para assinatura de termo de confidencialidade

A PF também comprovou que o membro da PGR atuou para instruir e forjar provas contra o presidente. Na véspera da noite em que Joesley Batista gravou Michel Temer no Jaburu, ou seja, no dia 6 de março, o ex-procurador Marcello Miller esteve na sede da JBS, em São Paulo


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