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Ninguém roubou na Petrobras sem a concordância de Lula e Dilma, diz cientista político



Embora vários integrantes de outros partidos como PMDB e PP tenham participado dos esquemas criminosos que drenaram bilhões do caixa da Petrobras, o fato é que nenhum político poderia indicar diretores corruptos para cargos estratégicos na estatal sem o aval dos ex-presidentes Lula e Dilma.

O próprio Lula já admitiu em depoimento ao juiz Sérgio Moro que o loteamento dos cargos na Petrobras funcionava como uma moeda de troca de apoio político para a base aliada dos governos petistas. Por meio de videoconferência na Justiça Federal em São Bernardo do Campo (SP), Lula falou ao juiz federal Sérgio Moro no dia 30 de novembro do ano passado como funcionava o esquema:

  “A nomeação do Cerveró se deu da mesma forma que outros membros da direção da Petrobras, ou seja, a indicação é feita em uma conversa entre o ministro da área com um partido, com a bancada do partido que fez coalizão com o governo. Essa pessoa – se indicada pelo partido – vem através do ministro de Relações Institucionais para a Casa Civil, que manda para o GSI [Gabinete de Segurança Institucional]. Se não tiver nada contra essa pessoa, essa pessoa é indicada para o Conselho da Petrobras"

Detalhe: na época da nomeação de todos os diretores corruptos que foram presos na Lava Jato, o Conselho da Petrobras era presidido por Dilma Rousseff, que tinha entre seus conselheiros o ex-ministro Guido Mantega, que foi substituído pelo então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, preso atualmente em Curitiba.

Foi de Coutinho que partiu a ordem para destruir todas as  gravações das reuniões do seu Conselho de Administração que constavam as participações da ex-presidente Dilma Rousseff, que chefiou o colegiado de 2003 a 2010. A destruição das gravações torna mais difícil saber, em detalhes, como se deram as discussões dos conselheiros ao aprovar os investimentos da companhia. A destruição dos registros determinada por Coutinho, que também presidiu a Petrobras, inviabilizou ainda as investigações sobre as irregularidades cometidas pelos membros do próprio Concelho no exercício dessas funções.

Voltando ao depoimento prestado pelo ex-presidente Lula em novembro, ao juiz Sérgio Moro na ação em que foi arrolado como testemunha de defesa do ex-deputado Eduardo Cunha, o petista voltou a ser indagado pelo Ministério Público Federal (MPF) quais partidos tinham participação na indicação de cargos na Petrobras

 ” Eu já expliquei mais que uma vez que quando o partido compõe uma aliança política para governar todos os partidos, que compõem, podem reivindicar ministério, podem reivindicar cargo. E esses partidos então fazem parte do governo. É assim que era montado antes, durante e é assim que é montado agora”, disse o ex-presidente. “Eu não sei agora de cabeça quais os partidos, mas eu sei que o PMDB indicou cargos na Petrobras. Eu sei que o PP indicou cargo na Petrobras. Eu sei que o PT indicou cargo na Petrobras. E tem outros cargos indicados na Petrobras que nem passam pela Casa Civil, nem passam pelo Conselho”, afirmou Lula na ocasião.

Para se ter uma ideia do tamanho do assalto na Petrobras, apenas o núcleo do PMDB foi acusado na última sexta-feira (8) de setembro de ter causado um prejuízo de mais de R$ 5 bilhões à estatal. Foram denunciados os senadores Romero Jucá, Edison Lobão, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Jader Barbalho, além do ex-senador Sérgio Machado e o ex-presidente e ex-senador José Sarney. Todos integrantes da base de apoio dos governos Lula e Dilma.

Dois dias antes, Lula, Dilma, os ex-ministros Antônio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Edinho Silva (Secretaria da Comunicação), Gleisi Hoffman (Casa Civil) e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foram denunciados no processo que investigava a organização criminosa que vitimou a Petrobras. Na denúncia, na qual o ex-presidente Lula figura como chefe da organização criminosa, a  Procuradoria-Geral da República requer bloqueio de R$ 6,5 bilhões em bens dos envolvidos.

Como se vê, nenhum desvio teria sido possível sem a benção dos ex-presidentes Lula e Dilma. Não é por acaso que Lula figura como o chefe da organização criminosa que vitimou a Petrobras. Para fortalecer ainda mais esta perspectiva, o ex-ministro Antonio Palocci confessou ao juiz Sérgio Moro dias antes que Lula determinou que parte dos investimentos destinados ao pré-sal fossem desviados para os cofres do PT e que Dilma havia participado de várias reuniões para acertar a partilha das propinas.

Logo que assumiu a Presidência da República, o presidente Michel Temer determinou o fim de indicações políticas para qualquer cargo na Petrobras. Desde então, a estatal escapou do risco de falência e saltou de um valor de mercado de R$ 47 bilhões para mais de E# 250 bilhões em pouco mais de um ano.

"Não haverá indicações políticas na Petrobras. [...] Isto foi uma orientação clara que o presidente Temer me passou. Então, vou ser claro e taxativo com relação a este ponto: não haverá indicação política, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha vida própria porque, se isso fosse o caso, o que não será, certamente, elas não seriam aceitas",  confirmou o atual presidente da estatal, Pedro Parente, logo que assumiu o comando da Petrobras em maio de 2016. 
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