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Ferida aberta por Palocci jamais irá cicatrizar, dizem dirigentes do PT. Lula se isola após traição mortal



O ex-presidente Lula sofreu o mais duro golpe em mais de 40 anos de sua vida pública. Esta é a avaliação feita pelo próprio Lula, externada por quase todos os dirigentes do partido. "Ele já foi alvo de milhares de denúncias desde o escândalo do mensalão e conseguiu sobreviver a praticamente todos os ataques desferidos por seus inimigos" diz um dirigente do partido.

Mas desta vez, Lula foi atingido por um irmão de sangue, um cofundador do PT que acompanhou a trajetória do ex-presidente até a chegada do partido ao Palácio do Planalto em 2002 e a queda em 2016. A traição de Palocci foi um golpe que Lula ainda não conseguiu assimilar, dizem pessoas próximas. Ele confiou a Palocci segredos que não compartilhou nem com pessoas mais próximas, como a ex-presidente Dilma.

Apesar de ter revelado apenas detalhes sobre crimes já investigados na Lava Jato, Palocci excedeu os limites da meticulosidade e não poupou palavras duras ao se referir aos negócios mantidos pelo ex-presidente com executivos da Odebrecht. Palocci foi mais duro que os próprios Emílio e Marcelo Odebrecht.

Segundo um dirigente do PT, "O golpe de Palocci não poderia vir numa hora pior, segundo fontes ligadas ao ex-presidente. Lula havia feito um esforço dispendioso e cansativo durante mais de 15 dias de caravana pelo Nordeste. Tudo para minimizar os impactos negativos sofridos em sua imagem e na imagem do partido nos últimos anos. Ai vem o Palocci e põe tudo a perder com um depoimento tão devastador ao juiz Sérgio Moro".

Lula está mais abatido do que em qualquer outro momento da Lava Jato. O petista tinha forças para rebater acusações de qualquer um, mas percebe-se que agora não é mais capaz nem de manter a narrativa de que o ex-ministro teria dito o que disse porque estava preso e sendo pressionado. Durante o depoimento, Palocci foi bastante claro ao afirmar que tinha plena consciência sobre os fatos investigados e concluiu, segundo o próprio Palocci, que a melhor maneira de colocar um fim a todas as dúvidas e extrair da situação algum benefício de redução de pena seria esclarecer os fatos de uma vez.

Além de reafirmar sua disposição em esclarecer os fatos, Palocci ainda ofereceu provas e citou outros detalhes referentes aos negócios de Lula que nem faziam parte da ação penal em que o petista figura como réu, acusado de receber vantagens ilícitas da Odebrecht. Toda esta espontaneidade magoou profundamente o ex-presidente Lula e abriu cicatrizes que segundo o próprio petista, jamais vão se cicatrizar.

Apesar de ter omitido suas relações com o mercado financeiro e grandes empresários, inclusive dos meios de comunicação, Palocci foi implacável com Lula ao descrever o "pacto de sangue" firmado em 2010 com a Odebrecht, no qual ficou encarregado de administrar os R$ 300 milhões em propinas destinados a Lula e ao PT. Palocci foi além e mencionou fatos relacionados as benesses imobiliárias para o presidente, como o terreno para o Instituto Lula e o sítio em Atibaia.

A inteligência e habilidade de Palocci em conduzir os interesses do PT eram atributos admirados por todos no partido. Junto à militância, o ex-ministro gozava de uma reputação acima da média dos demais petistas e era considerado uma reserva estratégica nos quadros da legenda. O depoimento de Palocci não apenas abriu uma ferida profunda nos líderes do partido, como também estilhaçou em mil pedaços o pouco que restava da unidade do PT. Diante da morte das narrativas, a alternativa para muitos agora será buscar uma nova legenda, confessa um dirigente. 
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