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Entre a cruz e a espada, Janot avalia o risco de suspender a imunidade penal e punir Joesley Batista



Pressionado de todos os lados, o procurador-Geral da República Rodrigo Janto avalia os riscos de suspender a imunidade penal do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, medida que deverá ser seguida de punições severas, como um pedido de prisão do dono da JBS. Este é o desejo da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal e da maior parte dos procuradores do Ministério Público Federal.

O problema é que a imunidade penal é o maior benefício previsto no acordo de delação obtido por Joesley Batista, não se sabe por que meios. Mexer neste privilégio pode acarretar consequências ainda mais devastadoras que as que Janot já terá que enfrentar logo após deixar o comando da PGR no dia 17 de setembro. Vulnerável sem sua preciosa imunidade, Joesley tem o potencial de espernear mais que Anthony Garotinho no dia que foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, em 17 de novembro do ano passado.

Se fosse apenas pelo esperneio, estaria tudo bem. O problema é que Joesley pode jogar coisas extremamente desagradáveis no ventilador, caso venha a ser preso. E apesar de tantas incertezas sobre o que pode vir a acontecer neste cenário, Joesley ainda não é o único problema de Janot.

Há ainda o executivo Ricardo Saud, que parece ter bem menos juízo que seu patrão açougueiro. Saud foi o ponta de lança da 'operação controlada' que envolveu o ex-assessor do presidente Michel Temer no pitoresco episódio da mala com R$ 500 mil. Não precisa ser muito perspicaz para notar que Rodrigo Rocha Loures representa um problemão para Janot e Fachin. O sujeito permanece blindado e intocável, mesmo sem contar com a prerrogativa de foro privilegiado providencialmente removido pelo próprio Temer.

A possibilidade de Ricardo Saud revelar uma trama que Janot e Fachin não querem ver esclarecida tão cedo já é motivo mais que suficiente para pensar duas vezes antes de suspender a imunidade penal  do executivo.

Mas os problemas de Janot podem ser bem mais complexos, ou alguém se esqueceu de seu ex-braço direito por três anos, o ex-procurador da República Marcelo Miller que ajudou a JBS a formatar o acordo de delação dos sonhos? Não há como Janot considerar a possibilidade de mandar prender Joesley e Ricardo Saud sem mandar prender seu eterno auxiliar. Ainda mais levando em conta que Janot mandou prender o procurador da República, Ângelo Goulart Vilela, acusado por Joesley Batista de vazar informações de um outro inquérito, a Operação Greenfield, para a JBS.

Para piorar a situação, Janot não tem tanto tempo assim para tomar logo uma decisão que atenda às pressões do STF e do próprio MPFederal, as duas instituições mais difamadas pelas insinuações infames de Jesley e  Ricardo Saud na gravação que ameaça o acordo de delação premiadíssima da JBS. Antes do fim de seu mandato, Janot terá que finalizar o processo de revisão do acordo aberto na segunda-feira. Será preciso colher novos depoimentos de Joesley Batista e Ricardo Saud antes de Antes de mandar a discussão para o plenário do STF, onde as chances de suspensão da imunidade dos açougueiro é são de 100%. O pedido de urgência da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia não foi por acaso.

Mas mesmo antes de todos estes fatos, Janot já está sendo diligentemente pressionado por ministros do STF para que peça logo a prisão dos dois executivos, tratados agora como delinquentes irresponsáveis pelos ministros do Supremo. Na verdade, há sede no STF para que Joesley e Ricardo Saud sofram logo punições exemplares.

A julgar pela 'lentidão' de Janot em tomar logo as providências cabíveis, depreende-se que há sim problemas muito mais graves que ainda pesam na decisão de mandar prender os açougueiros cachaceiros e arruaceiros de Goiás. 
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