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Depois de seis décadas, Temer está colocando um fim na utopia burocrática do Brasil, diz Bloomberg



O presidente Michel Temer está colocando um fim em seis décadas de utopia burocrática que permitiu o surgimento de uma elite privilegiada de funcionários públicos, Durante anos, os brasileiros sonharam com com os cargos do setor público e viam as oportunidades criadas pela classe política como um refúgio seguro e repleto de vantagens inimagináveis no setor privado. Os benefícios garantidos pelo estado à elite do funcionalismo público brasileiro impressionariam mesmo algumas das empresas mais ricas Vale do Silício.

Segundo a matéria publicada no Boomberg, Temer está desencorajando os aspirantes aos cargos cobiçados oferecidos pelo Estado, enquanto ele se move para reduzir uma máquina burocrática notoriamente inchada por anos de negligência de outros governantes. O governo estuda a venda de dezenas de ativos do estado em um moderno programa de privatização. Até mesmo a Casa da Moeda Nacional entrou na lista, o que não pode ser uma boa notícia para os 2.700 funcionários. É improvável que o comprador continue a fornecer-lhes acesso sem custo aos dentistas, médicos, nutricionistas e massoterapeutas no local. Em nenhum lugar do mundo há tantas estatais quanto o Brasil, que vê boa parte de suas receitas sendo sugadas por uma pequena classe de privilegiados, enquanto o resto da população enfrenta dificuldades em praticamente todos os serviços essenciais, como saúde, segurança, saneamento, educação e outras atribuições do Estado.

Os planos de Temer representam um pesadelo para aqueles que sonhavam em ingressar no serviço público com salários que podem chegar a R$ 23 mil. Nada mal para um jovem de 23 anos recém formado e sem qualquer experiência. A ideia do governo é limitar o salário inicial de servidores até o teto de R$ 5 mil. Algo ainda acima da média do setor privado. Pela nova política, o servidor que ingressar no serviço público daqui para frente levará mais tempo para alcançar o teto do salário do funcionalismo.

A modernização da máquina pública preocupa uma categoria que já ficou conhecida no Brasil como "os concurseiros", gente da classe média que tem tempo para se dedicar aos estudos, visando a segurança, estabilidade, mordomias e os altos salários garantidos até então pelo Estado. Os aspirantes que se prepararam para o exame de serviço público em centenas de escolas estão revendo seus planos e o um setor de preparação de testes que, até recentemente, estava crescendo, sentiu o baque. Depois de Temer colocar um congelamento em empregos do setor público no ano passado, o corpo estudantil da Rede Educacional Alub despencou para 1.900 para 1000 alunos. "Todo mundo está preocupado", disse Franklin Andrejanini, o coordenador da escola.

Para aqueles que ainda estão tomando aulas, o que Temer está fazendo é uma traição. "Escolhemos esse caminho para um trabalho que gostamos, pela qualidade de vida", disse Juliana Perisse, 23, que começou a estudar há um ano. "As reformas estão eliminando nossa aposentadoria e nossos direitos".


Muitos no setor público falam sobre direitos quando enfrentam Temer não deve mexer com o status quo. Eles estão preocupados não apenas com a perda segurança do emprego, mas dividendos de trabalho, como os oferecidos pela empresa de administração aeroportuária Infraero. Entre eles: dois planos de seguro de saúde; subsídios para gasolina, mantimentos, incluindo alimentos especiais para dietas, e vouchers de almoço generosos mesmo durante as três férias e até mesmo durante os feriados.

O trem para a felicidade começou a rodar quando Brasília foi criada, derrubada de um platô árido e praticamente no meio do nada, embora com o prémio visualmente famoso do célebre arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer projetando muitas de suas grandes estruturas fluidas. Algo tinha que ser feito para atrair talentos para a savana das praias do Rio de Janeiro e as luzes brilhantes de São Paulo. A atração: salários e brindes fora da oferta oferecidos por empregadores privados ou mesmo muitos ministérios em outros locais, como motoristas e vôos gratuitos.

Agora, aproximadamente 250.000 pessoas, ou 40 por cento da força de trabalho em Brasília, ocupam empregos do governo - sem contar os empregados pelo Judiciário, o Congresso Nacional e os militares. Eles são todos em classes privilegiadas, muitos pertencentes a clubes, um para quase cada profissão e muitas vezes subsidiado, com piscinas e campos de ténis.

Os brasileiros que vivem longe da capital vêem isso como uma cidade de mocassins mimados, enquanto a taxa de desemprego nacional é de 13 por cento. Mesmo alguns habitantes locais estão fartos, apesar do fato de seus meios de subsistência podem ser ameaçados por um serviço civil encolhido.


Mauricio Vale Borges, um óptico de 48 anos, disse que o gigante "estado paternalista" foi um erro desde o início e é ridículo agora. "Está fora de contato com a realidade do país".

Ele também administra uma loja de óculos em Brasília, onde viu os funcionários públicos desfrutar de benefícios que ele só pode sonhar. "Não tenho ciúmes com eles", disse ele. "Estou com vergonha por eles".

"Temos 151 empresas estatais que empregam mais de meio milhão de pessoas com orçamentos de 1,2 trilhão de reais", disse Gil Castelo Branco, economista do Contas Abertas. Essa soma, ele ressaltou, é apenas do tamanho do PIB argentino.

Temer está reduzindo a tinta vermelha no Brasil e já cortou as mamatas de artistas, sindicalistas e de movimentos sociais que consumiam bilhões do dinheiro do contribuinte. Não é por acaso que o presidente do Brasil tem sido alvo de ataques sistemáticos de todos os lados, inclusive dos meios de comunicação, que viram as generosas verbas publicitárias do governo minguarem para menos da metade do que era gasto pelos governos de esquerda. Os ataques parte justamente das elites que sempre se beneficiaram da generosidade exacerbada do Estado burocrático, inclusive de setores da Polícia Federal, Procuradoria-geral da República e do Supremo Tribunal Federal. A ordem no momento é derrubar o presidente a qualquer preço, antes que ele acabe com mais privilégios.

A ampliação da distribuição de riquezas no país está sendo feita gradativamente, através da redução da inflação e dos juros, onde mais dói no bolso do trabalhador. O temor dos grupos contrários ao governo é o de que a população comece a se dar conta de que as mudanças promovidas pelo governo estão apresentando resultados imediatos em suas vidas.


- Com a assistência de Gabriel Shinohara, e Ana Carolina Siedschlag

Artigo original no Bloomberg
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