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A volta do "Meu malvado favorito" - Após queda de Janot, Cunha emerge das trevas para terminar o serviço com o PT



Consta na delação da Odebrecht oo pagamento de R$ 24,3 milhões ao grupo do ex-deputado Eduardo Cunha por conta da liberações do FI-FGTS. Como todos sabem, Dilma e Lula eram quem instruíam a distribuição de propinas da empreiteira com o objetivo de angariar apoio político no Congresso, bem como o apoio nas eleições de 2006, com Lula e 2010 e 2014 com Dilma. Cunha anunciou seu rompimento político com o governo Dilma Rousseff no dia 17/07/2015.

Os motivos? Nos meses anteriores, Cunha trabalha com afinco para nomear alguém de seu grupo político para comandar parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para conseguir o controle sobre o fundo de investimento do FGTS (FI-FGTS), Cunha tentou promover uma dança das cadeiras na Caixa Econômica Federal, colocando Fábio Cleto, então vice-presidente de Governo e Loterias, na vice-presidência de Ativos de Terceiros. Mas Dilma colocou o pé no barranco e manteve seu pupilo no cargo, Marcos Vasconcelos, que tinha ainda o apoio da então presidente da Caixa, Miriam Belchior, e da própria Dilma Rousseff.

Cunha sempre quis ter o controle da gestão do FI-FGTS. Seu afilhado no banco estatal, Fábio Cleto, já participava do comitê de investimento do FI-FGTS e estava de olho na fonte de recursos administrados pela Caixa, o FI-FGTS que na época somavam R$ 32,8 bilhões investidos pelo BNDES como sócio de empresas como a JBS e em financiamentos para empreiteiras como a Odebrecht.

Cunha ficou revoltado por ter sido barrado no esquema e anunciou seu rompimento imediato com o governo: "Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente estou rompido", enfatizou Cunha em coletiva de imprensa no salão verde da Câmara, naquela sexta-feira 17 de julho de 2015.

Para conter o estrago que Cunha poderia causar ao seu governo, Dilma acionou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que ele envolvesse Cunha na Operação Lava Jato a partir da delação do ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo. Na época, Cunha rebateu as acusações e disse que o procurador-geral da República, a mando do governo, obrigou o delator a mentir em seu depoimento para constranger o Legislativo. Na visão dele, o Planalto está por trás de uma tentativa de "constranger" o parlamento, em articulação com o procurador-geral da República.

Este foi o maior erro de Dilma e acabou lhe custando o cargo de presidente da República. Cinco meses mais tarde, mais precisamente no dia 2 de dezembro de 2015, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, autorizou a abertura do processo de impeachment contra a petista. Na guerra entre bandidos, os dois saíram feridos. Dilma perdeu seu cargo e Cunha acabou tendo seu mandato cassado e foi preso.

Um fato curioso e pouco divulgado pela imprensa é que Eduardo Cunha sempre foi um desafeto do então vice-presidente Michel Temer. O atual presidente da República não via com bons olhos a influência de Cunha no PMDB e temia que o peemedebista novato conseguisse controlar o partido. Mas como Eduardo Cunha conseguiria tomar o PMDB das mãos de Temer? Simples. Com dinheiro. Com muito dinheiro.

Antes de sua aliança mortal com Dilma, Cunha havia feito uma outra aliança criminosa com o ex-presidente Lula, logo durante o início primeiro mandato do petista, em 2003. Cunha era uma pela chave usada por Lula para comprar apoio político e ampliar a base governista. Eram através das indicações de Lula que Cunha conseguia entrar no bolo de propina em obras bilionárias. O deputado usava os recursos ilícitos com duas finalidades: garantir o apoio ao governo Lula e se cacifar dentro do PMDB e de outros partidos para chegar à Presidência da Câmara dos Deputados. Foi o próprio Lula que criou o monstro que devoraria o PT anos mais tarde. Com o dinheiro que Lula lhe repassava, cunha acumulou força e acabou derrotando o candidato oficial do Palácio do Planalto, Arlindo Chinaglia (PT-SP) com 267 votos contra  136 votos do petista em fevereiro de 2015. Nesta época, Temer que já não mandava nada no governo, via com receio a ascensão de Cunha e temia perder também a influência no PMDB. Temer estava duplamente descontente. Dilma também não gostava dele, não aceitava seus conselhos para cortar gastos da máquina pública visando o equilíbrio das contas e a redução da inflação.  Dilma fazia questão de ignorar suas fórmulas relegava a Temer um mero papel de vice-presidente decorativo, como o próprio Temer chegou a se queixar em carta enviada a então presidente.


Foi a partir desta manobra que a relação de Cunha com Lula e Dilma começou a azedar.  “O governo nunca me quis e não me quer como presidente da Câmara. O governo não me engole, tem um ódio contra mim. Tem um bando de aloprados no Planalto que vive desse tipo de circunstância, de criar constrangimento”, comentou Cunha na época que começou a ser perseguido por Janot a mando de Dilma.

Mas antes disso, o próprio governo, tanto o de Lula quanto o de Dilma, forneceram munição para que o deputado conseguisse chegar onde chegou. Entre os negócios milionários que Cunha teve acesso garantido por Lula, está o campo de petróleo na costa de Benin, na África, negociado pela Petrobras em 2007 e concluído em 2011 com a compra de 50% do bloco 4 da reserva. As investigações da Operação Lava Jato descobriram que o ex-deputado Eduardo Cunha faturou milhões no negócio. Segundo a investigação, a Petrobras desembolsou US$ 34,5 milhões para a Compagnie Béninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH), subsidiária da Lusitania Petroleum, que permaneceu com os 50% restantes do campo. Nos anos seguintes, a Petrobras ainda desembolsou outros US$ 66 milhões até concluir que se tratava de um posto seco. Todo o dinheiro foi gasto deliberadamente a mando da direção da estatal com o único propósito de distribuir propina ao grupo de Cunha a mando de Lula. Já os outros poços lucrativos, avaliados em US$3,5 bilhões, foram vendidos  por US$ 1,5 bilhão em 2013 para André Esteves, amigo do ex-presidente Lula e o dono do banco BTG Pactual.

O fato é que Cunha nunca teria conseguido se envolver em tantos esquemas criminosos sem o aval de Lula e Dilma, que controlavam com mão de ferro os negócios na Caixa, BNDES e Petrobras. O PT não abria mão do controle destas minas de ouro por nada. O modelo de negócios do PT para ampliar a base de apoio governista vinha sendo implantado no Congresso desde os tempos do mensalão. Cunha era um dos players de ponta neste jogo e a aliança com Lula e Dilma só se desfez quando o ex-deputado começou a demonstrar que tinha seus próprios planos de poder.

Preso há quase um ano, Cunha chegou a usar um questionário de perguntas destinado ao presidente Michel Temer, mas aquela iniciativa foi apenas parte de sua tentativa de defesa nos processos da Lava Jato. O ex-deputado imaginava que, ao negar conhecimento sobre os fatos questionados, Temer estaria contribuindo para sua linha de defesa. Afinal, tratava-se da palava de um presidente da República. Mas a tentativa de Cunha de se safar da prisão por este meio foi malsucedida. O juiz federal Sérgio Moro sempre esteve um passo à frente dos criminosos e nunca escorregou nas cascas de banana deixadas pelo meio do caminho por gente como Cunha, Janot e Marcelo Odebrecht. Este teria sido inclusive o motivo de descontentamento de alguns procuradores da República que atuavam na força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Moro nunca levava ao pé da letra tudo que Rodrigo Janot distribuía. Enciumados, os pupilos do ex-procurador-geral pareciam torcer para que Moro caísse em alguma de suas armadilhas.

Mas desde que foi preso, Cunha jamais ousou tentar um acordo de delação premiada, pois sabia que seus relatos seriam invalidados pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aliado de Lula e Dilma. Agora que Janot está fora da PGR, Cunha finalmente se sentiu seguro para propor um acordo de delação. Como medida de segurança, Cunha já avisou que só encaminhará sua proposta de delação quando toda a antiga equipe de Janot for substituída pela equipe da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O ex-deputado que ficou conhecido como "Meu malvado favorito" na  época do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef promete voltar agora ainda mais malvado. Cunha está disposto a terminar o serviço que começou e pretende causar um estrago ainda maior no PT e em alguns desafetos do PMDB. Interlocutores do ex-deputado garantem que ele é frio, calculista e vingativo. Mas não é injusto. Segundo fontes, Cunha não vai incriminar Temer pelo simples fato de não possuir absolutamente nada contra o presidente. O fato de Temer ser o comandante do PMDB não diz nada, segundo aliados de Cunha. Temer nunca liderou o partido nem seus principais expoentes nunca seguiram Temer. O negócio no PMDB sempre foi cada um por si e todos com o governo, fosse qual fosse.

"O partido tem vários núcleos que não se comunicam. É como se fossem vários partidos dentro de um só. Nem tudo está conetado no PMDB e Temer é praticamente o único que não está conectado a nenhuma irregularidade na legenda. Como qualquer presidente de partido, Temer solicitou doações para campanhas. Mas todas foram negociações republicanas, como ele sempre fez questão de negociar.", diz um deputado da base governista.

Os sinais são bastante claros neste sentido. Cunha já desmontou as acusações feitas pelo doleiro Lúcio Funaro, aliado dele e de Fábio Cleto, contra o presidente Temer. Em sua delação, segundo fontes, Cunha deve esclarecer de que forma Janot usou Funaro e lhe garantiu um acordo tão rápido, faltando poucos dias para deixar o comando da PGR e apresentar a última denúncia contra Temer. Para quem espera um retorno discreto de Eduardo Cunha, pode ir tirando o cavalinho da chuva. O ex-deputado deve chegar em Lúcio Funaro com uma voadeira com dois pés. 
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