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Lula força o sorriso em público, mas vive drama angustiante. Mobilização zero após sua condenação indica o fim do PT



Quem acompanha de perto o drama vivido pelo ex-presidente Lula nos últimos dias já está acostumado a conviver com as mudanças repentinas no humor do petista. Sorumbático e pouco esperançoso desde a condenação no caso do triplex, Lula ainda reage em uma fração de segundos diante das câmeras ou da presença de alguém pouco familiarizado com sua natureza.

Por mais que o petista tente se manter combativo, sua real situação perante a Justiça não é nada animadora. Para piorar, a fragmentação da militância petista tirou de Lula o elemento fundamental para levar adiante sua defesa no campo político: as multidões. Este era o fator com que Lula mais contava e o que tem sido motivo de todo seu desespero nos últimos dias.

O petista passa horas tentando convencer controladores de movimentos sociais sobre a realização de atos em desagravo a sua condenação, mas praticamente todas as suas tentativas foram frustradas até o momento. O ex-líder sindical que sempre se valeu da audiência de grandes multidões de simpatizantes acaba de descobrir que sua presença passou a "esvaziar" os atos da esquerda.

O poder de mobilização popular era o principal trunfo de Lula e do PT contra o juiz Sérgio Moro ou qualquer outro magistrado que tenha em sua mesa algum processo contra o ex-presidente. Este poder não existe mais. Lula pode ser preso amanhã mesmo e nada vai acontecer Brasil afora. Uns poucos militantes chorosos, os protestos da bancada da chupeta e as opiniões dos artistas petistas nas redes sociais e nada é a mesma coisa.

Lula já experimentou a angústia de não ter praticamente ninguém por ele quando foi conduzido coercitivamente em março do ano passado pela Polícia Federal. O petista testemunhou a mesma indiferença após ter sido condenado pelo juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Para piorar a vergonha, Lula ainda teve todos seus imóveis confiscados pela Justiça e os R$ 9;6 milhões encontrados em suas contas bloqueados.

O petista sabe que existe uma distância muito grande entre um eleitor afirmar despretensiosamente que votaria nele a ir para as ruas arrancar os cabelos por sua prisão. Lula sabe que muitos consultados pelos institutos de pesquisa apontam seu nome apenas por falta de opção, ou até mesmo por provocação. O pior de tudo: Lula e o PT sabem que as pesquisas de opinião não traduzem a realidade de uma campanha onde as cartas, e os podres, são colocados na mesa dos debates e que esta realidade pesa bastante na hora do voto propriamente dito. Assim como Haddad, Lula se tornou o tipo de candidato conhecido como Cavalo Paraguaio, aquele que aparece bem nas pesquisas, mas que perde o fôlego diante de adversários mais bem preparados e menos rejeitados pela opinião pública. A rejeição ao nome do petista, na casa dos 70%, funciona como a centelha de um incêndio capaz de lamber os poucos votos que lhe restam.

Mas como tudo que há de ruim sempre pode piorar um pouquinho, Lula e o PT sabem que o petista pode se tornar inelegível e sequer concorrer nas eleições majoritárias em 2018. Esta é a versão do pior cenário para a legenda. Sem o petista para puxar votos, as chances do partido eleger senadores, deputados federais e governadores caem a níveis dramáticos. Daí o desespero de seus apoiadores. Praticamente todos os candidatos do PT dependem de Lula em suas campanhas assim como dependem do ar que respiram.

Ao conviver com o drama angustiante dos companheiros de partido, Lula acaba sugerindo soluções óbvias, quando todos sabem que as coisas não são tão simples assim. Há poucos dias, durante reunião do diretório nacional do PT, Lula defendeu que partido realize uma série de reformas e vá "para a rua" retomar o contato com os movimentos sociais.

— O PT precisa aprender que ele tem que ir para a rua conversar com as pessoas, conversar com os movimento sociais. Recuperar o nosso poder de convencimento — declarou o petista sem conseguir cativar o ânimo dos presentes.

Todos estão cansados de saber que o PT pode ir para a rua apenas na teoria. A hostilização ao nome e aos símbolos do partido faz parte da dura realidade enfrentada pro seus membros que se arriscam a exposição pública sem o devido acompanhamento de seguranças e militantes. Somente em São Paulo, antigo reduto do partido, o PT perdeu mais de 90% dos simpatizantes e precisa tomar militantes emprestados da CUT e do MTST para realizar qualquer ato. Embora a maior angústia de Lula seja realmente o destino trágico que o aguarda, o drama entre os demais integrantes do PT gira em torno da morte do partido e de suas carreiras na políticas. Enquanto for possível, Lula e o PT vão continuar blefando. É tudo que lhes resta agora.
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