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Janot buscava algo contra Temer desde a queda de Dilma. PGR pode ter exigido Fake News de Joesley em troca de acordo



O procurador-geral da República Rodrigo Janot está há mais de um ano tentando encontrar algo incriminador contra o presidente Michel Temer. Ligado umbilicalmente a Dilma, ao lado do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin,  Janot tem extrapolado as atribuições de seu cargo para atingir o atual governo desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Sua primeira tentativa ocorreu apenas dez dias após a posse de Temer, ainda como presidente interino, com o vazamento dos áudios do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Os métodos para comprometer membros do governo recém formado por Temer foram os mesmos utilizados por Joesley Batista um ano mais tarde.

De forma oculta, Sérgio Machado gravou conversas com vários membros do governo Temer, nas quais ficou evidente que o ex-presidente da Transpetro tentava arrancar algo comprometedor de seus interlocutores.

Em um dos trechos da conversa gravada com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) divulgado no dia 23 de maio de 2016, Machado dizia: "O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. [...] Ele acha que eu sou o caixa de vocês".

O vazamento dos áudios serviu de munição para Dilma e o PT darem início a uma série de ataques ao incipiente governo Temer, que teve que desligar o recém nomeado ex-ministro do Planejamento Romero Jucá. Os desgastes do governo Temer logo nos primeiros dias de interinidade provocados pelas manobras de  Janot na PGR foram apenas os primeiros sinais de que havia algo errado com a conduta do procurador.

Na semana passada, mais de um ano após o controverso acordo que beneficiou o ex-presidente da Transpetro, a Polícia Federal concluiu que Sérgio Machado "não merece" os benefícios do acordo firmado por Janot. Em relatório de 59 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a delegada Graziela Machado da Costa e Silva desqualificou a colaboração de Machado que, para se livrar da prisão, gravou conversas com os caciques do PMDB, os senadores Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (AP), nas quais predominou suposta tentativa de obstrução da Operação Lava Jato.

"No que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam", assinalou a delegada da Polícia Federal.

De fato, as denúncias de Janot não prosperaram, todas as acusações foram arquivadas por absoluta falta de provas, mas o estrago provocado naqueles primeiros dias de governo Temer são irreversíveis.

Desde então, Janot vem barrando acordos de delação notadamente repletos de potencial de comprometer os ex-presidentes Lula e Dilma, além de vários integrantes da cúpula dos governos petistas. É o caso do acordo de delação do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, que tenta um acordo desde 2015, e do publicitário Marcos Valério, que tenta um acordo desde 2013.

Por outro lado, Janot vinha se esforçando para obter alguma delação contra o presidente Temer, sem sucesso. Pelo menos até o dia em que o empresário Joesley Batista bateu em sua porta. As digitais de Janot estão presentes em todos os detalhes do controverso acordo firmado com os criminosos da JBS. A possibilidade de Janot ter proposto a Joesley fazer uma gravação para tentar comprometer o presidente Michel Temer em troca de um generoso acordo de delação é concreta.

Neste cenário, Janot poderia matar dois coelhos com uma cajadada só: blindar Lula, Dilma e demais petistas e, ao mesmo tempo, conseguir um factoide, uma "Fake News", para derrubar Temer com a ajuda de seus contatos nos meios de comunicação, tradicionais receptores de seus vazamentos seletivos.

Joesley, que já vinha sendo investigado pela Polícia Federal há mais de dois anos e já tinha se tornado alvo de cinco Operações da Lava Jato, estava desesperado e disposto a topar qualquer parada para se safar das centenas de crimes que havia cometido.

Segundo o próprio Janot, os irmãos Batista impuseram uma condição para delatar: exigiram a imunidade total, ou seja, e a garantia de que não iriam responder a nenhum dos crimes denunciados. "Essas pessoas chegaram para mim e disseram assim: ‘Nós aceitamos negociar tudo, mas a 'não denúncia' a gente não aceita negociar’, tentou justificar Janot em entrevista recente.

Naquela altura do campeonato, a  JBS já tinha se tornado alvo de seis operações da Polícia Federal, a Bullish, Cui Buono, Greenfield 1 e 2,  Carne Fraca e Sepsis, Joesleu estava prestes a ir em cana, mas Janot estava disposto a tudo para incriminar Temer. Não fazia nem questão de provas. Apenas algo que pudesse usar para derrubar o presidente com a ajuda de seus parceiros dos meios de comunicação. De quebra, Janot ainda conseguia favorecer o PT, destruindo definitivamente a crença dos brasileiros na classe política.

Janot Já havia incorporado toda a dinâmica dos vazamentos da Lava Jato e sabia manipular com maestria as informações que vazava. Por outro lado, os meios de comunicação sabiam que aquele tipo de notícia rendia milhões em audiências e cliques em seus sites na internet. Ninguém no meio estava preocupado com reputação ou com a estabilidade política e econômica do país.  Neste jogo sujo e inescrupuloso, cada jogador estava mais preocupado com seus interesses particulares, sejam o de livrar a própria pele, seja o de vingar de um inimigo político ou de lucrar milhões em poucos dias. A ideia de derrubar um presidente era um prato cheio para os jogadores.

A irresponsabilidade de Janot nestes episódios levou a Polícia Federal a tomar a dura decisão de desligar os procuradores da Republica do Ministério Público Federal da força-tarefa da Operação Lava Jato. De fato, a postura de Janot, que fazia uso político da operação, já incomodava os investigadores. A gota d'água foi justamente o acordo de delação da JBS, no qual Janot livrou os açougueiros criminosos da Friboi de serem confrontados pelos seus crimes.

Mas os desdobramentos deste episódio pode jogar a reputação de muita gente no lixo e outros envolvidos na cadeia. A possibilidade da Polícia Federal ou da nova Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, resolver investigar a fundo este caso e cancelar o acordo de delação premiadíssima de Janot com a JBS é alta.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, por mais controverso que seja, já externou alguns elementos do jogo de Janot que devem ser investigados em breve:  “Porque é assim que se faz esse modelo de envolvimento da mídia no contexto geral. Como é que se faz? Divulgando a delação ao bel talante do Ministério Público. Nós estamos chancelando isso, notórios abusos, violação clara da lei. Não se pode mais deixar que isso transite.”

“É preciso dizer chega! Basta! Já erramos demais, já erramos demais em relação a isso. E isso é claro, é transparente. Qual é o jogo? Ah, pega-se o vídeo e joga-se no Jornal Nacional e empodera-se o procurador. E nós vamos chancelar esse tipo de patifaria? e vamos referendar isso? E somos tolos? As pessoas podem desprezar tudo, podem não nos respeitar, mas não vilipendiem a nossa inteligência.”, afirmou o ministro durante sessão de terça-feira, 1, da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.
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