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ACABOU. Janot foi desmascarado pela Lei de Acesso à Informação Marcelo Miller esteve em reunião no acordo da JBS



Acabou a farsa. O procurador-geral da República foi desmascarado pela Lei de Acesso à Informação. Após a denúncia feita pelo presidente Michel Temer sobre a participação do ex-braço direito de Janot, Marcelo Miller, no acordo de delação premiada da JBS, já como advogado do Grupo, a PGR divulgou uma nota negando a participação de Miller nas reuniões que culminaram no controverso acordo de delação premiada.

Entretanto, a informação obtida pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação desmente a versão de Janot e comprova que Temer falou a verdade. "Apenas seis dias depois de ter sido exonerado do cargo de procurador do Ministério Público Federal, Marcello Miller participou de reunião na Procuradoria-Geral da República (PGR) como advogado do grupo J&F, controlador da JBS. Miller foi exonerado no dia 5 de abril deste ano e no dia 11 já representava a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista em reunião com seus antigos colegas de trabalho, conforme informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação.

O GLOBO teve acesso aos registros de entrada da portaria do edifício-sede da PGR, que mostram que Miller esteve no local nos dias 11 e 18 de abril. Em resposta à reportagem, a PGR confirmou a presença e informou que ele representou o grupo controlador da JBS na ocasião, o que desmente a primiera versão apresentada por Janot, que havia negado a participação de seu ex-braço direito nas tratativas do acordo da JBS, conforme reportagem no final desta matéria. Essa reunião ocorreu no dia seguinte ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin ter homologado um pré-acordo de delação dos executivos da JBS.

“No dia 11/4, Marcello Miller participou de reunião entre os representantes dos escritórios de defesa dos executivos e do Grupo J&F e membros do MPF. Na ocasião, foi explicado que as negociações da leniência e da colaboração premiada seriam feitas separadamente, por equipes distintas. Miller compareceu na condição de advogado do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados, sem o conhecimento prévio dos membros que participaram das negociações”, afirmou a PGR.

À serviço da JBS, Miller ainda voltou à PGR na semana seguinte, no dia 18 e foi sido orientado a se dirigir a outro local, a Procuradoria da República do DF, onde haveria reunião no mesmo dia sobre o acordo da JBS.

GRAÇAS AOS DETALHES OBTIDOS ATRAVÉS DA LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO, FOI POSSÍVEL COMPROVAR QUE O CHEFE DE GABINETE DE JANOT ESTEVE PRESENTA NAS REUNIÕES

O GLOBO informa que, segundo o Ministério Público Federal, "Marcello Miller estava acompanhado de Francisco de Assis e Silva, advogado da JBS que acabou virando também delator, no dia da reunião, que teve a presença do chefe de gabinete de Janot, Eduardo Pelella, e do coordenador do grupo de trabalho da Lava-Jato, Sérgio Bruno Fernandes. .

“No dia 18/4, houve reunião sobre a parte criminal (acordo de colaboração) na PGR. No mesmo dia, foi agendada reunião na Procuradoria da República no DF para tratar de leniência. No entanto, os escritórios de defesa vieram à PGR. Novamente, foi explicado como seriam conduzidas as negociações, e a banca que defende os interesses do grupo empresarial (Trench, Rossi e Watanabe) foi ao local indicado para tratar sobre leniência”, informou a PGR.

AS DETALHES SOBRE A PRESENÇA DO EX-BRAÇO DIREITO DE JANTO NAS NEGOCIATAS COMPROVAM QUE TEMER ESTAVA CORRETO AO QUESTIONAR ATUAÇÃO DE MARCELO MILLER NO ACORDO DA JBS

Em pronunciamento sobre o caso, o presidente da República, Michel Temer questionou a atuação do ex-braço direito de Janot na defesa dos interesses dos açougueiros da JBS e insinuou que Janot embolsou parte dos milhões pagos por Joesley Batista a Marcelo MIller, que abandonou uma carreira concorrida no MPF para atuar como advogado da JBS. O acordo de delação dos executivos da JBS foi questionado pela existência de cláusulas que lhes garantiram imunidade, ou seja, o benefício de nem sequer serem denunciados pelo Ministério Público.

O ex-procurador Marcelo Miller também mentiu ao afirmar, por meio de nota, que não participou da negociação dos acordos da JBS. “O advogado Marcello Miller esclarece que, em cumprimento às regras aplicáveis de sigilo profissional, não pode comentar qualquer aspecto de sua atuação. Marcello Miller ressalta, mais uma vez, que não participou de qualquer negociação relacionada com a delação premiada dos executivos da JBS”.

Este é apenas mais um ingrediente que aponta para a necessidade de cancelamento do acordo de delação da JBS. Com informações do GLOBO

Confira a reportagem sobre o caso no vídeo abaixo:

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