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Marcos Valério não dura muito se STF homologar sua delação. Ele é peça chave no caso do assassinato de Celso Daniel



A vida do publicitário Marcos Valério estará seriamente ameaçada, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) homologue seu acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal (PF) em Minas Gerais. Há anos o operador do mensalão do PT vem tentando colaborar com as autoridades em troca de benefícios de redução de pena, mas suas revelações são tão graves que nenhuma autoridade se arriscou a mexer no vespeiro.

O poder de comprometer personagens ilustres da República foi destacado pelo  juiz Wagner de Oliveira Cavalieri, de Contagem (MG), que afirmou que o colaborador  ‘é presumidamente possuidor de inúmeras informações de interesse da Justiça e da sociedade brasileiras’.

Valério foi o elemento chave do escândalo do Mensalão envolvendo PT e acabou condenado pelo Supremo Tribunal Federal à maior pena da Ação Penal 470, um total de 37 anos e cinco meses de cadeia.

O primeiro escândalo da era Lula levou à prisão quadros importantes do PT, como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e José Genoino, ex-presidente do partido. Estranhamente, os relatos de Marcos Valério sobre o envolvimento de Lula, Gilberto Carvalho e José Dirceu no assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, foram completamente ignorados pelas autoridades na época. O então presidente do STF, Joaquim Barbosa, teve acesso ao depoimento no qual Valério implicava Lula no misterioso assassinato, mas também ignorou as informações.

A questão envolve uma dos segredos mais bem guardados da história da República. O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que foi sequestrado e apareceu morto no dia 18 de janeiro de 2002, se seguiu a outros oitos assassinatos e mortes misteriosas.  Antes de ser morto, Celso Daniel desempenhava o importante papel de coordenador da pré-campanha que levou Lula à Presidência. Abaixo do ex-presidente, era praticamente o segundo na hierarquia do partido. Celso Daniel não estava concordando com a partilha do dinheiro que desviava da prefeitura de Santo André. Ele não achava justo que todo o dinheiro roubado tinha que ser destinado a campanha de Lula naquele ano. Segundo investigações, este teria sido o motivo do assassinato.

Marcos Valério tem detalhes sobre a compra do silêncio do empresário Ronan Maria Pinto. O publicitário já confirmou em depoimentos que Ronan ameaçava denunciar o envolvimento de Lula no assassinato de Celso Daniel, em 2002. Ronan recebeu R$ 6 milhões para ficar calado.

Marcos Valério também deve esclarecer o episódio narrado pelo ex-senador petista Delcídio Amaral envolvendo Lula, do ex-ministro Antonio Palocci e do hoje presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto na negociação de pagamentos que recebeu em troca de seu  silêncio sobre os desvios bilionários do esquema do mensalão.

Há poucos meses, o  Procuradoria-Geral da República havia rejeitado uma proposta de delação de Marcos Valério.  Em seu novo acordo, agora feito diretamente com a Polícia Federal, Valério se comprometeu a revelar detalhes de um outro Mensalão, o do PSDB de Minas. No entanto, seu advogado, Jean Robert Kobayashi, confirmou que seu cliente está disposto a esclarecer outros crimes.

No momento, Valério está seguro e conseguiu uma transferência, à pedido da Polícia Federal, para uma unidade da Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), em Sete Lagoas (MG). Seu futuro está agora nas mãos dos ministros do STF. Caso sua delação seja homologada, a vida do publicitário correrá sérios riscos.
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