\imprensa Viva
.

Após expulsar discípulos de Janot da Lava Jato, Polícia Federal começa a desmontar farsas do procurador-geral



Antes mesmo do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot terminar seu mandato que se encerra em 17 de setembro, a Polícia Federal já deu início ao desmonte de uma série de ações caracterizadas como uso político do cargo com o claro propósito de blindar os ex-presidentes Lula e Dilma, membros do PT e outros políticos da antiga base aliada dos governos petistas.

O primeiro gesto de hostilidade declarada contra Janot foi o desligamento da força-tarefa do Ministério Público Federal da Lava Jato, logo após o acordo feito por Janot com os criminosos da JBS. A PF se queixava dos constantes vazamentos, provavelmente perpetrados por procuradores da República infiltrados por Janot na extinta força-tarefa, e do uso político das investigações em curso na Lava Jato.

Em outra frente, a Polícia Federal celebrou um acordo de delação com o publicitário Marcos Valério, que teve todas as tentativas anteriores frustradas pela PGR, e confirmou o potencial do novo delator de comprometer o ex-presidente Lula em seu acordo de delação.

 Em mais um confronto direto com Janot, a PF afirmou ao Supremo Tribunal Federal que o delator da Lava Jato Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, não merece os benefícios acertados com a Procuradoria-Geral da República por sua colaboração premiada ser “ineficaz”.

A avaliação da delegada Graziela Machado da Costa e Silva consta em relatório enviado ao STF nesta sexta-feira (21/7) . No material, a PF aponta que a delação não permitiu comprovar que os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) atuaram para obstruir a Lava Jato, sendo que “as conversas estabelecidas não passaram de meras cogitações”. Por outro lado, Sergio Machado estranhamente não comprometeu ninguém do PT, apesar de ocupar um cargo estratégico em uma importante empresa da Petrobras durante mais de dez anos de governos petistas.

Sobre os acusados por Janot com base na delação suspeita de Sergio Machado, a delegada da PF afirmou que, “o simples desejo, intenção ou manifesta vontade de impossibilitar a execução ou o prosseguimento da investigação em realizado a organização criminosa, críticas, reclamações ou desabafos feitos a condição de determinada investigação, aos agentes investigadores e ou mesmo ao juiz, não bastam para caracterização do crime.”

A lei 12.850, de 2013, que define organização criminosa e regula a colaboração premiada prevê que a colaboração precisa ser efetiva para que haja a confirmação dos benefícios do delator.

Disposto a negociar uma delação com o Ministério Público Federal, o ex-presidente da Transpetro gravou os líderes do PMDB no Senado em conversas com críticas e articulações envolvendo a Operação Lava Jato. Algo bem parecido com a manobra de Janot e Joesley Batista no episódio da gravação feita com o criminoso confesso com o presidente Michel Temer. Também neste caso, Joesley manteve uma relação criminosa intensa e duradoura com os ex-presidentes Lula e Dilma, e seus ministros Guido Mantega e Antonio Palocci, mas não entregou nenhuma prova que comprometesse os petistas.

Assim como no caso de Joesley Batista, os áudios apresentados por Sergio Machado também provocaram uma das principais crises do governo Temer e derrubaram um ministro do Planejamento depois que foi revelado que ele sugeria um pacto para deter investigações do esquema de corrupção da Petrobras. O MPF chegou a pedir ao STF as prisões dos peemedebistas, que foram negadas pelo então relator da Lava Jato Teori Zavascki.

Segundo a PF, “na análise técnico jurídica do fato feita pelo delegado de polícia nas investigações a si confiadas, nos termos da lei 12850/2013, não compreendemos existir elementos indiciaríeis de materialidade do crime, haja vista que no espectro cognitivo próprio desta sede indiciaria, o conteúdo dos diálogos gravados e a atividade parlamentar dos envolvidos ou no período em comento não nos pareceu configurar as condutas típicas impedir ou embaraçar as investigações decorrentes da lava jato”, escreveu.

“Nas conversas estabelecidas entre Sergio Machado e seus interlocutores, limitaram-se a esfera pré-executória, ou seja, não passaram de meras cogitações. Logo, as condutas evidenciadas não atingem, numa concepção exclusivamente criminal, o estágio de desvalor necessário à perfectibilização do delito em questão, que não prescinde, ao menos, de lesividade potencial.”

A delegada afirma que: “considerando que cabe ao Supremo analisar eficácia do acordo, concluo que , no que concerne ao objeto deste inquérito, a colaboração que embasou o presente pedido de instauração mostrou-se ineficaz, não apenas quanto  à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados, resumidos estes a diálogos gravados nos quais é presente o caráter instigador do colaborador quanto às falas que ora se incriminam, razão pela qual Entende-se, desde a perspectiva da investigação criminal promovida pela polícia federal, não ser o colaborador merecedor, in casu, de benefícios processuais abrigados no art 4 da lei 12850/2013”.

Para a PF, quando “Sergio Machado propõe por exemplo um acordo com o MP para parar tudo não implica admitir como factível tal proposição é o mesmo  se aplica à suposta interferências que advogados poderiam exercer em decisões do ministro Teori Zavascki. É preciso mais.”

Não é apenas a Polícia Federal que acha surpreendente que Sergio Machado e Joesley Batista tenham poupado a turma de Lula e Dilma, apesar dos laços tão fortes e duradouros. Ao que tudo indica, o próximo acordo de delação premiadíssima da JBS pode ser contestado em breve pela PF. O blindados oficial do PT deixou o mesmo rastro de sujeira nos dois acordos. 
_____________
__________

Postar um comentário

Todas as notícias

Siga no Facebook

MKRdezign

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget