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Silêncio de Moro sobre acordo indecente de Janot com a JBS é sinal que há algo de podre no ar. Lula foi poupado



Pode parecer surpreendente que uma das figuras de maior destaque de toda a Operação Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos relativos à maior investigação sobre corrupção da história, não tenha se manifestado publicamente sobre o controverso acordo de delação do Grupo JBS.

Mas além de surpreendente, o silêncio de Sérgio Moro sobre a lambança do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é motivo de constrangimento em todo o Ministério Público Federal. A Lava Jato de Curitiba estava prestes a prender os criminosos confessos da JBS e caminhava para deflagrar a sexta e derradeira operação que tinha como alvo principal o empresário Joesley Batista, que já tinha já sido alvo de cinco operações da PF, batizadas de Sépsis, Greenfield, Cui Bono, Carne Fraca e Bullish.. Não é segredo para ninguém que Joesley tinha informações e provas suficientes para colocar Lula na cadeia imediatamente. Janto foi mais rápido no gatilho e tirou esta oportunidade de Sérgio Moro.

Para piorar, os advogados de Lula estão rindo de orelha a orelha. O petista também anda debochando do acordo firmado por Janot. Lula fez até piadinhas esta semana, afirmando que faria um acordo de delação premiada para receber os U$ 80 milhões que Joesley movimentou para ele em uma conta da Suíça. De fato, Joesley falou isso apenas para justificar o acordo indecente, mas não entregou nenhuma prova sobre o que disse à Justiça. Ninguém no MPF ousa admitir que Janot foi feito de bobo ou que está se fazendo de bobo em toda esta trama. A JBS não teria chegado onde chegou sem a corrupção de Lula e de diversos integrantes do PT, como Palocci, Mantega e Dilma.

Mas o silêncio de Sérgio Moro esconde outros fatos bastante intrigantes, além dos benefícios extraordinários obtidos por Joesley Batista com tanta facilidade. O controverso acordo manchou a imagem da Lava Jato, embora não tenha tido absolutamente nenhuma relação com a força-tarefa da investigação concentrada pelo Ministério Público Federal do Paraná.

Aquilo que Janot trata como acordo de delação premiada e acordo de leniência fechados em Brasília em menos de 30 dias não tem absolutamente nenhum paralelo com o trabalho realizado pela força-tarefa baseada em Curitiba.

Percebendo que seria preso, Joesley Batista bateu na porta do procurador-geral da República em Brasília e saiu de lá poucos dias depois com um dos mais indecentes acordos de delação premiada da história do Ministério Público Federal. Sem passar um minuto sequer preso, Janot concedeu ao criminoso confesso passa livre para ele e todos seus familiares fossem desfrutar suas fortunas nos Estados Unidos, para onde os irmãos batista levaram 80% da JBS. “Como procurador-geral da República, não tive outra alternativa senão conceder o benefício da imunidade penal aos colaboradores.”, tentou justificar Janot ao explicar o fato de ter sido tão generoso com os irmãos Batista

Jnaot fechou sozinho um acordo com o criminoso confesso Joesley Batista, sem a participação da Polícia Federal ou dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato baseada em Curitiba. Janot diz ter sido “procurado pelos irmãos Batista.”  e que “trouxeram indícios consistentes de crimes em andamento”

Há que distinguir a Lava Jato que tem como responsável o procurador Deltan Dallagnosl, da Lava Jato de Brasília, de Rodrigo Janot. Enquanto em Curitiba, os acordos são firmados com os advogados dos investigados, Janot fechou seu acordo diretamente com os criminosos da JBS.

Antes de iniciar as tratativas para qualquer acordo, a Lava Jato de Curitiba realiza Operações com a Polícia Federal e, investiga as atividades criminosas e na maioria dos casos, prende os investigados. Normalmente, um acordo de delação em Curitiba demora cerca de um ano para ser firmado com o Ministério Público Federal do Paraná. Todas as informações prestadas pelos advogados dos candidatos a delatores são chegadas junto a instituições financeiras e autoridades estrangeiras. Os depoimentos são cruzados com outros depoimentos de outros delatores, para verificar discrepâncias, os delatores precisam informar os números de contas, abrir mão de sigilos bancários, telefônicos e fiscais. Somente após esta maratona de procedimentos é que o MPF encaminha o pedido de acordo para a PGR.

No caso de Janot, o procurador se antecipou a operações e investigações em curso da Polícia Federal e fechou em acordo relâmpago com Joesley Batista em menos de 30 dias de negociações. Janot negligenciou todos os procedimentos adotados pelos integrantes da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba.

Contrastando com os procedimentos pouco ortodoxos e politizados adotados por Janot para firmar o controverso acordo, a Lava Jato de Curitiba faz tudo as claras. Realiza diligências, cumpre mandatos e torna tudo público imediatamente, inclusive com a divulgação dos resultados das operações através de entrevistas coletivas à imprensa. Os resultados obtidos pelo núcleo curitibano da operação, com Deltan Dallagnol e o juiz Serio Moro à frente, são transparentes e baseados em investigações profundas, colhimento de depoimentos, batidas em endereços dos investigados com mandatos de busca e apreensão, coleta de provas e até mesmo prisões ou conduções coercitivas.

Já o acordo conduzido por Janot não teve nada disso. O mega criminoso confesso Joesley batista bateu na porta da PGR e saiu de lá com um generoso acordo de delação premiada debaixo do braço. O empresário que fez com que sua empresa saltasse de um valor de mercado de R$ 1.9 bilhão para R$ 170 bilhões durante os governos petistas de Lula e Dilma confirmou que não teria tido tanto êxito nos negócios, não fosse os esquemas de corrupção que manteve com os governos do PT.

Considerando todos estes fatos, constata-se que o silêncio do juiz Sérgio Moro não tem nada de surpreendente. Assim como o visível constrangimento dos funcionários do MPF em Brasília, que já preferem não comentar o assunto.
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