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Justiça bloqueia dinheiro que Joesley Batista ganhou com vazamento de informações para a Rede Globo



Esperto demais se atrapalha, já diz o ditado. Embora o empresário Joesley Batista tenha conseguido fechar um acordo de pai para filho com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem tudo deu tão certo para o criminoso confesso.

O Grupo JBS confirmou que lucrou R$ 1 bilhão comprando dólares na véspera de vazar para a Globo uma transcrição falsa da gravação feita por Joesley Batista de uma conversa que gravou com o presidente Michel Temer. Ao que tudo indica, a Globo esperou que o Grupo JBS comprasse bastante dólares no mercado na terça-feira, 16 de maio e publicou a notícia falsa apenas na quarta-feira, 17.

O caos se instalou no mercado logo nas primeiras horas daquela manhã. Enquanto a Globo se aproveitava do vazamento criminoso para pedir a renúncia de Temer, a Bolsa registrava prejuízos de R$ 219 bilhões e o espertinho dono da Friboi vendia os dólares que comprara no dia anterior, com lucro de mais de 10% em apenas 24 horas.

Nesta quinta-feira, 1º de junho, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 800 milhões das contas de Joesley Batista, dono da J&F, controladora da JBS, em análise preliminar de ação popular que acusa o grupo de usar informação privilegiada para comprar cerca de US$ 1 bilhão às vésperas da divulgação da gravação do diálogo do empresário com o presidente Michel Temer.
A decisão, em caráter liminar, foi proferida no dia 30 de maio pelo juiz federal Tiago Bitencourt De David, da 5ª Vara Federal Cível em São Paulo. Cabe recurso.

“Dado o protagonismo aparente do demandado Joesley Mendonça Batista e de sua saída do país, a medida cautelar é contra o mesmo dirigida neste momento inicial, ressalvada a hipótese de fato superveniente que imponha reconsideração e modificação da medida, inclusive para alcançar outros demandados na hipótese de insuficiência patrimonial”, afirmou o magistrado, citando "risco ao erário e à ordem econômica" e destacando ainda ser sabida "a dificuldade que o público tem de saber quais as operações realizadas pelo BNDES com o grupo JBS e com a família Batista".

De acordo com a denúncia, Joesley e Wesley Batista, bem como os diretores da JBS S.A. e da J&F teriam praticado o crime de "insider trading", que é o uso de informações privilegiadas para lucrar na venda ou na compra no mercado financeiro.
Além da compra de dólares, os autores acusam a família Batista de vender equivalente a R$ 327,4 milhões em ações da JBS no mês de abril, época em que já colaboravam com as investigações. Por fim, alegam que a empresa obteve um acréscimo superior a 4.000% em seu faturamento graças a créditos concedidos pelo BNDES.

A compra de dólar na véspera do vazamento dos aúdios da delação premiada da JBS teria levado a empresa a obter ganhos financeiros, já que a cotação da moeda disparou nos dias seguintes à divulgação das conversas entre Joesley e Temer.

Mas Joesley não tem muito do que reclamar. Afinal, conseguiu um descontinho de R$ 700 milhões com papai Janot no acordo de leniência do grupo JBS.

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