\imprensa Viva
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Globo é só mi mi mi após ter fracassado no golpe



Em certas circunstâncias, a análise sobre a conjuntura política deve se distanciar um pouco das preferências ideológicas para se ater aos fatos. No caso dos meios de comunicação, esta postura deveria ser uma regra.

No caso do impeachment de Dilma, seria tolice concentrar o foco em uma série de aspectos da crise se não existissem as condições ideais no Congresso e as mobilizações monstruosas nas ruas. O problema deste episódio é que setores da imprensa acabaram alimentando uma pretensão bastante estúpida: a de que foram responsáveis pela queda do PT.

Dilma caiu por seus próprios pecados. Mentiu para a população, se elegeu com dinheiro roubado da Petrobras, quebrou o país, deixou 13 milhões de chefes de família sem emprego e, como se não bastasse, ainda foi arrogante com os congressistas. Completamente desconectada da realidade, a petista subestimou a força das ruas. A exemplo do que ocorreu com Collor, Dilma é um exemplo clássico do equívoco político.

Na maioria destes episódios, a imprensa não exerceu nenhuma influência, exceto no cumprimento de seu papel de informar os fatos. Quando a coisa degringolou totalmente, quando já estava claro que não havia mais saída para Dilma e o PT, ai sim, se tornou possível prever e encorajar os desdobramentos inevitáveis.

No caso de Temer, a situação é bem diferente. Todos subestimaram sua experiência política, sua capacidade de lidar com o Congresso e sua habilidade como articulador. Afinal, derrubar o PT após uma década e meia no poder não é para qualquer um. Por mais que isso contrarie muita gente, estes são os fatos.

O problema é que alguns meios de comunicação se iludiram sobre seu real papel na queda de Dilma e passaram a confiar excessivamente no seu poder de influência sobre a sociedade. Alguns jornalistas se sentiram tão poderosos, que passaram a acreditar piamente em seus superpoderes de influenciar e manipular a opinião pública. Acreditaram que foram responsáveis por fatos ocorridos nos bastidores do poder, fatos totalmente alheios a suas redações que descambaram na queda de Dilma, e se tornaram excessivamente confiantes, sentados em seus tronos no olimpo da comunicação de massa.

Foi justamente esta estupidez, esta falta da capacidade de fazer a leitura dos fatos, que levou alguns meios de comunicação a apostar na frustrada aventura do golpe para derrubar o governo Temer. Teoricamente, seria fácil derrubar um presidente com índices de popularidade inferiores aos de Dilma às vésperas do impeachment.

Para levar a iniciativa adiante, contaram com uma conspiração tabajara engendrada nas dependências da Procuradoria-Geral da República por um procurador tresloucado e um criminoso contumaz. Janot e Joesley, a dupla protagonista do golpe, combinaram uma série de ações controladas para forjar flagrantes mortais contra Temer. Os meios de comunicação que participaram da trama achavam que estavam com a faca e o queijo na mão. Cegos por ambições e propósitos inconfessáveis, os dirigentes dos meios de comunicação, setores do judiciário e os desesperados criminosos da JBS promoveram um verdadeiro espetáculo de inépcia e falta de capacidade de avaliar riscos. Deu no que deu.

Temer não renunciou, a população não foi para as ruas exigir sua renúncia, Janot caiu em desgraça após insistir em uma denúncia frágil contra o presidente e os meios de comunicação viram toda credibilidade escorrer pelo ralo. Como fica feio recuar agora, o jeito tem sido repercutir as falas de Renan Calheiros, as notinhas do PSOL, criticar a escolha de Raquel Dodge para a PGR e torcer pelo fatiamento das denúncias de Janot, que já está mais para cachorro atropelado na beira da estrada.

Com cara de bobos, restou apenas o mi mi mi.


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