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Enquadrado por Temer, Janot corre para pedir apoio dos colegas: "Nesta hora, é preciso união institucional"



O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sentiu o baque da denúncia lançada pelo presidente Michel Temer de que ele teria embolsado alguns milhões no esquema que envolveu o acordo de delação premiadíssima com os criminosos da JBS.

Temer acusou Janot de ter se beneficiado do dinheiro recebido por seu ex-braço direito na PGR, Marcelo Miller, que foi contratado por Joesley Batista, um dos donos da JBS, poucos dias antes de dar início as tratativas para o controverso acordo de delação. O parceiro de Janot no acordo com a JBS se tornou alvo de procedimentos de investigação na própria PGR e alvo de suspeitas e pedido de investigação formulado pela OAB. Marcelo Miller sequer cumpriu a quarentena obrigatória quando abandou repentinamente uma carreira promissora como procurador da República para correr para os braços de Joesley Batista. Segundo Temer, o ex-braço direito de Janot embolsou milhões, dinheiro que seria praticamente impossível poupar ao longo da vida com seu salário de procurador. Temer insinuou ainda que Janot teria se beneficiado de parte do dinheiro.

Janot divulgou uma nota interna na PGR logo após o pronunciamento de Michel Temer na tarde desta terça-feira, mas evitou abordar a grave acusação feita pelo presidente. Visivelmente acuado, o procurador correu em busca do apoio dos colegas do Ministério Público Federal, num dramático apelo de união "nestas horas difíceis".

Segue a nota:

“Prezados Colegas,

As horas mais graves exigem as decisões mais difíceis. Exigem reflexão, serenidade e firmeza.

Em razão das responsabilidades inerentes ao exercício do meu ofício, coube a mim oferecer hoje ao Supremo Tribunal Federal denúncia contra o presidente da República Michel Temer, pelo crime de corrupção passiva, praticado no exercício do mandato.

Num regime democrático, sob o pálio do Estado de Direito, ninguém está acima da lei ou fora do seu alcance, cuja transgressão requer o pleno funcionamento das instituições para buscar as devidas responsabilidades.

O Ministério Público, mesmo nos momentos mais difíceis e sob as piores ameaças, não deixa e não deixará de cumprir a sua missão constitucional.

Em setembro deste ano terei cumprido a tarefa a que me propus quando ingressei nesta Instituição. Quis servir ao meu país, em estrita observância a nossa Carta Constitucional, como membro do Ministério Público Federal e o fiz por mais de três décadas. Depois, a generosidade de meus colegas permitiu-me, por dois mandatos, continuar esse serviço na complexa posição de Procurador-Geral da República.

Em 2013, não imaginávamos que três anos depois estaríamos diante da maior investigação sobre corrupção do planeta, uma apuração que catalisou paixões, mobilizou a sociedade civil e congregou dezenas de membros e servidores do Ministério Público e de outras instituições em torno de um propósito comum: a probidade, a transparência e a responsabilidade no trato da coisa pública.

Por outro lado, o caso Lava Jato, iniciado em Curitiba e Brasília e que agora se espalha dentro e fora do Brasil, também provocou incompreensões e reuniu poucas forças contrárias ao papel do Ministério Público no cumprimento de seu mandato constitucional de enfrentamento à corrupção. Posturas reacionárias somaram-se a visões patrimonialistas. Uma atmosfera ácida formou-se. Nossa jornada nunca foi fácil, mas o caminho do Ministério Público nunca o foi.

Continuemos combatendo o bom combate. Nesta hora, é preciso união institucional. Sigamos fortes na defesa do Ministério Público, caminhando todos juntos.

Forte abraço.

Rodrigo Janot Monteiro de Barros”
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