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Perito confirma mais de 50 edições em gravação que Joesley Batista fez com Temer. Conspiração pode cair por terra



A gravação entregue pelo sócio do Grupo JBS-Friboi, Joesley Batista, à Procuradoria-geral da República contendo um diálogo entre o empresário e o presidente Michel Temer sofreu mais de 50 edições, segundo análise técnica de dois especialistas.

A Folha contratou uma perícia que concluiu que a gravação foi manipulada intencionalmente. Além da adulteração do registro, o grupo JBS pode estar por trás de um vazamento orquestrado contendo uma versão falsa da transcrição do áudio registrado pelo próprio Joesley Batista a partir de um equipamento adquirido especialmente para aquela ocasião. O empresário confirmou que comprou um equipamento especial à prova de detector de metais para gravar a conversa que teve com Temer em março, após insistir em um encontro com o presidente na residência do Jaburu.

O vazamento orquestrado foi desencadeado pela Rede Globo e permitiu que o Grupo JBS lucrasse R$ 1 bilhão em apenas um dia com a compra de dólares na véspera da divulgação da notícia falsa divulgada inicialmente pelo jornalista Lauro Jardim, do Globo e logo em seguida no plantão de notícias da Rede Globo. A JBS também é suspeita de ter comprado ações do próprio grupo no dia da divulgação da transcrição falsa. A adulteração do teor da conversa também atenderia ao propósito de dar maior credibilidade as delações feitas pelos executivos do Grupo nas dependências da PGR.

O laudo encomendado pela Folha foi feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A publicação divulgou o resultado do laudo em uma matéria que ilumina outros aspectos deste fatídico episódio. Acompanhe a matéria da folha abaixo:

Segundo o perito judicial do TJ/SP, o áudio divulgado pela Procuradoria-Geral da República tem indícios claros de manipulação, mas "não dá para falar com que propósito".

Ricardo Caires dos Santos afirma ainda que a gravação divulgada tem "vícios, processualmente falando", o que a invalidaria como prova jurídica.

"É como um documento impresso que tem uma rasura ou uma parte adulterada. O conjunto pode até fazer sentido, mas ele facilmente seria rejeitado como prova", disse Santos.

Segundo disse à Folha a Procuradoria, a gravação divulgada é "exatamente a entregue pelo colaborador e sua autenticidade poderá ser verificada no processo".

"Foi feita uma avaliação técnica da gravação que concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente", declarou a Procuradoria na noite desta sexta (19).

A gravação não passou pela Polícia Federal, que só entrou no caso no dia 10 de abril. O áudio, feito pelo empresário na noite de 7 de março, foi entregue diretamente à PGR e é anterior à fase das ações controladas.

Em um dos trechos editados, o empresário pergunta ao peemedebista sobre sua relação naquele momento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. As duas respostas de Temer sofreram cortes.

O trecho na gravação divulgada permite o seguinte entendimento:

"Tá.. Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa.. O Moro indeferiu 21 perguntas dele... que não tem nada a ver com a defesa dele"

"Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]... No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]... aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros"

Em depoimento posterior à PGR, Joesley disse que nesse momento o presidente dizia ter influência sobre ministros do STF.

"Ele me fez um comentário curioso que foi o seguinte: 'Eduardo quer que eu ajude ele no Supremo, poxa. Eu posso ajudar com um ou dois, com 11 não dá'. Também fiquei calado, ouvindo. Não sei como o presidente poderia ajudá-lo", afirmou.

Em outro trecho cortado, o empresário, enquanto explica a Temer que "deu conta" de um juiz, um juiz substituto e um procurador da República, declara: "...eu consegui [corte] me ajude dentro da força-tarefa, que tá".

No momento mais polêmico do diálogo, quando, segundo a PGR Temer dá anuência a uma mesada de Joesley a Cunha, a perícia não encontrou edições. O trecho, no entanto, apresenta dois momentos incompreensíveis, prejudicados por ruídos.

O perito Ricardo Molina também confirmou em entrevista à Folha que "Percebem-se mais de 40 interrupções, mas não dá para saber o que as provoca. Pode ser um defeito do gravador, pode ser edição, não dá para saber."

Para o perito judicial Ricardo Caires dos Santos, não há hipótese de defeito. O Planalto do Planalto também decidiu enviar a a gravação para análise de peritos, mas já adiantou a existência de laudos que comprovam a edição intencional do material.

Comprovada a existência de montagem, o governo vai reforçar a tese de que Temer foi vítima de uma "conspiração"

Leia a matéria completa na Folha
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