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Joesley Batista teria sido instruído por Eduardo Cunha para gravar conversa com Temer



O controverso episódio envolvendo a gravação feita pelo criminoso confesso Joesley Batista, sócio do Grupo JBS, com o presidente Michel Temer começa a ganhar novos contornos. Segundo a Folha, a JBS teve uma verdadeira 'aula de delação' cerca de 15 dias antes da manobra de gravar uma conversa com Temer.

Antes de dar início ao plano, os executivos do Grupo acionaram  Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, para que ele colhesse informações com Anselmo Lopes, procurador da República no DF e a delegada Rubia Pinheiro, que lideram a Operação Greenfield, da PF. Os agentes públicos deram "aula de delação" e explicaram ao enviado da JBS os detalhes sobre como funcionaria a colaboração premiada.

Enquanto isso, Joesley Batista se encarregava de fazer chegar ao presidente Michel Temer a necessidade de um encontro urgente entre os dois. Temer teria refutado a ideia de se encontrar com o empresário, mas acabou sendo convencido por seus próprios auxiliares. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que Temer foi convencido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi presidente do grupo JBS entre 2012 e 2016,  a se encontrar com Joesley. Após muita insistência, Temer acabou se convencendo de que se tratava de um encontro "seguro".

Duas semanas depois, Joesley entrou no Palácio do Jaburu dirigindo o próprio carro, com um gravador escondido no bolso. Instruído por seus advogados, o empresário tentou, durante 40 minutos, construir um diálogo comprometedor com Temer. Joesley teria recebido instruções do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que se encontra preso em Curitiba.

A ideia era fazer com que Temer se compadecesse da situação de sua família e de sua condição de preso na Lava Jato e sondar o humor do presidente em relação ao ex-deputado. Neste aspecto, qualquer palavra de Temer, no sentido de se solidarizar com a situação do ex-presidente da Câmara dos Deputados poderia ser usada contra o próprio Temer.

Após combinar sua estratégia, Joesley Batista confirmou aos investigadores que sua missão era informar o presidente que vinha comprando o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, ambos presos em Curitiba. Joesley, Wesley e cinco executivos usaram a tal gravação para conseguir um pré-acordo de delação com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

O acordo de delação firmado pela PGR não agradou em nada os integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. Sem passar um dia sequer na prisão, Joesley conseguiu passe livre para ir morar nos Estados Unidos e ainda negociou uma multa irrisória.Os sete delatores da JBS pagarão apenas R$ 225 milhões para se livrar das punições. Ainda falta o acordo da empresa, que custou R$ 6,7 bilhões à Odebrecht. Os procuradores querem que a JBS pague R$ 12 bilhões, mas o grupo oferece R$ 1 bilhão.

O grupo faturou justamente R$ 1 bilhão especulando no mercado financeiro às vésperas do vazamento de uma transcrição falsa da gravação feita por Joesley com o presidente Michel Temer. A própria JBS admitiu o ataque especulativo após o anúncio de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) havia instaurado cinco processos administrativos para investigar a atividade incomum da  JBS no mercado de câmbio na véspera do vazamento da transcrição falsa feita pelo colunista de O GLOBO, Lauro Jardim e amplamente divulgada em um site da consultoria Empiricus, proprietária do site O Antagonista, que coleta e-mails de leitores para a empresa de consultoria. O dólar disparou no dia seguinte, enquanto a Globo e o Antagonista pediam a renúncia de Temer no calor da trama que começou a ser orquestrada por Joesley Batista no dia 19 de fevereiro.

A notícia veiculada por Lauro Jardim, em O Globo e no plantão do Jornal Nacional informava que Joesley Batista disse a Temer explicitamente que pagava R$ 500 mil para silenciar Eduardo Cunha e que o empresário também falou com Temer que estava tendo problemas com o Cade. No entanto, as gravações originais não mostraram nada disso.

Joesley deixou o Brasil em seu jatinho particular com capacidade para vinte passageiros 12 horas depois de sua saída do Supremo Tribunal Federal, onde prestou seu último depoimento do controverso acordo de delação premiada. O empresário embarcou no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite do dia 10 de maio, com destino ao aeroporto de Terterboro em Nova Jersey, nos EUA.

OBS: Henrique Meirelles é o nome favorito da Globo e do Antagonista para ocupar o lugar de Michel Temer em caso de renúncia do presidente. O ministro da Fazenda e ex-presidente da JBS seria escolhido em uma eleição indireta na Câmara dos Deputados. A JBS bancou as campanhas de vários corruptos durante a gestão de Meirelles na empresa, como Aécio Neves, Dilma, Gleisi Hoffmann e Fernando Pimentel. Tudo com dinheiro de propina, segundo os próprios sócios da empresa. 
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