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Janot queria terceiro mandato na PGR, mas não teve aval de Temer. Acordo relâmpago com JBS sob suspeita



Sob a alegação de que precisaria de mais tempo para conduzir os trabalhos da Lava Jato, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, andou cogitando a possibilidade de obter um terceiro mandato na PGR entre os meses de dezembro do ano passado e fevereiro deste ano.

A decisão dividiu opiniões dentro do Ministério Público Federal (MPF). Havia quem apoiasse a recondução, sob o argumento de que a continuidade de Janot à frente das apurações daria mais estabilidade à Lava-Jato. No entanto, a oposição interna já começou a criticar, mesmo sem formalização de uma eventual candidatura.

Um de seus principais opositores, o subprocurador Carlos Frederico, se opôs imediatamente as pretensões de Janot e chegou a publicar mensagem no fórum de discussões virtual dos procuradores da República, de acesso restrito à categoria. Ele comparou Janot a Geraldo Brindeiro, procurador-geral durante oito anos nomeado por Fernando Henrique Cardoso. Brindeiro era conhecido como “engavetador geral da República”, pela pouca disposição de denunciar autoridades como os ex-presidentes Lula e Dilma, implicados até o pescoço em centenas de crimes revelados por delatores como Marcelo Odebrecht, Monica Moura, João Santana, Léo Pinheiro e Joesley Batista, que confirmou que mantinha contas na Suíça para os dois petistas, com movimentação financeira superior a R$ 300 milhões.

Apesar da resistência de seus colegas, Janot insistiu na aventura do terceiro mandato. Confiante na visibilidade alcançada com a Operação Lava Jato, o procurador apostava na conquista do terceiro mandato. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti, confirmou que recebeu um telefonema de Janot, que estava preocupado com as candidaturas que disputariam seu cargo.

— O procurador-geral disse que também quer acompanhar o processo de sucessão, o que é perfeitamente natural, mas ele não disse que era candidato, nem que não era. O mandato dele termina só em setembro. Estamos em janeiro— afirmou Cavalcanti na época.

Pela Constituição, cabe ao presidente da República nomear o procurador-geral para mandato de dois anos, sendo possível a recondução ao cargo. Não está expresso um limite de reconduções. Janot ouviu de interlocutores que Temer era um constitucionalista ferrenho e não cogitava modificar a rotina de sucessão na PGR, independente das circunstâncias.

Como Temer não demonstrou nenhum entusiasmo em garantir a Janot um terceiro mandato, a relação do procurador com o governo mudou da água para o vinho. Faltando pouco mais de três meses para o fim de seu mandato, Janto agora insiste em tomar o depoimento de Temer no caso das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista.

Setores do Judiciário questionam a forma açodada com que o procurador firmou o acordo recorde da JBS em apenas três meses, quando o tempo médio gasto pela Lava Jato é sempre superior a um ano. Outros questionamentos ainda não respondidos pela PGR dizem respeito ao fato de Janot ter firmado um acordo tão vantajoso para os irmãos Batista, por ter fechado o acordo sem a participação da Polícia Federal e da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e outras questões bastante intrigantes, como os benefícios concedidos ao grupo JBS, mesmo diante da confissão de tantos crimes.

Nenhum dos integrantes do Ministério Público Federal fez uma defesa aberta das atitudes de Rodrigo Janot no caso do controverso acordo de delação da JBS. Até mesmo o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, foi bastante reticente, diante de uma plateia insatisfeita com o destino dos donos da JBS. Dallagnol fez questão de frisar que o caso foi fechado pela Procuradoria-Geral da República, e não pela Justiça Federal do Paraná, onde atua.
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