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Uma reflexão sobre o Dia Internacional da Mulher ou Dia da Mulher



Sob o ponto de vista racional, qualquer ser humano ou mesmo ser vivo deve ser tratado com respeito, dignidade e igualdade. Apesar de se tratar de uma lógica tão óbvia e universal, o mundo do século 21 ainda não é aquele que muitos idealizaram ao longo de milênios de civilização.

Para piorar o cenário, a racionalidade ainda é um requisito que passa ao largo de muitos debates em torno dos velhos desafios. Se por um lado, há o recrudescimento de preconceitos e perseguição a grupos sociais, étnicos e culturais por parte até de governantes, por outro lado, existem os oportunistas de plantão que atuam para arraigar os ânimos com o objetivo de se projetar politicamente, enquanto o mal em si não é combatido, mas sim eternizado por gente sem escrúpulos que se alimenta das mazelas do mundo.

Atiçadores do ódio atuam dos dois lados de qualquer conflito de interesse, mas sempre visando o benefício próprio. Se apropriam de bandeiras, mas raramente possuem alguma intenção de resolver os problemas que afligem os maiores interessados: as vítimas. Quando os algozes são muitos, a consequência natural é a de que o número de vítimas também seja enorme. E quanto mais pessoas envolvidas, seja de um lado ou outro, maior o poder que elas representam. Assim, sempre haverá algum oportunista de plantão tentando se locupletar do ódio de alguns ou do desespero de outros.

O Dia Internacional da Mulher ou Dia da Mulher é comemorado anualmente em 8 de março, pode ser usado como um bom exemplo. Oportunistas de toda sorte veem na questão uma bela oportunidade de erguer uma bandeira, de se tornar porta voz das mulheres oprimidas, mas na prática, querem apenas o poder que emana delas.

No afã de angariar a simpatia das mulheres, muitos estimulam o ódio e exploram o vitimismo exacerbado de alguns casos mais chocantes. O mesmo ocorre com os oportunistas defensores dos policiais e os defensores dos bandidos. Os defensores dos patrões e os defensores dos empregados. Os defensores dos negros e os defensores dos brancos. A regra em todos os casos consiste em dividir para conquistar. Não há qualquer interesse em minimizar ou acabar com os problemas que afetam as vítimas de modo geral, seja de que lado for.

Neste cenário conturbado, não é difícil imaginar que mulheres canalhas, empresários canalhas, empregados canalhas, policiais canalhas e, por força da própria natureza, bandidos canalhas, se aproveitem da comoção gerada por grupos de oportunistas para posarem de vítimas.

A luta por igualdade, por dignidade e respeito não deve servir de abrigo para canalhas. A tentativa de santificar quem quer que seja serve apenas para atender aos interesses de manipuladores. Tentar generalizar a mulher como vítima sob todos os aspectos é uma forma exagerada de angariar a simpatia daquelas que são menos atentas sobre o que pode estar por trás de certos movimentos.

O Dia da Mulher é na verdade uma celebração das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo das últimas décadas e foi adotado pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países, como uma forma de garantir os avanços destas conquistas.

História e Origem do Dia Internacional da Mulher

A luta das mulheres por melhores condições de vida e trabalho começou a partir do final do século XIX, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de 15 horas diárias e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos que eram debatidos pelas manifestantes da época.

De acordo com registros históricos, o primeiro Dia da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos em maio de 1908 (Dia Nacional da Mulher), onde mais de 1.500 mulheres se uniram em prol da igualdade política e econômica no país.

No entanto, o 8 de março teve origem com as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, durante a Primeira Guerra Mundial (1917). A manifestação que contou com mais de 90 mil russas ficou conhecida como "Pão e Paz", sendo este o marco oficial para a escolha do Dia Internacional da Mulher no 8 de março, porém somente em 1921 que esta data foi oficializada.

Após a Guerra e a Segunda Revolução Industrial, as indústrias incorporaram as mulheres para mão-de-obra, e devido às condições insalubres de trabalho, os protestos eram frequentes.

Por muito tempo, a data foi esquecida e acabou sendo recuperada somente com o movimento feminista nos anos 60. A Organização das Nações Unidas, por exemplo, somente reconheceu o Dia Internacional da Mulher em 1977. Atualmente, além do caráter festivo e comemorativo, o Dia Internacional da Mulher ainda continua servindo como conscientização para evitar as desigualdades de gênero em todas as sociedades.

No entanto, oportunistas de plantão se apropriam de causas como a questão de gênero e atuam no sentido de ampliar a questão para absolutamente todos as esferas, visando angariar a simpatia e, consequentemente o reconhecimento e o poder que emana da representatividade que as mulheres representam na sociedade. No lugar de buscar formar uma consciência sobre a igualdade, exploram a velha política do "nós contra eles", na qual todas as mulheres aparecem como vítimas de um mundo hostil e impiedoso para com elas.

As iniciativas louváveis no campo da defesa dos direitos humanos de modo geral são justamente aquelas que não possuem nenhum vínculo ideológico ou político, mas são bastante raras. Normalmente, aqueles que se apropriam de bandeiras e se dizem defensores de uma "causa" estão mais interessados no poder político que o controle de determinados grupos pode lhe conferir. Nestes tempos de patrulhamento ideológico tornou-se tabu questionar imposições quase tirânicas de grupos de pressão. É preciso tomar bastante cuidado com os falsos líderes que usam bastante o termo "empoderamento" e o que há por trás das supostas promoção de valores. Muitas mulheres podem cair na lábia de vigaristas que se "apoderam" de suas consciências sem que se deem conta.

Muitos grupos atuam para confundir as pessoas e afastá-las cada vez mais do conceito onde o direito à igualdade, dignidade e respeito é para todo mundo, para todos os seres vivos. De que adianta conscientizar um indivíduo racista de que ele deve respeitar e tratar uma mulher com dignidade e respeito? De que adianta conscientizar um homofóbico de que ele precisa tratar um negro com respeito e dignidade? De que adianta enxertar na cabeça das mulheres que elas têm todo o direito do mundo, induzindo-as a um concento errôneo de que os homens não prestam? Todos estão sujeitos a fraquezas inerentes da condição humana e todos merecem ser tratados com respeito, igualdade e dignidade e dignidade. Não obstante, todos deve estar sujeitos às normas da Lei no que diz respeito aos seus direitos e deveres.

O ser é o "X" da questão. Ainda que em proporções desiguais, homens continuam matando mulheres e mulheres continuam mantando homens. Ainda que em proporções desiguais, policiais continuam matando bandidos e bandidos continuam matando policiais. Ainda que em proporções desiguais, mulheres, e homens, continuam se casando por interesse. Assim como existem homens cruéis, existem mulheres frias e calculistas. E diante das mazelas humanas, onde todos são vítimas que buscam a santificação, muitos se esquecem que os direitos e os deveres são iguais. O direito à vida é o principal deles. Não está escrito em lugar algum que reivindicar direitos vem antes de reconhecer deveres. O ser humano tem o dever de agir de forma digna em relação a seus semelhantes, independente de sua raça, religião ou condição social.

É preciso assumir que dentro de cada cabeça há uma consciência e é a partir da consciência que se percebe o mundo. Se uma pessoa tem consciência da dor que é ser oprimido, por que então oprimir? Se uma pessoa tem consciência da dor do preconceito, por que infringir esta mesma dor em seu semelhante, se tudo se dá no nível da consciência? De novo, é preciso entender de uma vez por todas que dentro de uma cabeça existe uma consciência, seja a cabeça de um obeso, de um feio, um rico, lindo ou de um bicho. Violentar um ser vivo é violentar uma consciência.

Enquanto não se der um basta nesta gente que quer se promover a todo custo através das tragédias humanas e se assumir definitivamente que o respeito, a dignidade e a igualdade são direitos que devem ser estendidos a todos os seres, sem distinção, os oportunista de plantão continuarão a alimentar o ódio e a divisão da sociedade.

A humanidade, e os demais seres vivos em outra extensão, formam um organismo vivo que teve uma  origem ancestral comum. Todos são elos de uma extensa corrente que se estende desde o passado mais remoto até os dias de hoje. Em cada passagem para dar um olá ao sol, uns conduziram os outros até os dias de hoje através de um esforço épico, de modo que cada vida deve ser respeitada como se fosse o todo.

Parabéns a você mulher, digna, pelo Dia das Mulheres. 
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