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Advogados de Lula tentam defender o PT e impedir que petista reconheça crimes do partido perante Sérgio Moro



Os advogados do ex-presidente Lula se irritaram com o juiz Sérgio Moro e tentaram defender o PT durante o depoimento do ex-governador Tarso Genro ao responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

Moro aproveitou a audiência do processo que investiga o ex-presidente Lula pela propriedade de um tríplex e dedicou algum tempo para saciar sua curiosidade sobre alguns pronunciamentos feitos por Tarso Genro na imprensa. O ex-governador petista defendia que o PT precisava reconhecer seus atos de corrupção e apontar para os culpados pelos crimes de lavagem de dinheiro e uso de propinas desviadas dos cofres públicos, sobretudo da Petrobras.

Diante da "oportunidade", Moro aproveitou a presença do es-governador para tentar entender melhor o que ele queria dizer com apontar os "culpados" pelos crimes do partido.  Moro quis saber maiores detalhes sobre a possível refundação do PT proposta por Tarso Genro. O magistrado argumentou que queria entender a relação do partido com seus subordinados, o juiz mostrou interesse, principalmente, sobre como esse projeto lidaria com integrantes acusados de corrupção, como José Dirceu e Delúbio Soares.

— Essa ideia da refundação, renovação, também envolveria reconhecimento de eventuais irregularidades praticadas por agentes vinculados ao Partido dos Trabalhadores? — perguntou o juiz.

O ex-governador petista tentou se esquivar da pergunta de Moro, que teve como base alegações feitas pelo próprio Genro em várias entrevistas.

— Ilegalidades cometidas por todos os partidos do sistema político. Vivemos um sistema político que instiga e promove a corrupção pelo financiamento empresarial das campanhas e por outras determinações — tentou desconversar Tarso Genro, mas admitindo que não é apenas o PT que rouba para financiar suas campanhas.

Diante do interesse de Moro pela refundação do PT, o próprio advogado de Lula interferiu tentando defender o partido ao tentar evitar que o assunto não fosse explorado.

— Vossa Excelência, na verdade, não está julgando o PT e nem questões de natureza político-partidária — apelou o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins.

Paciente, Moro esclareceu que queria entender a relação do PT e do ex-presidente Lula em relação interna partidária. O ex-governador do Rio Grande do Sul, no entanto, disse não se importar em responder as perguntas do juiz, embora não tivessem relação com o processo.

Moro questionou, então, se envolvidos no mensalão, como Dirceu e Delúbio, foram punidos pelo partido após suas condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após as respostas de Tarso Genro, o juiz voltou a perguntar se, nessa defesa de refundação, haveria reconhecimento desses ilícitos ou se seriam tomadas providências.

Na resposta, Genro afirmou que a refundação planeja verificar o que determinou os desvios de conduta no PT.

— Vivemos em um estado de direito, as instituições tem que funcionar para fazer suas investigações, julgar conforme a lei e aplicar as consequências em cada pessoa que é responsabilizada e que tem os seus fatos delituosos eventualmente provados - disse.

Desde o escândalo do mensalão, em 2005, Tarso Genro se tornou o principal líder do grupo que defende a refundação do PT. O ex-governador é critico dos rumos que o partido tomou ao longo dos anos de governo e já atribuiu a derrota petista nas últimas eleições municipais pelos "erros" cometidos pelo partido "tanto na relação com o Estado como nos financiamentos eleitorais".

Fonte: O GLOBO
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