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Lava Jato reage e consegue abortar projeto que ameaça a Operação. Rodrigo Maia recuou no golpe


Reação imediata. Diante da ameaça contra a maior investigação do Brasil, a força-tarefa da Operação Lava  O procurador representante da Força-Tarefa da Lava Jato reagiu com firmeza nesta quarta-feira, 09. para frear o ímpeto daqueles que se sentem ameaçados. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, convocou uma coletiva para expor o sentimento de estranheza causada pela proposta PL 3636 ter sido colocada em pauta com caráter de urgência.

Santos Lima explicou que o projeto jogaria no lixo todos os trabalhos e provas colhidas até agora pela força´tarefa da Lava Jato.

O barulho deu certo e logo após o término da coletiva, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou a retirada do caráter de urgência do projeto golpista. O  projeto de autoria do líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura (PSC-SE), tem como objetivo colocar um fim definitivo na investigação da Lava Jato. De acordo com a proposta, os acordos de leniência, na prática, se tornariam apenas acordos administrativos, fazendo com que as empresas apenas assumissem seus crimes anteriores, sem a necessidade de produzirem novas provas.

Acordo de leniência é uma espécie de "delação premiada", mas firmada com as empresas.

Embora o caráter de urgência tenha sido retirado da Câmara, a força-tarefa entendeu que havia a necessidade de se manifestar.

"O substitutivo fala em extinguir a punibilidade. Isso resultaria em uma anistia a crimes de corrupção", afirma O procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima. "Resultaria em uma ampla anistia a graves crimes de corrupção e lavagem de dinheiro que estão sendo investigados na Lava Jato", reforça Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

Mais cedo, André Moura se manifestou por meio de sua assessoria. "Estou mantendo a espinha dorsal, o eixo principal daquilo que eu já tinha apresentado quando eu era relator dessa mesma matéria na comissão especial. Lógico que fizemos alguns ajustes, algumas mudanças, mediante as conversas que nós tivemos com as centrais patronais e as centrais dos trabalhadores", disse o deputado em texto distribuído por sua assessoria de imprensa.

Os representantes da Lava Jato reforçam que a crítica não está no projeto em si, mas no fato de que, com o regime de urgência, não haveria "uma ampla discussão e participação da sociedade, inclusive do Ministério Público".

O projeto é mais uma tentativa de enfraquecimento da investigação que está sacudindo a classe política brasileira. O temor de centenas de parlamentares se acentua, na medida em que a superdelação da empreiteira Odebrecht se aproxima dos estágios finais.

A força-tarefa identifica esse tipo de prática como uma tentativa de enfraquecimento da operação. "Repetem-se aqui as tentativas do governo anterior de desfigurar a lei anticorrupção, caracterizando-se em uma intervenção na investigação da Lava Jato e em outras decorrentes", diz Lima.

As consequências para a investigação seriam devastadoras e praticamente inviabilizaria novos acordos de leniência. "Caso o projeto fosse aprovado, a leniência de uma empresa traria imunidade e anistia pelos crimes praticados por ela ou seus funcionários. Isso aniquila o interesse das empresas. É público e notório que existem negociações de leniência em andamento e elas poderiam ir por terra", ressalta Dallagnol.



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