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Lula contra o PT e a Lava Jato. As batalhas internas e externas para sobreviver politicamente sem uma nova narrativa


Muita gente ainda se surpreende com a falta de capacidade de ex-presidente Lula e dos demais membros e aliados do PT em produzir uma narrativa convincente para explicar o revés da esquerda brasileira.

A ex-presidente Dilma Rousseff e sua antiga base aliada não conseguiram criar uma narrativa capaz de convencer o Congresso, Câmara e Senado, de que ela deveria permanecer no cargo. O PT não conseguiu apresentar uma narrativa capaz de evitar o desastre nas urnas nas últimas eleições municipais. O ex-presidente Lula, apesar de toda sua habilidade oratória, também não conseguiu desenvolver uma narrativa convincente sobre sua delicada situação perante a justiça e a sociedade.

Pode parecer surpreendente para muitos que um partido que esteve tanto tempo no poder e pessoas que estão na vida pública há mais de trinta anos não consigam desenvolver uma simples narrativa. Mesmo contando com a ajuda dos ditos 'intelectuais e dos melhores marqueteiros do mercado, Lula e o PT não conseguem apresentar uma versão mais palatável para o público sobre suas contradições históricas.

A resposta para este dilema é bem simples: o plano de poder concebido pelo PT para chegar e se manter no poder foi todo baseado em uma sofisticada engenharia de desvio de dinheiro dos cofres públicos. Simplificando: eles roubaram o povo.

Esta seria a única explicação plausível que poderiam oferecer a sociedade para justificar os problemas que enfrentam agora. Seria necessário admitir que prejudicaram milhões de brasileiros em nome de um ambicioso e desmedido projeto de ´poder.

O PT está rachado justamente em virtude deste dilema interno. Setores do partido defendem que aqueles que roubaram e que participaram ativamente dos esquemas de corrupção nos últimos anos assumam seus atos. Pessoas de peso na legenda, como a ex-presidente Dilma Rousseff, a senadora Gleisi Hoffmann e outros expoentes do PT já defenderam que a única forma do partido se redimir perante a opinião pública seria reconhecer seus "erros" históricos, como o uso de caixa 2 para financiar suas campanhas.

Para Aragão, ‘a corrupção que, na verdade, serve como uma graxa na engrenagem da máquina, essa, do ponto de vista econômico, é tolerável’. E ele arremata: ‘A Lava Jato gaba-se de ter devolvido ao País R$ 2 bilhões. E quantos bilhões a gente gastou para isso? Do ponto de vista econômico, a conta não fecha’”.

O ministro da Justiça do governo de Dilma, Eugênio Aragão, foi além durante entrevista à revista Carta Capital, na qual se propôs a explicar aos cidadãos por que a corrupção não apenas é ‘tolerável’. Segundo Aragão, ‘a corrupção que, na verdade, serve como uma graxa na engrenagem da máquina, essa, do ponto de vista econômico, é tolerável’. Para o ex-ministro da Justiça do PT, a corrupção é um mal necessário e afirma que ‘A Lava Jato gaba-se de ter devolvido ao País R$ 2 bilhões. E quantos bilhões a gente gastou para isso? Do ponto de vista econômico, a conta não fecha’”.

O problema é que a parte do PT que quer reconhecer seus "erros históricos" entra em conflito justamente com os interesses de seu maior e mais corrupto membro: o ex-presidente Lula, que já se tornou réu em vários inquéritos criminais e não conseguiu até o momento reverter sua delicada situação perante a justiça no campo jurídico. A incapacidade de sua banca de mais de 20 advogados de livrá-lo da encrenca em que se meteu tem tirando o sono de muitos petistas.

Lula agora trava uma batalha inglória contra correntes do PT ao insistir na narrativa de sua inocência, apesar de todas as evidências que pesam contra ele. O problema é que ele é um homem morto politicamente e muitos na legenda no querem que suas carreiras políticas afundem junto com ele quando for preso. Daqui para frente, Lula será cada vez mais abandonado.


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