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Fracassa tentativa de sabotagem de Lula e do PT para tirar Erundina e Jandira da eleição


O PT fracassou em mais uma manobra sórdida nos das campanhas eleitorais no Rio e em São Paulo. Orientados por Lula, interlocutores do partido tentaram sabotar as candidaturas de Luiza Erundina e de Jandira Feghali para favorecer dois candidatos homens. No Rio, Jandira teve apoio de Dilma, mas Lula prefere Freixo e pediu para seu amigo Chico Buarque ajudar na campanha do candidato. Depois do fracasso com Dilma, Lula não quer mais apoiar candidatas mulheres.

De acordo com a Folha, a tentativa de sabotagem teve início na última semana antes do primeiro turno, quando integrantes da cúpula do PT paulista lançaram uma ofensiva comandada pelo ex-presidente Lula para tentar firmar um acordo, com o PC do B e o PSOL do Rio e de São Paulo com o objetivo de beneficiar a campanha do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que tenta a reeleição.

A estratégia era convencer a cúpula do PC do B a convencer a candidata do partido à Prefeitura do Rio, Jandira Feghali, a abandonar sua campanha e declarar apoio ao candidato Marcelo Freixo. Em troca, a candidata do PSOL em São Paulo, Luiza Erundina, também abriria mão da disputa para se aliar a Haddad. As duas mulheres foram tratadas como descartáveis em uma proposição em que abririam mão de seus direitos em favor de dois homens: Haddad e Freixo.

A iniciativa foi mais um gesto de desespero para tentar dar sobrevida à candidatura de Haddad em São Paulo. Pela proposta, o PC do B apoiaria a coligação do petista. Com isso, o PT esperava somar as intenções de voto declaradas em Erundina às de Haddad, e impulsionar a ida do petista ao segundo turno.

A reportagem da Folha confirmou as conversas com integrantes da cúpula dos três partidos: PT, PC do B e PSOL. A iniciativa não foi para frente porque os interlocutores de Erundina barraram qualquer aproximação em São Paulo, o que fez com que, no Rio, apenas a direção da campanha de Jandira, e não a candidata em si, fossem abordados sobre o assunto.

Sob a alegação de que era importante promover um gesto de união pela "esquerda" contra as candidaturas adversárias que despontam como favoritas, o PT tentou sobrepor seus interesses aos interesses das duas candidatas.

Lula e o PT não demonstraram nenhum constrangimento por propor uma sabotagem tão vergonhosa às vésperas das eleiões, desrespeitando as candidatas e seus eleitores. O assunto chegou a ser tratado publicamente m um evento da campanha de Haddad.

Coube ao escritor e biógrafo de Lula, Fernando Morais defender o acordo entre a esquerda. O escritor abordou o assunto em pleno palanque de campanha, ao lado ex-presidente Lula e do próprio Haddad. "[Quero falar sobre a] importância da eleição em São Paulo e no Rio de Janeiro", iniciou.

"Está na hora de a esquerda, dar o exemplo de unidade e de humildade. Está na hora de o PT e o PSOL se entenderem para não entregar as prefeituras do Rio e de São Paulo para a direita."

Procurado pela Folha ao longo desta semana, quando o assunto deixou de ser especulação e passou a ser negociado nos bastidores, o vice de Erundina, Ival Valente (PSOL), já havia rechaçado a ideia. "A chance é zero. Não há possibilidade de a Erundina deixar a eleição."

Valente ponderou ainda que o PT errava ao pensar que haveria uma transferência "automática" de votos de Erundina para Haddad. "Nosso voto é de opinião. E de opinião contrária a muitas coisas das quais o PT fez parte."

Leia a matéria da Folha AQUI
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